sexta-feira, 18 de março de 2016

presumidos inocentes, culpados e pinguins































Quino (2010)


Foi ontem que um meu amigo deu em reparar que todos os manifestantes anti-Lula eram “brancos”.

Embora não seja particularmente original na análise – ela ensopa as “redes”, aqui e lá – e as suas motivações não cheguem a ser devidamente elucidadas, é de supor que se esteja a chamar a nossa distraída atenção para o facto de os manifestantes serem ricos e privilegiados. Enfim, a coisa não é dita explicitamente; é induzida.

Mas é verdadeira? – Não sei, não faço a menor ideia. Apenas sei que é completamente irrelevante.

Estava eu a ouvir as escutas – e a juntá-las mentalmente a outras que por cá também se fizeram – e dou comigo a pensar mais uma vez nos conceitos de “direita” e “esquerda”. E embora continue a achar que são conceitos inúteis já que são desprovidos de valor descritivo no contexto em que habitualmente são usados, não deixam apesar de tudo de ser úteis para descrever algumas diferenças patuscas.

Por exemplo: alguma vez se viu alguém (descritível como sendo) de “direita” tentar insinuar a mais pequena dúvida relativamente à improbidade de criaturas como Duarte Lima, Dias Loureiro ou Miguel Macedo? Não creio. Nestes casos não é necessário que as evidências de conhecimento público sejam particularmente escabrosas para mandar a presunção de inocência às urtigas; é culpado. À “direita” e à “esquerda”.

Vá agora de ver o que sucede relativamente à improbidade de criaturas como Lula da Silva ou José Pinto de Sousa. Bom, nesses casos, para a “esquerda”, tudo o que miar fora de um tribunal superior com oito em dez dos juízes nomeados pelo réu é suspeito de chicana política e o respeito pelo “bom nome” das pessoas passa necessariamente pela tal “presunção de inocência”. E quando soçobra a presumida santidade, não importa o quão sórdidas possam ser as evidências de culpa; quando a lama bate na ventoinha, amaldiçoam-na. A ventoinha, não a lama. É a tal “superioridade moral” em que se presumem as tribos de “esquerda”.

Em que se diferenciam os crápulas e ladrões de “esquerda” e “direita”? Em nada. São crápulas e ladrões que se acoitam de um lado ou outro precisamente porque nenhum dos “lados” descreve qualquer diferença.

E em que revela o estatuto social dos que se manifestam contra crápulas e ladrões de “esquerda” ou “direita”? Em nada. São colónias de pinguins.