sexta-feira, 20 de março de 2026

dos factos enquanto irritação

Talvez porque não tenha grande afecto por convívios e ao mesmo tempo não sinta especial vontade em desdizer a ideia de que ninguém é uma ilha, dou-me à indolência de ler por aqui os comentários que se fazem a pretexto de um assunto ou outro. Digamos, portanto, que não sendo completamente uma ilha, serei um frágil istmo.

O suficiente para me deixar numa prostração tão melancólica que só me apetece ser ilha. É assim que me deixa a confirmação de que, para uma larga maioria, os factos deixaram de ser necessários para explicar a realidade.

Isso começou no jornalismo e espalhou-se como doença infecciosa por todo o lado.

Os jornalistas para quem os factos eram sagrados deixando as opiniões ao cuidado de quem deles fazia uso estão (quase) todos mortos ou aposentados. Agora só há comentadores. E as massas emitam-nos no método para a interpretação dos eventos. Zangam-se quando as importunamos com factos.

E não vale a pena lutar contra a doxa dos tempos.




tindersticks


 

lavradas


 

quinta-feira, 19 de março de 2026

são reversões, senhora...

E no caso, não apenas não custam nada aos arruinados contribuintes, como ainda os salvam de custos associados à aplicação da lei agora revertida.
Mas isso é evidentemente acessório quando comparado com a salvaguarda da saúde mental de jovens cuja identidade não deve ser prematuramente determinada.

As teorias de John Money e afilhados do bloco plasmadas na lei agora revertida não são ciência. E há evidencias sustentadas de que são crime de saúde pública.

Do mesmo modo, o que a dona Câncio faz não é jornalismo. É militância panfletária e não tem o direito de a fazer passar por qualquer outra coisa.

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[Edit: fui entretanto informado que o DN iá não é um jornal público. Em razão disso corrigi o texto no que a esse facto dizia respeito.]



wim mertens

 


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