quarta-feira, 4 de março de 2015

Minutas

Sempre a pensar em vós e em vosso benefício vou hoje inaugurar aqui a secção das “Minutas” – que se junta a “Os meus amigos são melhores que os teus”, uma outra ideia genial que tive um destes dias, assim sem mais nem menos – e que tem por propósito o de agilizar os processos de comunicação com toda a espécie de cabrões que por uma razão ou outra insistam em vos apoquentar.
Esta foi para a óptimus – serviço de internet móvel – mas serve para qualquer outro operador. Reproduzo de memória:

“Exma. Cambada de Imbecis Analfabetos Preguiçosos, Industriosos Candidatos a Ladrões de Bicicletas (escrever aqui o que se aplicar nas vossas circunstâncias):
No que se refere à V. mensagem de tantos do tantos e que tem por assunto a quantia de nove euros e setenta centavos (escrever aqui a quantia que se aplicar no vosso caso) que V. Exas. teimosa e obstipadamente reivindicam em dívida da minha pessoa, por tempo que já vai em resma de cartas arrimadas em pomposos envelopes despachados por diligência de uma ridícula empresa de advogados, consinto-me sugerir que ide todos bardamerda.
Acresce-me juntar conhecimento de que também tinha número de telemóvel em V. fatura. 
Tinha, seus tinhosos, tinha porque já não tenho.
(acrescentar aqui o que se aplicar no vosso caso, convém sempre acrescentar qualquer coisa para a coisa não ficar seca)
Por ora sem outro assunto, com uma cavernosa gargalhada, subscrevo-me todo vosso amigo e assim.
(escrever aqui o vosso nome)
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Se entenderem, podem complementar esta eloquência chamuscando as extremidades do papel de carta com o auxílio de uma vela. 
Dá um ar mais oficial e solene, o que muito concorre para o efeito pretendido.
Podem também perfumá-la com uma generosa borrifadela numa dessas perfumarias em que ninguém cuida da mercadoria; em lugar de o fazerem nos papelotes para esse efeito, fazem-no na vossa carta. (É, de resto, o que eu faço no pescoço todas as manhãs antes de me apresentar ao serviço por causa das moças e assim; dantes pedia amostras mas as gajas agora andam muito ariscas e dizem que não têm).
São apenas algumas ideias. De uma maneira ou outra deixar-vos-ão em santa paz.
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Desde o dia 19 do corrente que estou sem telefone, sem Sic Mulher e sem net por via de cabo que se atravessou a pinheiro em desmaio.
Ontem, quando cheguei a casa, o cabo ainda lá estava junto da minha porta. Estava, porque já não está. Espalhei-o de través pela estrada fora em caprichosos volteios de berma a berma. Ainda são umas boas jardas, a porra do cabo.
De maneira que mais dia, menos dia, acrescento aqui outra minuta para demandas com a Cabovisão. A escrever em hora de expediente, como agora faço por vosso amor.
(Tinham ou não tinham saudades minhas, seus rabetas?)

(2013)

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