10/01/11
29/07/10
20/04/10
Pois,
...mas eles agora têm computadores e programas que…
-Têm computadores o caralho. O que o gajo tinha era um bigode. Deu uma pancadinha na janela com a esferográfica e disse que era classe B. Sem a mínima esperança que eu o levasse a sério. Um caralho de um bigode era o que o gajo tinha.
30/01/10
08/11/09
Dizer que o mundo encolhe assustadoramente...
…é abusar da paciência de qualquer alma, mesmo a daquelas mais estouvadas que confessam impaciência acerca do que eu possa ter para dizer-lhes e isso é tudo o que de momento me ocorre ainda que seja a mais acabada das evidências para qualquer delas.
Para mim a coisa tornou-se irrefutável quando numa noite de Agosto me abeirei do avião. Primeiro com espanto, depois com apreensão e finalmente com um entusiasmo completamente imbecil quando me dei à condição de passageiro. É que eu nunca tinha voado num DC-3. Ao que parece ainda existem algumas centenas que estão perfeitamente operacionais embora tenham deixado de ser produzidos por volta de 1945. As bochechas nos pneus do trem de aterragem, o lixo e as ervas daninhas em volta deles, o aeródromo que mais se assemelhava a um princípio de urbanização deixado às ortigas e ao entulho, isso foram algumas das coisas em que reparei naquela parte em que fiquei apreensivo. A luz amarelada de candeeiros razoavelmente afastados não deixava ver grande coisa. Dava para apreciar a cabine, o nariz apontado ao céu escuro e uma fuselagem que parecia contrariada em terra. E essas foram as coisas que me deixaram na tal euforia imbecil que me fez avançar. Os outros passageiros – que devem ter experimentado o mesmo espanto e apreensão mas com juízo suficiente para não ir além dessas coisas - ao verem a minha afoiteza devem ter pensado que “aquele senhor deve saber imenso de aviões” e acabaram por avançar também, embora um pouco pensativos.
Acomodámo-nos nos lugares com a colaboração de um tipo que manejava uma lanterna porque o avião estava completamente às escuras. As luzes só se acenderam com algumas hesitações no momento em que o piloto ligou os motores. Enfim, digo que eram os motores mas também podia ser o barulho de um desses geradores que os feirantes usam para as barracas de farturas. Estava muito cansado, viajara de autocarro durante toda a tarde e parte da noite com uma paragem em Alcácer do Sal por via da sede e de umas bifanas. O avião abanou, julguei ver um tipo com ar de arrumador a pendurar-se numa das asas mas estava escuro e pensei que aquilo era por causa de alguma coisa que tinha bebido. Adormeci sem pensar mais no assunto apesar do barulho.
Chegámos de madrugada. O aeródromo parecia ser o mesmo de onde partíramos em Portugal.
Um autocarro velho e com matrículas desenhadas em papelão levou-nos para o hotel nos arredores de Žarnovica por uma estrada de terra batida. A velhota que seguia a meu lado remordeu qualquer coisa em desabono do Fidel a pretexto de “miseráveis infra-estruturas” e “de qualquer modo, para a frota de automóveis que eles têm…” Tudo isto a fingir que falava para a neta porque eu não me dei ao trabalho de lhe lembrar que não estava em Cuba e que “os comunistas” já não mandavam na Eslováquia.
O hotel tinha algumas semelhanças com os que se podem ver em Bratislava com a diferença de que só tinha rés-do-chão, uma coisa a arremedar um desses estaleiros que se fazem por alturas da construção de auto-estradas e estádios de futebol. Tirando isso a zona era agradável, basicamente um prado com um eucaliptal ao fundo. Era esquisita essa coisa do eucaliptal, o eucaliptal e a azinheira que havia perto da recepção, mas não liguei.
Passei os quatro dias com uns livrecos ao sol, sentado numa daquelas cadeiras de plástico injectado. Para além das bebidas mais comuns em qualquer parte do mundo, havia Adega Cooperativa de Borba (tinto), Macieira e Licor Beirão. O pessoal parecia não falar mais nada além do eslovaco ou lá o que aquilo era mas, para meu espanto, parecia não ter dificuldades em compreender o português. Por uma razão qualquer o pessoal sujeitava-me a uma espécie de segregação evitando o meu convívio com os outros hóspedes o que me calhou que nem ginjas já que o destino fora criteriosamente seleccionado a fim de minimizar as possibilidades de tais convívios. Ainda assim, ao terceiro dia não houve modo de evitar a velhota toda esbaforida a perguntar pela Zaida.
- Não, não vi a pequena mas não há-de estar longe porque isto é pequeno - disse eu.
-Ai aquela rapariga. Já viu o que o regime faz nestes lugares para turistas? Nem sequer empregam o povo nestes hotéis para eles não verem como é no ocidente; só há russas, ucranianas, romenas e aquela brasileira que trabalha na cozinha. Cubanos, nem um. Por falar em cozinha, não me lembro de alguma vez ter comido uns pezinhos de coentrada como os que comi ontem.
- Pezinhos de coentrada?????????
-Ó larócas, pezinhos de coentrada. E se estavam bons… Um pouco puxadinhos para os meus intestinos mas valeu a pena.
-Puxadinhos?????
-Sim, picantes. Os meus intestinos barafustam com o picante.
Essa foi a única ocasião em que me exaltei. Abalei dali direitinho ao refeitório e gritei:
- Com que então, pezinhos de coentrada, não é? E puxadinhos!!!!!!!! E para mim só há a porcaria dos bitoques, não é?
Nesse dia comi pezinhos de coentrada – que estavam maravilhosos, devo dizer – mas esta foi também a única ocasião em que fingiram não compreender o que eu dizia.
Numa mais pensei neste assunto da Eslováquia até há dias quando reconheci a velhota na televisão a denunciar a agência de viagens:
- Andava eu à procura da minha Zaida, vejo um homenzinho e pergunto-lhe: “Ha visto mi chica?” Foi aí que eu percebi que não estava em Cuba mas na Herdade da Ribeira Seca, no Alentejo.
Bom. Eu não me queixo. A viagem foi barata e os pezinhos estavam óptimos. A ideia é excelente embora tenha sido comprometida por algum amadorismo na execução. Afinal de contas, custava assim tanto mandar fazer umas chapas de matrícula ou abdicar do Licor Beirão?
A única coisa que me enfureceu em toda esta história foi a grosseira obstinação da cabra da agência em impingir-me o destino de Cuba quando eu queria ir para a Eslováquia.
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Este texto foi originalmente cometido para aqui mas estou com dificuldades técnicas que espero resolver antes do Natal.
31/08/09
17/08/09
só para não pensarem que me esqueço de vós…
aqui deixo esta gema, um comentário no
blasfémias a propósito de “Produção integrada”, um post de CAA.Lisboeta disse
CAA pançudo isto é só para te chamar a atenção :
começou a merda do campeonato, e logo na 1ª jornada os Filhos da Puta Mafiosos do teu clube já começaram a ser levados ao colo.
O Sport Lisboa e Benfica foi ROUBADO de um penalty !
Portanto, cuzudo de merda, toma atenção, porque é assim que vocês ganham !
Vai reparando, pançudo de merda !
29/07/09
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Também já vos aconteceu, tenho a certeza. Primeiro atirei-lhe uma caixa de cohibas, depois experimentei um rolo daqueles folhetos dos supermercados, até com uma pinha a tentei matar - uma porra de uma pinha, vejam lá. Era uma daquelas cabras chatas que nos fazem perder a cabeça. Dengosas, uma coçadela num braço, depois noutro, no pescoço, depois ao de leve no cabelo, estão a ver, uma coisa de um gajo se passar dos carretos.
Aproveitei para lhe foder o canastro com o cinzeiro quando ela estava mesmo à minha frente a esfregar as mãozinhas de contente. Não a matei logo porque fui um bocado atabalhoado, com os nervos. Ficou ali a sacudir as patinhas de um dos lados, as asinhas a dar a dar, com o abdómen colado no tabuleiro de xadrez.
Fiquei a vê-la, sem pressas de acabar o serviço. Nisto aparece um fodilhão que lhe salta à espinha, a esvoacinhar com aquela fúria que vocês já devem ter reparado. Foi rápido. Deu um saltinho para o lado a não mais de três centímetros e cirandou em torno do abdómen, assim como quem diz: “ Mas o que é que se passa com esta gaja?”
Certo é que - fosse lá o que estivesse a pensar - não demorou muito a fazê-lo. Começou a comê-la. Lá deve ter pensado: “Podes já não estar em bom estado para te ir à carica mas ainda serves para o mata-bicho.” É ou não é o que parece? Vocês já devem ter reparado.
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Não me esqueci daquela coisa do tribunal. É mais complicada do que parece mas voltarei ao assunto mais tarde ou mais cedo. O que me apetecia agora era passar a limpo duas ou três coisas acerca de jardins. Franceses, italianos e ingleses, sobretudo estes. Os ingleses dão óptimos jardineiros. Os alemães filosofaram o assunto mas fazê-los, está bem, está. Parafusos, os gajos são bons é a fazer parafusos.
12/07/09
está um dia bonito, acho que vou deixar as alegações finais para um dia útil
Ah, é verdade: comecei por dizer que tinha estado duas vezes em tribunal e é natural que estejam a pensar que a coisa só vai aquecer lá para a segunda parte, que eu só estou para aqui a engonhar para ganhar coragem.
São expectativas e as coisas já não vão mal de todo quando há expectativas. É por isso que me fode um bocadinho a honestidade que me compele a lembrar-vos que na minha vida não acontece nada e que não há nenhuma outra explicação para aqui vir.
Amo-vos muito.
11/07/09
conclusão da instrução do processo e considerações finais
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Se bem me lembro, tínhamos ficado naquela parte em que o Sarapantão está a jurar que o Alberto ia a 200 “ou mais”.
Ora, enquanto o gajo da justiça devia estar a olhar para o Sarapantão e a pensar que aquele rapazinho devia ser um bocado fraco de cabeça, eu olhava para ele e pensava: “Querem ver que este sacana, enquanto eu estava aqui a passar pelas brasas, arranjou maneira de se desenfiar para o Baú que fica ali mesmo em frente e já matou o bicho?”
É verdade que estávamos fartos de estar ali mas aquela maneira de tentar apressar a conclusão do inquérito pareceu-me bastante estúpida. Por isso, contemporizei e disse assim:
- Não, tanto também não, isso nem o carro do Eusébio…
O gajo da justiça casquinou então uma risadinha e perguntou:
- 80?
O Sarapantão amarrou o burro com aquilo que lhe parecera uma deslealdade da minha parte e tive que responder sozinho:
- Não sei, só sei o que já disse: o gajo ia muito depressa.
- Talvez 60, então…
- Muito depressa mesmo!
Estas foram as minhas últimas palavras naquele dia. Não sei se assinámos alguma coisa, não sei se fomos convidados a ler, só sei que não ia ler merda nenhuma mesmo que pedissem. O que eu queria era sair dali o mais depressa possível.
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Tenho ideia que depois disto ainda fomos chamados mais uma ou duas vezes antes do julgamento mas não deve ter acontecido nada de especial além dos episódios das cadeiras desengonçadas onde arranjávamos sempre maneira de passar pelas brasas. Lembro-me que ainda voltámos à sala de Francês na ideia de anunciarmos um novo compromisso com a nação, mas a cabra já devia estar avisada e ainda eu não tinha entrado e já estava a levar com o apagador na cabeça. De maneira que desisti dessas formalidades.
Naquele tempo era assim, não havia cá merdas, havia progresso. Não é que não tivéssemos as nossas tentações, as nossas tonteiras, com certeza, mas havia sempre alguém disponível para nos enfiar com qualquer coisa pelos cornos abaixo e aquilo passava-nos logo. Não é como agora em que as coisas se arrastam, arrastam e arrastam sem solução à vista.
Tivemos um bocado de sorte porque as idas ao tribunal calhavam sempre às quartas-feiras, que era quando tínhamos Francês. E porque é que isso era uma sorte? Bom, se não sabem a resposta é porque são do sexo feminino. Eu explico.
A maioria de nós, rapazes, depois de muitas voltas à cabeça, tinha chegado à conclusão que o Francês era uma coisa terrível que os adultos tinham inventado para nos pôr à prova. Como no nosso país o turismo já era uma indústria muito importante, cheguei a colocar a hipótese de que o Estado tinha inventado aquilo para que os portugueses fossem simpáticos com os turistas. Mas não. Por essa altura a televisão já andava no ar, e pode-se dizer que começávamos a ter uma visão antropológica do mundo. Por isso já sabíamos que por todo o lado havia merdas assim, rituais concebidos para que os miúdos chegassem a ser gente. Sabíamos que em certas ilhas prendiam os putos pelos tornozelos com uma espécie de cordas e os empurravam de alturas incríveis; numa floresta qualquer do Brasil, se queriam ser alguém na vida, tinham de meter as mãos dentro de formigueiros e aguentar as ferroadas por não sei quanto tempo; nalgumas zonas de África tinham de correr descalços por cima do lombo de manadas de gado que eram só pele, ossos e cornos enormes, ou então tinham de matar um bicho qualquer com mau feitio, praticamente sem mais nada além das mãos, sem ferramentas decentes. Enfim, por todo o mundo, a pretexto disto ou daquilo, havia uma mãe de chinelo na mão a perguntar-nos quando é que nos decidíamos a ser alguém na vida. Em Portugal, o pretexto era geralmente o Francês.
Numa ocasião em que estávamos particularmente deprimidos, nas vésperas de um ponto, lembro-me até de ter animado a malta quando me lembrei de uma coisa em que ninguém tinha pensado. Disse eu assim:
- Bem vistas as coisas até temos um bocado de sorte com esta coisa do Francês. Nalguns sítios, e não são assim tão poucos, chegam a cortar um bocado da picha dos miúdos para fazerem deles uns homenzinhos!
Parecendo que não, esta ideia era muito reconfortante e ficámos todos muito mais animados. Repare-se que no caso das raparigas até ficavam engraçaditas quando ensaiavam dizer “inspiration explosive”, “voyage”, “cahier” ou então “ou vas-tu, mon chair?” Às vezes até começávamos a sentir uma coisa esquisita mas agradável que formigava na zona do baixo-ventre. Agora no caso dos rapazes aquilo não soava nada bem e quando algum deles se aplicava mais a dizê-las, pensávamos logo assim: “Sim senhor, temos rabeta!” Portanto, não havia dúvida. Aquilo era mesmo uma coisa concebida para pôr os rapazes à prova.
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Embora não prometa escusar-me a nova dilação, talvez amanhã o caso vá a julgamento.
A justiça não pára.
10/07/09
uma escusada dilação na instrução do processo em favor de um retrato em voo picado
Como achei certo a dada altura da interpelação do gajo da justiça, impõe-se um pequeno rabisco que dê conta do Sarapantão.
Ora quem era o Sarapantão?
O Sarapantão era um rapazinho que teria dez, doze anos, como eu, tinha uns olhos grandes, claros e pestanudos, bonitos até, e muitas sardas por cima de uma boca que estava sempre aberta.
Bom, essa coisa das sardas é apenas uma teoria que tem tantas hipóteses de ser verdadeira como falsa. Havia sempre aqueles episódios nos balneários no fim das aulas de ginástica e que obedeciam sempre à mesma rotina. O professor abria o chuveiro, atirava para lá com o Sarapantão, ele berrava que nem um vitelo, dizia que não, nem que o matassem, o professor dizia “ai não, que não tomas”, ele tentava fugir, o professor enfiava-lhe as biqueiradas do regulamento, ele berrava, lá tentava desviar-se dos bananos, lá ia amolecendo à força de enfardar, lá acabava por se molhar, enfim, uns salpicos que não resolviam nada porque ele tinha manhas que só visto. Todas as semanas era aquilo, o professor já nem se dava ao trabalho de apagar a pirisca que tinha sempre ao canto da boca.
A juntar a estas dificuldades, talvez valha a pena acrescentar que ele vinha todos os dias de bicicleta lá das faldas da serra, onde o Estado Novo o fora desencantar para o levar à escola na vila. Levar é como quem diz; quem pedalava era ele. Agora como devem imaginar um exercício daqueles queimava mais óleo que uma Casal a dois tempos, pelo que não há mesmo maneira de saber se o Sarapantão tinha sardas ou não tinha sardas e até podia ser isso que intrigava o gajo da justiça. Adiante.
Tirando essa coisa das sardas o Sarapantão era um miúdo perfeitamente normal. Podia ficar um bocadinho encorpado com o bom tempo, mas naquelas idades quem é que não fede? Odiava profundamente a escola, tudo o que queria era estar com as cabras, com as ervas e acima de tudo que o deixassem em paz, nada mais, nada menos do que aquilo que nós todos desejávamos. E afinal, mesmo já mais crescidos, quem é que não gosta de estar em paz com uma boa cabrinha? Adiante.
Havia ainda uma outra coisa que só era da iluminação dos mais finos. Para mim a lebre levantou quando o professor de ciências pediu que alguém trouxesse uma garrafinha de tinto para realizar uma experiência na aula seguinte e o Sarapantão se ofereceu para o fazer com um entusiasmo inaudito e que nos deixou a todos muito chocados. Desconfiei logo que a mágica daquilo tinha sido a palavra “tinto”.
Aviso já que não se passou nada de especial na aula seguinte, mas antes de dar conta desse nada talvez venha de feitio esgalhar as linhas gerais do cenário. A sala era um laboratório em anfiteatro, bem fodidinho para o copianço, diga-se de passagem. Em baixo, havia uma mesa grande com tampo de ardósia com toda a sorte de vidrinhos, retortas, pipetas, provetas, lamparinas, o costume. O vinho era para ser transmutado em aguardente e foi o que aconteceu. O Sarapantão, que ficava sempre o mais lá para trás possível, ocupava nesse dia a carteira da primeira fila, lá em baixo junto à bancada. E embora o professor não fosse nada mau e tivesse umas noções de teatro, não havia nada naquilo que pudesse explicar a felicidade que resplandecia no rosto do Sarapantão.
Eram 7,5 dl que ele levava todos os dias junto com a bucha num saco da TAP e isto ficou um bocadinho grande de mais para se poder explicar apenas com o entusiasmo do Sarapantão durante o inquérito. Uma dilação perfeitamente escusada, como já tive o cuidado de admitir.
É a justiça a trabalhar.
Estou muito cansado. Mas, como amanhã é sábado, se me prometerem amar muito, muito, muito, creio que não será impossível arranjar tempo para a conclusão da instrução do processo e para as eventuais considerações finais.
09/07/09
instrução do processo
Revelaria alguma falta de sensibilidade se fizesse orelhas moucas ao desespero que se pode adivinhar nas entrelinhas das palavras deixadas pelo Cuco na caixa de comentários aí em baixo. Portanto aqui vai.
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Passaram uns tempos, que não foram largos – verdade seja dita – e recebemos em casa uma cartolinazinha que nos instava a comparecer no tribunal para prestar declarações. Lembro-me até de ter pedido o postal do Sarapantão para ver se os tipos também tinham escrito “Exmo. Senhor”. Tinham. Logo ali, fiquei de pé atrás. Quem se dispunha a tratar o Sarapantão por “Exmo. Senhor” estava a pedir que não o levassem a sério. Mas enfim, guardei as minhas cogitações do Sarapantão com o mesmo cuidado com que guardei o cartãozinho. Apesar de tudo, aquilo sempre era um documento oficial, uma coisa da autoridade, a prova provada de que o mundo já contava connosco para o que desse e viesse e em certas idades essas coisas são levadas a peito.
No dia aprazado lá fomos para a escola. Aquilo do tribunal era a meio da manhã, o que nos dava tempo de sobra para, como tínhamos combinado, moer o juízo dos nossos colegas que iam ter de gramar mais uma aula de Francês. Acabámos por ficar um bocadinho revoltados porque eles receberam a notícia com uma indiferença que se via perfeitamente ser fingida. Só por causa das teimas decidimos aguardar o toque para informar - em pessoa e com a solenidade possível - que a professora lá tinha que se desenrascar sem a nossa presença visto o tribunal de comarca contar com a nossa colaboração, e acima dos interesses da aula de Francês estava o serviço à nação. “Nem havia lugar a discussões numa situação destas”, acrescentei eu para a professora - que ouvia em silêncio e completamente aparvalhada - ao mesmo tempo que eu saboreava o efeito das minhas palavras nos rostos dos meus colegas.
Abalámos dali muito animados com a folga.
Chegados ao tribunal fomos recebidos por um tipo muito mal-encarado que nos perguntou:
-Qu’é q’querem daqui, pá?
Nós até nem estávamos à espera de uma recepção especial, tipo bolachinhas e assim, mas aquilo revelava uma falta de deferência um bocadinho excessiva. Como é de ver, não nos dignámos responder à criatura e limitámo-nos a exibir o postal. Estávamos ali “ao serviço da nação”, tal como eles diziam no postal, exactamente no sítio onde habitualmente se colam selos.
Bom, lá nos mandou esperar numas cadeiras manhosas, nós esperámos, esperámos, esperámos, até que a certa altura fomos acordados por um imbecil de quem já não lembro a fronha e que nos mandou esperar noutra salita manhosa onde esperámos, esperámos, esperámos, até que apareceu um tipo que tinha uma camisa aos quadradros e que devia ser o escrivão, o oficial de justiça, o juiz, ou lá o caralho que o homem era, que nós já só queríamos era ir dali embora, a nação que se foda e assim.
Diz então o homem:
-Então os meus amigos são testemunhas de um acidente, verificado a tantos, e todo o rebéubéubéu que as meninas já sabem?
E nós:
- Somos, pois!
- Então e o veículo de cor branca, modelo Simca 1000, rebéubéubéu e tal, deslocava-se a uma grande velocidade?
- Deslocava-se, pois!
- Muito depressa, nesse caso!?...
- Muito!
- Mas muito, quanto: duzentos à hora?
“ Ou mais”, respondeu o Sarapantão muito entusiasmado.
Foi nessa altura que ficámos os dois – eu e o gajo da justiça – a olhar para o ar vagamente alucinado do Sarapantão. Ambos intrigados, mas por razões diferentes.
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Ora bem, neste momento justificava-se uma breve pausa na instrução do processo do Alberto e do gajo do tractor. Isto por via da necessidade de um retrato breve, uma coisa em voo de pássaro para não chatear muito.
Coisinha que vou ter que deixar para amanhã.
As meninas dirão que esta merda não anda nem desanda, mas o que é que querem? Estas coisas levam o seu tempo.
08/07/09
falemos então de coisas sérias
… da justiça, por exemplo.
Em toda a minha vida estive duas vezes em salas de tribunal. Da primeira, teria eu para aí dez, doze anos.
Tudo começou quando eu vinha da escola com o Sarapantão e passávamos junto das bombas da Francelina. Vínhamos distraídos a dizer baboseiras quando ele passou por nós na ganga, tão na ganga que nos virámos os dois para ver o Simca.
-Ia, c’um caralho!… - dissemos os dois ao mesmo tempo.
Foi precisamente nessa altura que o Massey-Fergusson encarnado (daqueles dos grandes) que vinha da rua dos Capristanos meteu o nariz na rua das bombas da Francelina para o homenzinho poder ver se vinha aí alguém. Ora bem: vinha alguém, sim senhor, e o Simca nem teve tempo de travar. Marrou na roda do lado esquerdo da frente do tractor, deu uma carambola por cima, voou um bom bocado, deu mais umas cambalhotas e rojou com o tejadilho pelo alcatrão até ficar parado com as rodinhas ainda a girar. Corremos que nem doidos para ficar mais em cima do acontecimento e vou eu e digo assim:
-Ia, c’um caralho!
E vai o Sarapantão e diz assim:
-Ia, c’um caralho!
Quem era, quem não era, vai-se a ver e era o Alberto, empregado de mesa no “Baú”. As rodinhas ainda a fazer tchic-tchic, tal qual como nos desenhos animados, e vai o Alberto, azamboado que nem uma enguia em pesca de petardo, e diz assim:
-Foooooooooooda-se!
Ainda tão na dúvida de causas e efeitos quanto o Alberto, foi o estado em que saíram do Simca os outros três gabirus. Um deles parece que era empregado de mesa no “Portugal” mas a verdade é que não os conhecia. Sei que não disseram nada e se puseram todos a fazer flexões ali mesmo no alcatrão. Ficámos a ver a coisa, está claro, parece que os gajos vinham da tropa e assim, mas passado um bocado fartámo-nos daquilo e fomos á cata do gajo do tractor.
Onde estava, onde não estava, fomos dar com ele dentro da loja da Singer, ainda sentado no tractor com um ar muito espantado. Ele e as rapariguitas que por ali estavam a tirar um curso de costura.
Não morreu ninguém e os prejuízos que eram muitos, ficaram-se pela mercadoria. Toda a gente a dizer que tinha sido um milagre, vejam lá, e tal, e vou eu e digo assim:
-Não foi não, eu vi tudo! Eu e aqui o Sarapantão. Foi o Simca do Alberto que está ali em baixo a fazer flexões. Foi ou não foi, Sarapantão?
E vai o Sarapantão e diz assim:
- Eu é que vi tudo! Eu e este gajo que está aqui.
E foi assim que eu e o Sarapantão fomos arrolados como testemunhas pela primeira vez nas nossas vidas.
Quando soube da coisa, o meu pai ficou um bocado lixado e disse assim:
-Nessas coisas, um tipo vê e fica calado. Percebeste?
Eu disse logo que sim, tinha percebido, mas agora já estava. Para dizer a verdade, não percebia mas também não fazia gosto em contrariar o meu pai.
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Amanhã, se me pedirem muito, falar-vos-ei da instrução do processo do Alberto e do gajo do tractor. Agora tenho de me ir deitar porque tenho que estar fresco para amanhã me foderem os cornos com a força do costume.
estava para vos falar de uma ou outra coisa que vou encontrando sobre a tábua de engomar
... mas os tempos vão sérios, não parece bem vir para aqui com parvoeiras e tenho de passar por aqui de vez em quando. Afinal de contas, quem é que te mandou fazer essa merda, agora que começaste, continua, parolo de merda, que nunca levas nada a sério, digo eu com os meus botões.
A verdade é que apesar de ser bem jeitoso (não sei se já disse), ninguém me ama, ninguém tem para comigo a caridade de um miminho e não exagero na confissão de que até o gato aduba sem esforço o mais profundo desprezo pela minha pessoa, que eu bem o vejo, quando o cabrão passa por mim a olhar-me de esguelha. Ora, tendo eu dado a entender no momento em que a baptizei, que esta coisa era acerca do amor, também não ficava bem a confissão de que acerca desse assunto não sei mais que o Tavares. Para falar a verdade, o cabrão do gato ainda se safa, pelo menos a ajuizar das ocasiões em que chega aqui a casa com uma andar esquisito e um ou outro sobrolho alagado. “Alguma amiguinha armada em sufragista que não quis ir ao castigo, não foi, Tavares?” - digo eu nessas ocasiões, mais até para meter conversa do que para gozar com o bicho.
Isto é a gente para aqui a palrar, eu sei que aquela cena do Tavares não tem nada a ver com amor. O gajo é melro, não perde tempo com tarouquices.
Dirão as minhas pombinhas: “mas olha lá, meu palerma, quem é que te encomendou o baptismo, porque é que não te lembraste de qualquer outra coisa, sei lá, caracóis, por exemplo?” Precisamente por isso, minhas fofinhas, porque sou um palerma e na altura não me lembrei do nome dessa coisa dos caracóis. Sim, porque isso dos caracóis também é uma ciência.
21/06/09
Ora bem, Cuco:
Não topo com assomos de prata por cima do coice, mas cuidava-te já com juízo bastante para não me vires com merdas dessas.
Eu até me dispunha à ponderação da coisa, não se desse o caso de já viver numa ilha onde não quero mais nada senão livrar-me de coisas e tarecos.
Se me pudesse inventar outra geografia também não seria mais ambicioso. Na condição de que a ilha venha provida de cocos ou qualquer outra porcaria que dê para fermentar e de uma ou outra nativa para tagarelar ao pôr-do-sol.
18/06/09
Ó Aníbal, conta lá um livro
… pediu a Berta na mesa ao lado.
O Aníbal já tinha comido a sopa e estava de saída. Ponderou mais uma vez a evidência de que a Berta era bem boa de mamas, pediu uma amarelinha à Júlia que ficou por perto na expectativa, e a elas se juntaram todos os que por ali estavam.
Ainda a pensar nas mamas da Berta, lá arrancou ele da página um, sempre a olhar em frente como se estivesse a ler em voz alta, ausente.
Quando parava de falar, o pessoal aproveitava para rir e não eram poucos os que, divertidos, batiam com a palma das mãos nos tampos de pedra.
Enfastiado, o Aníbal aproveitava para passear os beiços pelo bordo do cálice de amarelinha. Quando se esfumava a algazarra, recomeçava: “Uma ocasião, …”
E por aí a fora até à página 87. Nessa altura escorropichou o cálice, levantou-se, colocou as mãos nos rins com um esgar de aflijo e disse:
-Bom, agora ide pó caralho que amanhã é dia de trabalho e eu quero ver o telejornal.
30/05/09
- Pois, realmente deve ser complicado…
- Sabes, eles entalam as mamas numas placas daqueles vidros novos, ou lá o que é aquilo …
- Acrílico, se calhar…
-Pois, isso. Entalam-nas até ficarem em forma de bolachas.
-Deve ser horrível.
-Além disso, aquilo trás imensos problemas, fazem os implantes antes de terem filhos, depois as mamas com os filhos aumentam de volume. Tu já viste se aquilo rebenta?
-Olha, eu confesso que até gosto de ver.
-Já para não falar nos problemas que aquilo trás à coluna e bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz
bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz- E depois aquilo deve-se sentir, deve ser horrível de tocar bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzz
z bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz. E depois põem aqueles decotes com tudo à mostra.- Olha, mais uma vez, tenho de confessar que gosto muito de ver.
- E nem te passa pela cabeça. São cada vez mais novas a fazer aquilo, nem imaginas o trabalho de dissuasão que bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz bzzzbzzz
- É claro, deve ter-se o cuidado de ter em atenção as circunstâncias, mas estaria a ser um hipócrita se te dissesse que não gosto de ver uma mulher bem-disposta.
hoje de manhãzinha
20/05/09
às vezes acho-lhe graça mas de um modo geral quero que a Guiomar se foda *
O Ti António substituía telha velha em roupa que já fora à missa por alturas do seu casamento e andava bastante à espera de ter vagar para ir ao tanque. A roupa e o Ti António.
Bom. A razão porque vem isto ao caso está em que a mulher do Ti António - Dona Rosa é como se chama a cabra - comentava assim com outra cabra que vive mais acima: “… e depois, caem do telhado ou assim, vão parar ao hospital, e quem fica mal vista é a gente!”
___________________
* Ora bem: este magnífico apontamento da vida real, tal qual ela é e nem sempre como a pintam, estava para ser titulado com um soberbo “quandoque bonus dormitat Homerus”. Antecipando-me a eventuais comentários apanascados convirá acrescentar que não faço a menor ideia do que essa merda queira dizer, embora dê para ver que tem a palavra “Homero” o que viria muito a propósito da Dona Rosa e podia acrescentar um grande número de latinistas aos para cima de milhares de fiéis leitores (beijo-a muito, querida India. E tu, Cuco? Que é feito de ti, meu caralho?) desta magnífica coisa.
A verdade é que uma boa ideia nem sempre é compreendida e pelo sim, pelo não, que se foda a Guiomar e o Horácio.
18/05/09
só para dizer que me apaixonei por um laranjal
11/05/09
vincit omnia veritas
Também ainda não vi mas disseram-me que é a história da minha vida. E embora não tenha um gran torino e seja ligeiramente mais baixo que o Clint, a verdade é que sou muito mais macho.
Enfim, vocês sabem muito bem como é a canalha de Hollywood quando dá de romancear as coisas.
sustine et abstine
- Então, Ti António, já registou o poço?
-Hã?
- Pois, agora têm de se registar os poços. Passa pela junta e dão-lhe os papéis.
-Papéis?
-Sim, a papelada para legalizar o poço, ou lá o que é. Parece que a multa é coisa para vinte e cinco mil euros…
-Eu não tenho vinte e cinco mil euros… Tenho umas batatinhas, umas couves, …
- …
-Acha que os gajos se lambuzam com umas batatinhas?
01/05/09
Fui-me ao céu a buscar-lhe uma nuvem e ele dá-me isto.
Fui-me ao mar a buscar-lhe instante e ele dá-me postais ilustrados.
Sei-o em lugares de vigoroso esplendor, mas a ânsia de vir aqui deixá-lo, deixa-me sem tempo de lhe chegar mais perto.
Pelo caminho farejei terra, pinho em fumo de chaminé, cera em soalho de aldeia. Mas como fazer prenda desses perfumes?
Trapalhadas de um pateta que lhe quer bem e na pressa de aqui vir deixar presentes coleccionou borrões sem jeito.
26/04/09
legitime impedito non currit tempus
Guiomar: olá
23:04 eu: olá
Guiomar: e se hoje falasses comigo
auauauau ele está lá...
eu: sei que vai parecer estranho mas estou quase a ir jantar...
23:05 Guiomar: olha n me apetece ver tv nem ler nem dormir
estou aqui numa embrulhada
eu: nesse caso podes muito bem ficar para aí a pensar em mim... de repente não me ocorre nada mais de mais inteligente que possas fazer… parece-me muito divertido... pensar em mim...
23:06 Guiomar: não acho má ideia
…
…
…
…
…
Guiomar: bem, mas não posso comer mais chocolates
23:09 eu: pois eu vou comer cozido bem temperado
Guiomar : olha tenho cá um chocolate preto espanhol artesanal q tem 1kg quero dar-te um pedaço mas n sei como cortar
...
eu: embrulha num pano e dá-lhe com um martelo. isso é para beber, pá, não é para comer
Guiomar: ok
levo-te amanhã
23:11 eu: para beber, disse eu
Guiomar: mas n é para beber como derrete-se
derrete-se como
23:12 n tenho pontos de interrogação n escreve
és capaz de ter razão ninguém consegue comer aquilo assim
eu: bom, agora vou comer o cozido mas não quero despedir-me sem deixar bem claro que em meu entender devíamos dar uma queca tão presto quanto possível
23:13 Guiomar: não sejas assim
estragas-te tudo
Eis pois como se fazem amiguinhas e a gente almoça, lição que aqui deixo para benefício de nados e vindouros.
isto devia ter sido ontem
Agora já não vale a pena estar para aqui com espertezas, chamar a atenção para algumas coisas bem achadas na filosofia analítica da história, do Arthur Danto, em particular naquela parte em que o gajo elabora acerca do futuro, do passado e das contingências, quanto mais não fosse para que pombinhas e demais rabetas não continuassem a alimentar a ideia absurda de que nos anos sessenta só se fizeram calças à boca-de-sino e o caralho.
Oh, sim, eu cuido-me no direito dessa coisa de “chamar a atenção”.
Fora de tempo simbólico, fico-me por uma citaçãozinha da revista Sábado.
“…
Depois de até a família Espírito Santo lhe recusar uma linha de crédito, pediu ajuda a Salazar.
O então ministro das finanças recebeu em casa Alfredo da Silva e o genro. Sentaram-se os três à volta de um fogão a petróleo no meio da sala de estar, cada um com uma manta de lã sobre as pernas. “O País está doente e eu sou como o médico, tenho de o curar”, comparou Salazar. O industrial, muito mais velho e impulsivo, interrompeu-o logo: “Médico, não. Veterinário que trata o doente sem perguntar o que ele sente.” Salazar respeitava Alfredo da silva e arranjou forma de a Caixa lhe emprestar 81 mil contos.”
A anedota do veterinário não me era estranha. A citação justifica-se porque lhe foi esgalhado um magnífico cenário para o qual também chamo a atenção.
25/04/09
quando me acontecesse alguma coisa, foi o que eu disse
Chove e não encontro os sermões
Eu até pagava a alguém para arrumar esta merda, mas e depois? E depois? Não encontrava nada, é sempre assim, caralho.
Já vi as cartas, mas essas são gordas, não podem deixar de ser vistas, é o que tem a dizer este menor criado de Vossas Senhorias.
17/03/09
birds have feelings too and would like to fuck without being spied upon by a lot of horny Brits

"This was my first trip to London and people embraced me and my campaign with enthusiastic fervor. Good Conduct Society members in the UK assisted me with an initial protest to STOP BIRD PORN in Hyde Park at Speakers’ Corner. As I stood on a soapbox surrounded by dozens of people, mostly tourists, Ben and Emily passed out hundreds of flyers explaining our mission to brand Bird Watchers as voyeurs. And I urged the growing crowd of onlookers to LEAVE THE BIRDS ALONE! It doesn’t take a space scientist or member of MENSA to realize that birds do not appreciate PEEPING TOMS when they are engaged in lovemaking.
I found London to be a charming city with friendly people. On the downside, hotels are expensive, the phones don’t work well and bathtubs were built for midgets. In fact, everything is small in Great Britain. It is a tiny country that has to treasure every inch of space. There are rows of houses along small winding streets, many cobblestone ones, that are probably occupied by Lilliputians. Each home has a chimney because burning wood is cheaper than buying oil for heat.
Bird Watching has been a passionate pursuit in the British Isles for centuries. I suspect that aspect of vicarious sexual gratification by their citizens has maintained necessary population control. So, sewing your seeds in the woods helps keep the kids away. There just isn’t enough space. Nevertheless, birds have feelings too and would like to fuck without being spied upon by a lot of horny Brits who could just as well masturbate at home."
stopbirdporn
November 1, 2008

