domingo, 19 de abril de 2026

ou sim ou sopas

Hoje, o empregado da administração americana que trabalha aos domingos na SICN - e faz horas extraordinárias à semana -, decidiu passar uma série de depoimentos de economistas russos francamente hostis ao governo de Putin.
Um deles chega a dizer, à laia de metáfora, que quando um clube de futebol perde tão expressivamente, o treinador é substituido.
 
Precisamos aguardar.

Mas ou estes cavalheiros vão sofrer acidentes a curto prazo ou o dótôr rogeiro tem de passar em breve uns vídeos a retratar-se por estar sempre a dizer e a insinuar que a Rússia não é uma democracia exemplar onde as pessoas podem dizer o que muito bem entendem.

Já agora: a hostilidade a Putin por parte dos cavalheiros que aparecem nos vídeos do dótôr rogeiro fundamentam-se todos num crescimento [anímico...] de 1,5% nos últimos 15 anos da economia russa.

Precisamente o mesmo da nossa fulgurante UE.
Sem guerras ou sanções.


the korgis


 

morella





 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

a invenção do ocidente

Faz anos que me consinto a ideia de que são os portugueses que estão na origem daquilo que ainda hoje chamamos de “ocidente”. Não tem nada de extraordinária, realmente. Uma ideia que nunca tive a ousadia de confessar a ninguém e que me serviu para explicar a origem de um oximoro geográfico utilizado em tantas teses de autores respeitáveis para designar uma realidade cultural que só agora, tantos séculos depois, começa a dar sinais de algum cansaço e que muitos descrevem pejorativamente como construção eurocêntrica do mundo. Um mundo que fomos os primeiros a ver como ele é fisicamente, a pôr de lado as fantasias em que as gentes o viam apoiado na carapaça de uma tartaruga, o mundo que passámos a latim nos primeiros dicionários de um grande número das suas falas.
Vem isto a pretexto da excitação em que fiquei quando, há um ou dois meses, tropecei num livro intitulado “A invenção do Ocidente” *. Com o subtítulo “Portugal, Espanha e o nascimento de uma cultura” - que estou convencido nem existir na edição original.
A inclusão da Espanha - relativamente secundária em relação ao nascimento dessa cultura -, nem sequer me surpreende, tão habituado que estou aos apoucamentos da nossa história colectiva. Com a colaboração activa de muita da “nossa” historiografia, reservam-nos à aceitação da culpa, até do que de mau nunca fomos autores, ou à quase boçal demanda por temperos, na mais generosa das hipóteses.
O autor, italiano, apenas lhe junta a Itália na disputa do que os portugueses fizeram.
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* Alessandro Vanoli, "A invenção do Ocidente - Portugal, Espanha e o nascimento de uma cultura", Edições 70, 2026