Perguntei-lhe se queria ouvir música. Um espasmo agitou-lhe o corpo, dos olhos aos pés. A barra que no monitor assinalava alarme ficou a vermelho.
Fui ao carro buscar um mp3 e uns headphones. Adicionei os dois fios aos fios e tubos que lhe emaranhavam o corpo. E quando a voz de Olga Szyrowa na “Ave Maria” “de” Michael Lorenc lhe chega aos tímpanos, os algarismos a verde que estavam entre sessentas e noventas passam aos duzentos, trezentos e coisa.
Com o vermelho do alarme a piscar e a apitar, só a felicidade que lhe trespassava os olhos me dizia que tudo estava bem.
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