Eu que ainda por lá estive durante alguns anos - os da infância e
da primeira adolescência, os que nos deixam as memórias mais vivas -, eu que vi
coisas e vivi cerimónias e inaugurações verdadeiramente patéticas, eu que
na tenrura dos meus anos me perguntava como é que aquela gente do estado novo se
dava àquelas figuras sem assomos de embaraço, juro que nunca me passou pela
cabeça a possibilidade de vir a testemunhar tamanha chungaria.
As floreirazinhas com umas verduras que precisam pouca água a
fazerem de palanque, os baldes de plástico colorido, o púlpito em acrílico, o
pálio a arremedar o senhor pároco, as palmeirinhas a
emprestar solenidade a tudo aquilo, é toda uma estética a do estado novíssimo.
(daqui)
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terça-feira, 14 de julho de 2020
helicóptero da sic
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