sábado, 1 de julho de 2023
a arte de se ofender
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Fui educado para acreditar que nunca devemos ofender-nos se o pudermos evitar; a nova cultura diz-nos que devemos sempre ofender-nos se pudermos. Existem agora especialistas na arte de se ofender, na verdade, disciplinas académicas inteiras, como «estudos de género, dedicadas a isso. Podemos não saber de antemão em que consiste a ofensa - abrir educadamente uma porta a um membro do sexo oposto? Pensar no seu sexo como «oposto»? Pensar em «sexo em vez de género»? Usar o pronome errado? Quem sabe? Encontramos um novo tipo de censura predatória, um desejo de se ofender que patrulha o mundo em busca de oportunidades sem saber de antemão o que melhor alimentará o seu veneno. Tal como os puritanos do século XVII, a necessidade de humilhar e castigar precede qualquer noção concreta do porquê.
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Roger Scruton, "Contra a Corrente", Ed. 70, 2022, pág. 96 (orig. pub. em The Spectator, 2018)
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