"[Arsénio Nunes, professor de medicina legal] apontava para uma maca onde jazia uma vítima nua com uma etiqueta num pé e explicava: 'Isto, meus senhores,é um cadáver. É preciso não confundir um cadáver com um defunto. O defunto é respeitável, atam-lhe um lenço aos queixos, choram-no. Um cadáver é uma coisa em que se mexe!'
...
Tenham ao menos os professores de agora a consolação de saber que o que dizem e fazem, fica (às vezes perversamente) assinalado por uma vida inteira. Sempre é uma pequenina imortalidade..."
Mário de Carvalho em "O que eu ouvi na barrica das maçãs", Porto Editora, 2019, p. 248
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