quarta-feira, 1 de abril de 2026

dos autores "obrigatórios" no ensino da língua

Ao que percebi, o governo terá sujeitado a consulta pública mais uma proposta de revisão de autores de leitura obrigatória no âmbito do espaço curricular dedicado à língua portuguesa. Desta vez, propondo a exclusão de José Saramago.

Os dramas suscitados por estas exclusões sucedem-se de ministério para ministério. E, por costume, recrutam um largo número de vestais numa arrebatada gritaria de adjectivos que viram as costas ao que deveria estar em causa: a aquisição de competências linguísticas em contexto escolar.

A esse propósito - sem de maneira nenhuma querer fazer coro com o acessório –, talvez valesse a pena lembrar que José Saramago teve que ler António Vieira para escrever como veio a escrever. Será isso razão para o substituir pelo padre nas "leituras obrigatórias"?

Melhor seria deixar de prescrever autores como quem receita antibióticos e reflectir nos métodos que melhor poderiam favorecer a aquisição das tais competências linguísticas que a tantos falecem. É isso que fica sempre por fazer e é essa a função da escola.

À sua maneira, o método - se é que lhe podemos chamar assim - favorece o comércio editorial, os herdeiros dos autores, os autores de resumos de leitura e os professores frequentemente incapazes de dar a conhecer aos alunos aquilo que poderiam vir a amar. Enfim, sugerindo leituras que potenciem as suas capacidades de interpretar e exprimir uma ideia sem os virar contra o texto “obrigatório”.

O método e o modelo de avaliação de competências linguísticas é o que precisa ser reflectido.

Até lá, era bom que parassem com a gritaria afectada a pretexto de autores. 
Nunca levaram a nada além de mais do mesmo.



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