quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

o tamanho certo de um nariz

Ligo o televisor para ver o noticiário no momento de algumas imagens da assembleia da república. E dou-me a lembrar de um professor que me disse um dia ao chegar a um local: "-Vê como toda esta gente é horrivelmente feia. Não há nada a fazer, não prestam, não valem nada". 
Dizia isto com um ar profundamente agastado, impotente. E lembro-me de me ter sentido incomodado com um comentário destes numa pessoa que eu admirava. Depois compreendi-o. Há uma extraordinária coincidência da mediocridade e da maldade com a percepção da fealdade. O feio nos humanos não tem nada que ver com o tamanho de um nariz ou de uma nádega. Tem todo a ver com o modo como estas coisas se insinuam sob a pele de algumas pessoas. E lhes sobem à boca, aos olhos, ao cabelo, de tal modo que não há cabeleireiro ou alfaiate que as salvem de ser irremediavelmente feias.

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