Na Geórgia, a poucos quilómetros da terra natal de Stalin, conheci uma senhora uzbeque que o odiava como só uma mulher sabe fazer. E por uma razão que não era nenhuma das do costume. Culpava-o de lhe ter roubado a família através da disseminação do consumo do álcool por todo o império soviético.
A revolução de outubro acontece 3 anos depois de Nicolau II ter interditado a comercialização de vodka. A mesma vodka que havia dado os confins do império a Moscovo. Demasiado tarde, percebeu que além de um terço das receitas do império, perdeu a paz social induzida pelo álcool. Com a revolução de outubro, em poucos anos ela haveria de voltar a tornar-se a principal fonte de receitas para a industrialização da Rússia.
À semelhança de Nicolau II, Gorbatchov tentou tornar a Rússia sóbria através de medidas administrativas. O império das repúblicas socialistas soviéticas voltou a desmoronar-se. E passou dos delírios alcoólicos de Ieltsin diretamente para as mãos sóbrias de Putin. Que celebrou a memória dos soldados mortos no Afeganistão erguendo um copo de vodka que pousou sobre a mesa sem que alguma vez o levasse à boca. “-Mais tarde”, disse ele.
Sem comentários:
Enviar um comentário