O cavalheiro do PS-PSD que está lá agora, apareceu-me aqui na televisão a falar de um arraial qualquer no Algarve.
Tirei o som e, por mera coincidência, retomei a leitura de "O primeiro-ministro: estudo sobre o poder executivo em Portugal", de Paulo Portas e Vasco Pulido Valente, publicado em 1990.
Logo na introdução:
"Um dos pontos essenciais do estudo consistia em determinar as condições que os ministros tinham colocado aos chefes de governo para aceitarem os respectivos cargos. Boa parte dos entrevistados reagiu com surpresa à questão, pois lhe parecia estranha e despicienda. Notando ou sentindo que o facto de não terem colocado condições algumas para ingressar no governo podia parecer menos responsável, alguns dos entrevistados inventaram pseudocondições ou enunciaram condições que, pública e notoriamente, não haviam colocado aos respectivos primeiros-ministros. Sem a garantia de confidencialidade, o estudo pecaria por omitir a verdade: só a nossa interpretação podia, no caso, distinguir verdadeiras de falsas condições. O mesmo se passou com outro ponto do estudo, o de saber se os ministros escolhidos para tal ou tal ministério tinham, ou não, políticas sectoriais ou, pelo menos, uma ideia dos problemas que aceitavam resolver e princípios de acção. A maioria pretendia que sim, sem mais. Na nossa interpretação, a maioria não tinha qualquer política definida ou tinha apenas uma ideia muito vaga do que fazer no início das suas funções.
Para evitar polémicas desnecessárias, decidiu-se não dizer os nomes dos ministros; só o respectivo número. Identificaram-se as pastas, mas não se atribuem as declarações.
...
Nenhum dos programas, excepto um, contém indicação expressa da prioridade das políticas. São listas de intenções, sector a sector, por vezes sem existir sequer o cuidado de marcar um limite geral comum. Naturalmente, essa colagem de intenções sectoriais não parece exequível em simultâneo. A única excepção regista-se no primeiro Governo do Dr. Francisco Pinto Balsemão, em que há prioridades gerais a habitação e a saúde."
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