São também muitos os imbecis que parecem afligidos por se pensar em tal lei quando são tantos os “problemas mais importantes”. Compreendo-os. Mas parece-me esquecerem que os problemas "mais importantes" e as soluções que geralmente propõem para a sua resolução têm a desgraça de serem quase sempre muito dispendiosas. Ao passo que a lei em causa, não apenas não nos incorre em despesas como pode até ser fonte de receitas à custa dos mais dados à patifaria.
Imagine-se um ou dois esquadrões de policias a fecharem num beco um bando do "grupo 1143". Ou, ainda melhor, um bando de "antifas". Melhor porque são geralmente filhos de famílias relacionadas com o poder e, por consequência, muito mais prósperos que fascistas de fim-de-semana. Façam as contas: a 4000 € por cabeça (uso com dolo) rapidamente se juntaria dinheiro para resolver "problemas mais importantes”. Quanto a bandidos mais indiferenciados, sem filiação política, os proventos financeiros não serão tão generosos porque essa gente tem tendência sociológica para o chapa roubada chapa gasta. Mas é leviano desdenhar do efeito dissuasor das coimas. Não porque seja improvável a pena de termo de identidade e residência, mas porque tais despesas desanimam qualquer profissional, por melhor que seja no seu ofício.
Colocada a coisa de onde nunca deveria ter saído, não deixa de me surpreender que a lei seja apoucada pela alegada supressão de direitos religiosos e/ou liberdades individuais.
Não, estou a ser hipócrita, não me surpreende nada. Mas muito menos hipócrita do que os que invocam tais coisas para a diminuir. Senão vejamos: os teólogos do Islão garantem que não há nada no livro que, além de recato e modéstia - “ [de modo a que as mulheres] sejam conhecidas mas não abusadas”-, imponha ou prescreva burca ou niqab. Já no que diz respeito às liberdades individuais elas são sempre condicionais. E as condições não são arbitrárias: no caso, premunem um direito de todos a medidas que favoreçam a segurança.
Não é segredo que a diabolização e baptismo da “lei da proibição da burca” corresponde a uma das conhecidas manhas da esquerda: laborar a partir das distorções. Mas não nos iludamos. A direita mais estupida do mundo não é diferente no que a hipocrisia diz respeito.

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