sábado, 28 de dezembro de 2019

“[O] nacionalismo, como ideologia, é perigoso da mesma maneira que as ideologias são perigosas. Ocupa o espaço deixado vazio pela religião e, fazendo-o, incita o verdadeiro crente a venerar a ideia nacional e, simultaneamente, a procurar nela o que ela não pode dar – a finalidade última da vida, o caminho para a redenção e a consolação de todas as nossas mágoas.   …   Mas não é essa a ideia de nação que se apresenta na vida quotidiana do povo europeu comum. Para o povo comum, que vive em associação livre com os seus próximos, ‘nação’ significa simplesmente identidade histórica e a lealdade persistente que os une no corpo político. É a primeira pessoa do plural da comunidade implantada. Os sentimentos de identidade nacional podem ser inflamados pela guerra, a agitação civil e a ideologia, e esta inflamação comporta vários graus. Mas no seu estado normal, estes sentimentos não só são pacíficos em si mesmos como são uma forma de paz entre próximos.”

Roger Scruton, Como ser um conservador, ed. Guerra & Paz, 2018, p. 52

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