terça-feira, 25 de novembro de 2008

bolos



Saí rebentado e ensaiava o desabafo com a Guiomar. Ela viu logo ali um magnífico pretexto para reincidir na exposição da tese de que trabalhar à sexta-feira é uma selvajaria, de maneira que não cheguei a arejar.
Antes, tinha-lhe perguntado o que tinha estado a fazer, “estive a copiar este poema da net”, disse ela ao mesmo tempo que tirava da malinha um poema copiado por conta da empresa numa caligrafia rebimbada.
Não fiz comentários e não pedi para ler a merda do poema - como ela estaria à espera - porque ainda vinha com a cabeça a zumbir e, de qualquer modo, não estaria interessado num poema copiado com aquela caligrafia, assim com umas perninhas e volteios a dar para o borboleta marada. Como ameaçava o lamento de acasos, ela aproveitou logo para resumir um poema à sua maneira, desconfio que o da malinha, não sei quê dos afectos “..que são o que realmente importa” e “tens de ser mais tolerante.”
Foi aí, na parte do “tens de ser mais tolerante”, que eu lhe disse “oh Guiomar, vai pó caralho e não me fodas os cornos, pode ser, pode?”, mas a verdade é que também não ia ficar ali à espera que ela me dissesse “então está bem”, de maneira que perguntei se queria que a levasse a casa.
“Não, deixas-me no pingo doce que eu preciso de comprar coisas para fazer um bolo”, foi o que me disse a cabra da Guiomar.

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