sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

“Henriques Leitão, um marinheiro desertor, não escolhia vítimas nem precisava de ser provocado. Por quase nada, mas muito por culpa dos ataques epiléticos de que sofria, começava a bater em quem apanhasse pela frente, fossem homens feitos, mulheres ou crianças. A fama e o currículo, com algumas prisões e muitas vítimas, precediam-no. Chamavam-lhe o Rufião. Na madrugada de 14 de julho, passou pela porta da Taberna da Mariana, na Rua dos Álamos. Sem dizer uma palavra caminhou até ao balcão e deu dois murros num dos três homens que conversavam animados. O agredido, Herculano Franco, o Miúdo, olhou para o gigante à sua frente e nada fez."

Ricardo Marques, 1914-Portugal no ano da grande guerra, oficina do livro, 2014, pág. 212

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