quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ó Aníbal, conta lá um livro



… pediu a Berta na mesa ao lado.
O Aníbal já tinha comido a sopa e estava de saída. Ponderou mais uma vez a evidência de que a Berta era bem boa de mamas, pediu uma amarelinha à Júlia que ficou por perto na expectativa, e a elas se juntaram todos os que por ali estavam.
Ainda a pensar nas mamas da Berta, lá arrancou ele da página um, sempre a olhar em frente como se estivesse a ler em voz alta, ausente.
Quando parava de falar, o pessoal aproveitava para rir e não eram poucos os que, divertidos, batiam com a palma das mãos nos tampos de pedra.
Enfastiado, o Aníbal aproveitava para passear os beiços pelo bordo do cálice de amarelinha. Quando se esfumava a algazarra, recomeçava: “Uma ocasião, …”
E por aí a fora até à página 87. Nessa altura escorropichou o cálice, levantou-se, colocou as mãos nos rins com um esgar de aflijo e disse:
-Bom, agora ide pó caralho que amanhã é dia de trabalho e eu quero ver o telejornal.

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