sexta-feira, 23 de setembro de 2016

p. 160 (notas de leitura)






(nã, nã, isto não vai assim de carreirinha mas ao sabor das conveniências; salto páginas, voltarei atrás).
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Está para ali em fundo o Pacheco, sentado à mesa com Dom Coelhone e os comparsas do costume a falar disto.

“É um livro miserável, é miserável sobre o carácter do autor, … o livro tem um buraco de fechadura na capa, quem costuma espreitar pelo buraco da fechadura tem um nome que é ‘voyeur’.” (acho que me apanhou, este sacana…)

Do seu ponto de vista “há crime!”; é “essencialmente um retrato do seu autor, é miserável na plena aceção da palavra”. Dom Coelhone, de mão sobre o queixo, ouve o juízo com o ar grave que as circunstâncias impõem.

Ora, o que diz o “miserável” do Saraiva acerca do Pacheco? Tirando um encontro num comboio ao fim do qual o descreve como um chato, evoca um episódio em que Fernando Madrinha (sim, o nome está lá), então subdiretor do Expresso, lhe diz: “O Pacheco Pereira vai escrever para o Diário de Notícias”. O Saraiva diz que não pode ser, “deve tratar-se de um mal-entendido. Ele tem um compromisso connosco para escrever aqui.” […] “Eu sei disso’, insiste o Madrinha, ‘mas encontrei o Mário Bettencourt Resendes [diretor do DN] que me contou que esteve com o Pacheco Pereira e este lhe disse que ia escrever no Expresso. Então, o Mário Resendes perguntou-lhe ‘E quanto é que lhe pagam?’ ‘Pagam X’, disse o Pacheco Pereira. ‘Então, eu pago-lhe Y.’ E logo ali ele se comprometeu a escrever para o DN”

Vasculhado o crime fica-se então a saber que o Pacheco se apoquenta com a revelação de que vende as opiniões a quem dá mais, como se a sua barriga fosse diferente da barriga de um arquiteto.

Ensandece porque “as pessoas” não reagem atormentando judicialmente o arquiteto pela ignomínia. 
Ó, Pacheco, chega-te à frente, homem. Do que é que estás à espera para processar o  gajo? Tem lá os nomes todos, será fácil desmontar as mentiras do “miserável”.
Anda, Pacheco.

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O programa acabou com o Pacheco muito animado a combinar uma patuscada com os do costume.  A ver o mar. Para apanhar ar fresco, disse o Pacheco.

(Isto não vem no livro)


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