Todos - mesmo pessoas que me habituei a considerar inteligentes, como a Helena Matos - pareciam falar na convicção de que uma guerra com a Rússia é inevitável e eminente.
Um dos cavalheiros era tropa. E foi nessa qualidade que deu conta da aflição de saber que o que a Europa precisa para se defender só os americanos podem vender.
Todos pessoas adultas. Enfim, tirando um tal Zé Carlos, um jornalista do "Observador" que suspeito ser um rapazito. Não por defender a ideia de que os russos andam danadinhos para espatifarem os cabos que passam pela nossa costa - o que fez com galhardia -, mas porque lhe percebo perfeitamente a acne no tom de voz.
Com a esquizofrenia marcial que tomou conta da Europa virada a leste, ninguém parece especialmente apreensivo com as consequências do conflito que está a acontecer a oriente.
E se alguns conseguem sentir indiferença pelo facto de uma superpotência se perceber refém de um pequeno estado que tem por passatempo nacional reduzir a escombros as casas de todos os seus vizinhos, eu pergunto-me se podemos continuar a fingir que não se passa nada. Se não por um módico de compaixão, ao menos por interesses vitais ao bem-estar colectivo, não apenas da Europa mas do mundo.
Lembrei-me disto porque hoje à hora de almoço o Zé Carlos voltou a atacar com os russos.

Sem comentários:
Enviar um comentário