terça-feira, 5 de maio de 2020

do contraditório e dos “polígrafos”

"A presidência da república portuguesa é 5 vezes mais cara do que a casa real de Espanha?
Falso!
É apenas 3 vezes mais cara."

"O gás engarrafado em Portugal custa o dobro do que o mesmo gás custa em Espanha?
Falso!
É verdade que o gás engarrafado custa o dobro em Portugal mas a imagem utilizada para ilustrar a informação tem preços de 2006 e está desatualizada."

Os exemplos são do "poligrafo da sic" e poderão não ser rigorosamente exatos, no sentido em que não recordo exatamente se foi cinco num caso, quatro no outro, 2006 ou 2016... Mas não se tratam de caricaturas, correspondem a casos reais do “polígrafo”. E o "polígrafo da sic" não passa de um dos vários "polígrafos" com que os antigos e até alguns dos novos serviços de informação infantilizam os seus utentes.

Estes operários dos serviços de informação nem se dão conta do insulto implícito no ato de presumir a imbecilidade dos seus telespetadores na sua incapacidade de distinguir os factos da mentira, do embuste e da propaganda política mais descarada.
Estes operários dos serviços de informação nem se dão conta do insulto implícito na presunção de que a população lhes possa reconhecer a função e a autoridade para fazer e pronunciar-se acerca do contraditório que apenas um adulto pensante pode fazer por e para si próprio.

Mas tudo isto diz mais acerca da maturidade cívica dos meus compatriotas que da pulsão autoritária dos operários dos serviços de informação que menciono. Um dia destes, a um qualquer pretexto confessei a uma professora de uma reputada instituição de ensino superior que era consumidor regular dos serviços noticiosos da russia today. Em horror, perguntou-me quem é que fazia o contraditório. Foi mesmo necessário dizer-lhe que o contraditório era eu que o fazia. Quem precisava que lho fizessem eram as crianças.

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