segunda-feira, 26 de setembro de 2016

notas às notas de leitura da página 68

Entendi aqui voltar. Nem sei bem porque me dou ao túmulo destas notas; nunca até hoje dei porque os meus filhos sentissem o menor interesse pela vida política do país. Talvez tenham razão para o não ter, talvez o venham a ter, não sei, como não sei por quanto tempo estas coisas por aqui ficam…
Bom, mas volto aqui porque nesta nota passei por alto um incidente que é mencionado por J.A.S. e que é de particular importância pelas consequências que veio a ter no futuro da instituição da presidência da república. Vem na pág. 66 e diz assim:

“A conversa mais importante que viemos a ter … [com Eanes] … ocorreu em 1982 quando se discutia a primeira revisão constitucional. Francisco Pinto Balsemão e Mário Soares, líderes do PSD e do PS tinham-se entendido para reduzir os poderes de Ramalho Eanes, que ambos detestavam. A ideia era que o Governo deixasse de responder politicamente perante o Presidente da República. Ou seja, a margem de intervenção política do Presidente desaparecia na prática.”

Não estou por dentro dos detalhes, mas dou-me em apostar que a iniciativa terá sido de Soares. Porque detestava Eanes, é mais do que certo, e porque em 1982 este republicano já sonhava vir a ser uma espécie de rainha de Inglaterra de mistura com uma espécie de Jean Bédel-Bokassa no que se refere ao capítulo das despesas a faturar ao reino; viajar sem rei nem roque, ter aias e pajens a embarcar em “boeing’s”, motoristas acima da lei, guardas de honra (a destratar quando lhe desse para ser fixe), palácios e sonecas sem chatices.
Evidentemente que a mesma coisa convinha às nomenclaturas do regime para quem o cheiro a decência tem o efeito viroso de um glifosato.
Razão porque desde então elegemos sacos de vento a custos que estão francamente acima dos de qualquer casa real de uma monarquia moderna europeia (parece que já alguém se deu ao cuidado de fazer as contas – que suspeito terem sido feitas muito por baixo já que cada um dos republicanos e respetivo consórcio que por lá passa continua a faturar sobre o orçamento até ao resto dos seus dias).
De tal maneira que não faz diferença rigorosamente nenhuma o que qualquer um destes sacos de vento possa pensar acerca do treinador do Braga porque isso em nada irá afetar os resultados da jornada. Vão para aquilo porque sentem necessidade de ser amados que é a coisa mais humana do mundo.  E, já agora, que lhes paguemos as contas até ao fim dos seus dias.
De maneira que até pode ser o Tino de Rãs. Desde que não seja um seboso sem maneiras, tipo Vieira, tanto faz.
Viemos ao mundo para amar e pagar.

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