sexta-feira, 28 de outubro de 2022

o orçamento e as oposições

Muito antes de o PS o fazer, surpreendi-me a pensar que a chamada “direita” com representação parlamentar faz rigorosamente a mesma coisa que a chamada “esquerda” em oposição: clama por mais dinheiro para tudo e um par de botas sem explicar ou cuidar de saber onde o ir buscar que não seja em mais impostos.

O estado tem uma dívida que suplanta o volume das receitas. E chegou a esse estado de coisas precisamente porque os sucessivos governos se excederam nas despesas ao ponto de egoisticamente onerarem as gerações vindouras com dívidas contraídas em seu nome. Dívidas que em grosso se contraíram com o quase exclusivo propósito de fidelizar os eleitores necessários e suficientes para se perpetuarem no ou na solidária adjacência do poder, ou seja, aquiescendo aos interesses imediatos de pensionistas e funcionários públicos para cuidarem dos seus próprios interesses.

Poder-se-ia entender eticamente defensável a contração de dívidas inter-geracionais desde que resultassem de investimentos em estruturas cujos benefícios se estendessem a várias, ao jeito de um Fontes Pereira de Melo ou Duarte Pacheco. Mas – já para não mencionar o inenarrável ministro dos aviões -, recordem-se os ministros das obras públicas da terceira república. Vejam-se e juntem-se-lhe os escândalos, suspeitas e silêncios associados a tantos desses nomes. Hierarquizar prioridades deveria servir para definir políticas plasmadas nos programas de governo que se sujeitam a sufrágio. E uma oposição realmente séria deveria discutir essas prioridades e pelejar pelo dever da frugalidade do estado no cumprimento das suas obrigações em vez de exigir maior despesa imitando feirantes.

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