domingo, 17 de março de 2019

"Mais perto do fim, mais corrupção e mais brigas desapiedadas. Mas amigo,  em vez de guardar o leme e a vela, já que o barco ia afundar-se, cada um dos nossos nobres enchia ainda mais o seu bolso e zelava por obter uma boa maquia. Levantou-se no palácio uma tal febre e ataque à caixinha, que mesmo aqueles que não estavam particularmente interessados em enriquecer eram empurrados, incitados e pressionados de tal forma, que acabavam por ceder e, pelo sim, pelo não, também metiam algo ao bolso. Porque, caro amigo, tudo se virou do avesso, era considerado normal defraudar, e desonra não o fazer. Se alguém não roubava, era considerado pateta, inepto, e quase suscitava pena."

Ryszard Kapuściński, O Imperador, Livros do Brasil-Porto Editora, 2019, pág. 51

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