Faz uns anos não havia bicho careta que os comentadores não associassem a um ismo qualquer.
Numa altura como agora em que nunca foram tantos, nada. Um deserto de ismos.
Em 2016,a pretexto de uma recensão de um livro de António José Saraiva que veio a ser proibido (sim, sim, meus meninos, proibido, em 2016...), escrevi a seguinte nota:
"* A propósito do “cavaquismo”, valerá a pena reparar que jornalistas e comentadores políticos – porventura sempre em dificuldades para descortinar alguma caraterística distintiva de um qualquer líder político - arranjam sempre um “ismo” por cada criatura que passa pelo poder. Como se assim subsumissem e diferenciassem uma doutrina política. Desta maneira, com extraordinária ligeireza, falaram de um “cavaquismo”, de um “marcelismo”, de um “barrosismo”, de um “soarismo”, de um “guterrismo”, de um “socratismo” (juro que não estou a inventar; o corretor ortográfico só me dá erro em “barrosismo”!...), …
Com Valente de Oliveira (p. 184) haveremos de ver um excelente exemplo da verdadeira substância e natureza dos “ismos” fulanizados do regime democrático. De outra maneira, ao lerem as “fontes”, os historiadores futuros haverão de ficar confusos com o turbilhão ideológico em que parecemos afogar-nos.
(Oh, Rosas... Não baralhes os teus netos, meu sacana pançudo!)"
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NOTA: o doutor rosas a que alude esta nota é o doutor rosas, historiador antifascista e, na altura, comentador com lugar cativo nas televisões. Vestia uns polos de cores garridas com um gajo a cavalo a agitar uma marreta. Ou lá o que era aquilo.

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