sexta-feira, 4 de março de 2022

helicóptero da sic



Os grupos Russia Today e Sputnik estão “suspensos” no espaço da União Europeia desde o dia 1 de março. Salazar era mais honesto e usava abertamente a palavra “censura” para se referir a este género de “suspensões”. Mas compreendo os escrúpulos e a necessidade em fazer uso do eufemismo no contexto de países democráticos. O que tenho dificuldade em compreender é que ainda haja pessoas a acreditar que a informação é realmente livre apenas porque é produzida e/ou difundida em países democráticos. Essa ingenuidade deveria ter acabado no dia em que os helicópteros levantaram voo dos telhados da embaixada americana em Saigão.

Em Portugal temos, por exemplo, um jornal “de referência” que, sistematicamente, dá milhões de euros de prejuízo por ano. Podemos achar que a empresa que os paga está interessada em oferecer-nos a “verdade”, seja lá o que isso for, pela módica quantia correspondente ao preço de um jornal? São muitos os que estão dispostos a acreditar em tal coisa. Mas a isenção, o mais perto que podemos ficar da narrativa dos factos despojados de interesses precisa ser procurada nos interstícios das partes. Dá trabalho e reclamava neurónios. Foi sempre assim, de resto… Mas acabou. Doravante, com as “suspensões”, teremos de nos contentar com a dúvida.

Mas são muitos os que nem dela precisam.

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