sábado, 14 de fevereiro de 2026

nuvens de pó

“JUNHO-1902

"Contava o marquês de Ficalho, pai deste Ficalho, e que era vivo ainda há quinze anos, o seguinte caso, que mostra bem o medo que D. João VI tinha a Carlota Joaquina. Um dia o D. João VI ia de sege, para Sintra, Queluz, ou não sei para onde. Ao lado galopava o Ficalho, com dezasseis anos, cavalariço do rei. De repente, ao longe avista-se na estrada uma nuvem de pó, e o rei, deitando a cabeça de -fora da sege, brada:

-Parem! para trás, que aí vem a p...!

A p… - era a mulher. As palavras são textuais.”



Raul Brandão, "Memórias", Relógio d'Água, 2018, p.64

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