domingo, 11 de outubro de 2020

"Sejamos sérios: se o governo de Viktor Orbán, na Hungria, indicasse uma ex-deputada e ex-autarca do seu partido para o Conselho Geral Independente (risos) da televisão pública, nomeasse o seu ministro das Finanças para governador do banco nacional (avaliando-se a si mesmo), candidatasse o ex-porta-voz do seu antecessor ao Tribunal Constitucional do país e afastasse o presidente do Tribunal de Contas em vésperas de chegada de dinheiro europeu, o que não diríamos nós?

Diríamos, caro leitor, que se tratava de um sequestro do Estado de Direito, de uma interferência do governo húngaro na separação de poderes e de uma inclinação autocrata do senhor Órban. E diríamos bem. Mas, como não se trata de Órban, nem da Hungria, nem de um político de direita, sorrimos, acenamos e mergulhamos alegremente na piscina do costume."

Sebastião Bugalho, Observador, 10 out 2020

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