quinta-feira, 6 de outubro de 2016

pág. 147 (notas de leitura)

De onde o autor fala de um guarda-fatos com motorista.
“O seu aperto de mão é um pouco estranho, pois estende a mão (um bocadinho sapuda) semifechada. Talvez porque tem normalmente a mão húmida.” Ou talvez porque a sua motricidade mais fina haja sido afetada dos tempos de militância no MRPP em que “… andava à pancada com grupos rivais. Dizia-se que era temível. Aparenta ser mais baixo do que na realidade é, porque tem um corpo maciço, quase atarracado. Mas deve ter perto de 1,80m.”
Seja qual for a razão, esta porcaria nunca chegou a aprender a conduzir; “[c]omo foi governante muito cedo (aos 29 anos era secretário de Estado da Administração Interna), e começou muito cedo a ter motorista, não aprendeu a conduzir nem fez outras coisas banais para qualquer cidadão comum.

A  saída do governo colocou-lhe vários problemas. Ficou sem motorista. Contratou um, … , mas muitas vezes estava dependente de terceiros. Um dia, em 1996, … pediu-me para o ir buscar à sede do Grupo Espírito Santo, …

Depois de sair do governo e ficar desempregado, Durão Barroso foi portanto trabalhar para o GES. Não devia fazer nenhum trabalho concreto, penso eu. Mas os Espírito Santo seguiam – com ele e com outros políticos – a prática de lhes darem emprego, pois era uma forma de terem ascendente sobre certas pessoas influentes. Fazendo-lhes favores, colocavam-nas na posição de terem de retribuir um dia.”

Recordo-me de o ver como “colonista” do Expresso – Saraiva menciona-o – mas não me recordo de haver sentido vontade ou razão para avançar da segunda linha dos seus textos; “[e]screvia de uma forma redonda, carregada de autolimitações para não comprometer. Era sempre muito politicamente correto, nunca arriscava uma opinião fora da caixa. Era maçudo e previsível.” 

Resumidamente, era alguém sem uma única ideia que não fosse a de trepar e a das manhas que estão geralmente associadas a essa vontade.

“Em Março de 2003 realizou-se nas Lajes a Cimeira dos Açores. Durão Barroso diz-me ao telefone que Colin Powell, secretário da Defesa dos EUA, fez uma exposição em que convenceu os líderes europeus da existência de armas de destruição maciça no Iraque.”

Alega então que foi assim, “convencido”; o Barroso estava renitente e o Bush já começava a ver a vida a andar para trás, a ver que não podia rebentar com Bagdad... Mas lá acabou por se oferecer para as funções de mordomo da tal “cimeira” que viria a colocar o território português na geografia dos crimes de guerra perpetrados pelos “aliados” e que desde então assolam o médio oriente numa coisa cinicamente batizada de “primavera árabe”; a necessidade de derrubar “o tirano Bashar al-Assad “, parece ser a flor ainda em falta no desabrochar deste maravilhoso bouquet.  No meio do mais ruidoso silêncio e da aparente cumplicidade dos cidadãos das civilizadíssimas “democracias” europeias.

Em 2004, com alguns meses na função de primeiro-ministro, disse “que Chirac lhe tinha telefonado nessa manhã a insistir para que ele aceitasse [ser escolhido para presidente da Comissão Europeia].


‘Não acha que as pessoas vão pensar que eu fugi?’”, perguntou a Saraiva.
Não pá, as pessoas não pensaram que fugiste. Pensaram que foste à tua vidinha, apenas isso. A crise política que por cá deixaste e as cenas macacas em que se arrastou não são mais que a democracia a funcionar, o futebol é mesmo assim.

Confesso que não sei qual foi o bairro que deu à luz este pedaço de esterco. Mas se me fosse dado eleger a criatura mais repugnante de entre as que temos tido a desgraça de ver governar-nos, este seria sem dúvida um dos mais sérios candidatos.
Entretanto, desde que terminou funções lá naquilo da europa, vem-nos brindando com algumas pequenas alegrias.
Mete-se num avião e vem a correr para Lisboa a farejar a possibilidade de um derivo triunfal até ao palácio de Belém. “Lisboa” larga-se a rir e ele afocinha de faro uma monumental tampa.
Alguém transpira que ele tinha passado a abichar pela Goldman Sachs e põem-se os gajos lá da europa a rabejar que já não tinha direito a tapete e só lá voltava a entrar pela porta da cozinha que era a porta reservada a serviçais.
Numa divertida galhofa, ameaçam cortar-lhe com a “pensão de sobrevivência” e vemo-lo a choramingar queixinhas de lhe fazerem aquilo a ele “só por ser português” (sic) porque há outros meninos e meninas a abichar por fora e não lhes acontece nada.
Uma outra alegria que nos dás: a Goldman Sachs vai atirar pela janela todo o dinheiro que combinou dar-te porque o teu valor de mercado é inferior ao de uma ação do GES. Todo lampeiro a pores-te à venda e acontece-te uma coisa destas, vê lá tu.
Oh Barroso… Não deve de haver mais de meia dúzia de portugueses a não querer que te auto-insemines com muita força.
Digamos assim.



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