Hoje, por causa de um vídeo, reencontrei-me com a memória de Bobby Fischer. Tive que ir ver o ano em que desafiou Boris Spassky: 1972. Era um miúdo, mas lembro-me de como subitamente o xadrez passou a ser assunto de conversas e discussões apaixonadas, mesmo por parte da enorme maioria que nem conhecia as regras do jogo. Como eu próprio, de resto. As partidas eram acompanhadas pelos jornais e discutidas pelos poucos que sabiam jogar. Lembro-me de os escutar e ler, com a impressão de que faziam parte de uma humanidade superior dominando um código esotérico que estava para além do meu mundo. Naquela altura o xadrez também foi o “mundo livre” contra o “comunismo”. Nunca mais o xadrez voltou a ser o que foi com Fischer e Spassky. Desconfio até que nunca fui à bola com o Carlsen por se atrever a fazer uma sombra que já vem de um mundo diferente.
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