…foi assim:*
…
tsf – Então, Sr. Américo, conte lá como é que foi.
Sr. Américo – Isto foi assim: a prima da minha mulher pediu-me para cortar a oliveira.
tsf – E?
Sr. Américo - E eu disse assim: "-‘Tá bem."
tsf – Para fazer lenha?
Sr. Américo - Para fazer lenha. Por tantos, vinha por aí com a laureana e uma machadita. E aquele gajo ali ao fundo, o gajo daquela casa com o portão verde,…
tsf – A Laureana é a sua mulher?
Sr. Américo – (Não, é uma serra que a gente aqui usa para cortar lenha). …O gajo viu-me passar, pôs-se à coca e percebeu que eu ia cortar a oliveira.
tsf – Para queimar?
Sr. Américo - Para queimar.
De maneiras que o gajo foi logo telefonar ao Louro da junta.
tsf – O presidente da junta…
Sr. Américo - Sim, o Louro.
Ainda lhe dei umas machadadas mas aquilo estava a ser difícil.
tsf – Na oliveira...
Sr. Américo - Na oliveira. E chega-se aqui o Louro, todo vermelho, a resfolegar, e diz-me assim: "-Oh Américo, pá, não cortes isso, pá. Telefonou-me agora o dótôr Soromenho, todo indignado a dizer que é crime, e monumento e mais não sei quê, pá. E pelos jeitos o gajo ainda arranja algum trinta e um aqui para a junta".
tsf – E depois?
Sr. Américo - E depois eu disse assim: "Ah, ‘tá bem."
Eu já estava a ficar cansado e não mexi mais na oliveira.
tsf [em tom de intelectual a puxar pelo povo] – Ainda era muita lenha, não?
Sr. Américo - Ah, sim, umas arrobas valentes. Pelo menos um inverno.
Mas aquilo ‘tava difícil e eu disse: "Ah, ‘tá bem". E não mexi mais na oliveira.
tsf – Mas e a azeitona? Uma oliveira destas há-de dar muita azeitona…
[voz agastada, pouco audível e em fundo] - É um zambujeiro…
Sr. Américo - Ná… É um zambujeiro. Isso dá umas caganitas que nem interessam aos melros. Tem aí uma ou duas braças enxertadas de duas variedades de azeitona mas pouca coisa dão.
___________
* -Pronto, foi mais ou menos assim...
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