terça-feira, 27 de agosto de 2013










Hoje bebi vinho.

Um, dois copos, no máximo, não comecem a fazer filmes. Um tinto desinteressante que trouxe sem prova de além tejo.
Pelo estio tenho por hábito acompanhar os pães com cerveja. Mas o inverno tira férias nas Caldas, estava em cuecas, janelas abertas para ventilar fumos, deu-me de frios e achei hoje que o tinto ia de feição.
E dou comigo a requentar mais uma vez a ideia de que - por um qualquer acaso geográfico ou estocada de génio – o vinho é a invenção que tem lugar no berço de tudo, tudo, de todas aquelas coisas que associamos à ideia de civilização. Na iconografia dessa ideia de “civilização ocidental”, dos valores que lhe ajuntamos e a tornaram planetária, dos valores para que fogem todos os homens que deles foram afastados pelo destino, verificamos a omnipresença das folhas de cepa.

Evidentemente, não há nada como um alemão para fazer um parafuso (a sul inventado; lá na terra deles usavam cravos). Dessa superioridade dos povos do norte saberá qualquer criatura capaz de distinguir um “Wurth” autoroscante de um “Pecol”. E embora hoje a diferença seja nenhuma além do preço, são ainda eles a fazer as máquinas para uns e outros.
Mas o catálogo das enxadas “Verdugo” aqui paridas resume um tratado sobre a terra (um dia falar-vos-ei disso, agora não; procurem o pdf, se quiserem).
Não, não, não me estou a dar cheiros de chauvinismo. Bastante ao contrário, desdenho-me na minha maior porção. Prussiano na pontualidade, odeio-me na ética protestante, na propensão para a renúncia, para trabalhar no duro, para a infelicidade, assim como em todas essas merdas que associamos aos bebedores de cerveja e comedores de manteiga do norte.
Citando o rótulo do “Serra d’Aires”, que há muito tempo não vejo, para concluir, direi: “in vinu veritas”.
Cito do rótulo, caraças. Não aludo a esse bimbo do Kierkegaard que nem de cerveja sabia.

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