Não que seja excecionalmente saudável. Doem-me coisas e acontecem-me maleitas, como a qualquer outro ser humano da minha idade. Mas foi dando para esperar que passassem e mais ou menos foram passando. As que me pudessem impedir de trabalhar. Até hoje, pelo menos. Quem trabalha comigo não esconde por vezes a ideia de que não me consinto o abstencionismo por razões financeiras. Nem sonham o quanto miserável seria o meu salário se essa fosse a minha real motivação. Além da assiduidade padeço também de uma pontualidade maníaca, à boa maneira prussiana. E de aqui vivendo tenho a desgraça de a reclamar dos outros. O que me tem valido uma reputação a dar para o desgraçado como se pode imaginar...
Mas ainda acerca da assiduidade: lembro uma ocasião já longínqua em que, por força de uma gripe mais violenta, fiquei dois ou três dias de cama sem conseguir levantar-me. Evidentemente, não fui ao médico para diligenciar o atestado correspondente. Porque estava realmente doente e isso só poderia piorar o meu estado de saúde. Para ser completamente honesto, nem sei exactamente como se faz isso. O certo é que ainda hoje devo ter no meu "cadastro" uns dois ou três dias de faltas "injustificadas". E, por um acaso qualquer, vim a saber que dois colegas me tinham acompanhado na ausência. Um para jogar num torneio de futebol salão, outra para namorar. Ambos com faltas devidamente justificadas com atestado médico.
De modo que saudei esta coisa das "autodeclarações de doença" quando delas vim a saber. Já que os atestados médicos, com excessiva frequência, apenas serviam a quem tem a saúde necessária para os diligenciar.
A medida deu o que tinha a dar com gente para quem a assiduidade é determinada exclusivamente pelo dinheiro que se não ganha.
E sendo as coisas o que são, não é razoável esperar mais de quem nos governa. É até perigoso.

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