quarta-feira, 4 de março de 2015



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O que eu desejava ser, a toda a hora, está mais aqui neste luminoso prodígio do Carlos Seixas do que na Suite em Si Menor, de Bach que é mencionada pelo Eduardo Lourenço em texto citado pelo Rui de Carvalho a propósito de um dia mundial qualquer:

«O que eu sou como ser mortal (o que todos somos), está contido na melancolia absoluta do allegretto da Sétima Sinfonia. Mas o que desejaria ser, o que não tenho coragem de ser, só se revela nesta Suite em Si Menor, de Bach. Diante desta torrente luminosa devia depor a minha velha pele, esta pele de que só a música me despe num instante, deixando-me nu e redimido, mas que no instante seguinte afogo em trevas. Delas só um Deus me poderia libertar. Digo Deus sabendo bem que esse absoluto que me atrevo a invocar é ainda o supremo álibi. É de mim, das ardentes seduções do meu profundo ser, que não quero ou de que não sou capaz de abdicar. Queria ir por um caminho de rosas para aquele sítio onde sei que me foi fixado encontro. E ninguém lá chega nunca sem antes morrer para si mesmo.»

Bach é bom mas o Seixas é para ouvir bem alto. 
Minhas meninas, meus meninos, tenho o prazer de partilhar convosco esta coisa extraordinária.

(2012)

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