segunda-feira, 1 de agosto de 2016

do jornalismo que fala francês e toca esquecimentos

Nunca é demais lembrar que é também em sua conivência que o regime se tornou refém de um bando cujos índices de delinquência estão francamente acima dos da população da qual detêm o poder legislativo. E com a melancólica complacência de um povo que dá de achar que “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte”, os patifes lá vão cozinhando as leis que lhes garantem a mais absoluta im(p)unidade. E fazem-no com tanta ciência que em já mais de quarenta anos de regime, apenas um deles – e apenas porque teve a infeliz ideia de se amofinar com a direção do “partido” … - malhou culpa formada por dois anitos.

Tudo o resto vem sendo bocejo e fumaça. E a propósito de uns papeis centro-americanos com que os sócios domésticos de um tal consórcio decidiram fazer gongóricas manchetes, decidiu Nuno Ramos de Almeida, (um dos jornalistas que manifestamente não padece de esquecimentos) fazer esta eloquente evocação de manchetes cronologicamente ordenadas:

«Napoleão Bonaparte esteve recluso na ilha de Elba desde que abdicou em Fontainebleau em abril de 1814 até que na primavera de 1815 se juntou ao seu exército e decidiu voltar a Paris.
Os títulos do diário parisiense ‘Moniteur Universel’ durante todo aquele mês de março são assombrosos, pois oferecem um testemunho sem igual do avanço do ex-imperador:

9 de março: ‘O monstro escapou ao seu desterro.’

10 de março: ‘O ogre corso desembarcou no cabo Jean.’

11 de março: ‘O tigre sangrento apareceu na zona de Gap. Para aí se dirigem os exércitos para deter o seu avanço.’

12 de março: ‘O monstro chegou à cidade de Grenoble.’

13 de março: ‘O tirano está agora entre as cidades de Grenoble e Lyon.’

18 de março: ‘O usurpador ousou chegar até a um lugar a 60 horas de marcha da capital.’

19 de março: “Bonaparte aproxima-se em passo veloz, mas é impossível que entre em Paris.’

20 de março: “Napoleão chegará amanhã às muralhas de Paris.’

21 de março: “O Imperador Napoleão está em Fontainebleau.’

22 de março: “Ontem pela tarde, sua Majestade o Imperador fez a sua entrada pública no seu palácio. Nada pode superar este regozijo universal.’»


Estes senhores do ‘Moniteur Universel’ eram umas criancinhas ao lado dos nossos mariolas do “consórcio”.
Fiquemos à espera para ver mais disto.
Sentados.
Não porque a espera venha a ser longa mas porque a sucessão de episódios será suficientemente longa para nos deixar exaustos.

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