domingo, 14 de fevereiro de 2016

iggy pop (préliminaires)



Como já disse, Iggy Pop não é exactamente uma paixão.
Na ventura de uma voz excepcional, pouca coisa fez com ela. Antes deste álbum, com alguma boa vontade poderá dizer-se que se deu à trabalheira de fazer uma ou duas coisas com algum mérito; “Lust for Life” (um tema primorosamente usado em “Trainspotting”) e “Avenue B” (1999).
Está bem de ver que tudo isto é suspeito; não se pode conhecer o que não se gosta.
Dito isto, acho-me na necessidade de descrever "Préliminaires" como uma anomalia. Originalmente produzido para um documentário acerca de uma novela de Houellebecq, reúne temas em inglês e um deles num “francês” que é lá o dele e não melhorou em “Après” (outra excepção, um álbum de covers gravado em 2012).
É um álbum realmente interessante, que colecciona várias influências das quais aprecio sobremaneira o jazz de banda funerária de New Orleans e uma versão de “Insensatez” de Tom Jobim (uma de entre a meia dúzia de coisas realmente interessantes produzidas sob o dourado rótulo de “MPB”, coito de infindas banalidades tão ao gosto aqui dos mesmos, que lhe enchem salas e que de “popular” nada tem, invariavelmente produzida por e para uma burguesia urbana e que a esmagadora maioria da população brasileira ajuizadamente ignora). Junta-se um dueto com François Hardy.
Oiçam e vejam como um tipo com 62 anos ainda vai a tempo da maturidade.

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