quinta-feira, 29 de setembro de 2016

p. 173 (notas de leitura)

Do Pacheco, fiz notas. No livro, seguem-se-lhe 10 páginas dedicadas ao trampolineiro. Têm uma ou duas coisas que oferecem sensível diferença do “quadro clínico” que lhe havia diagnosticado há muitos anos. Calha-me refleti-las quando lavo os dentes. Também me acontece andar a pensar que Saraiva sabe e testemunhou muito mais coisas do que aquelas que dá a ler. Voltarei quando sentir que acabei.
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“Após o fim do cavaquismo*, Marcelo Rebelo de Sousa tomou conta do PSD, em março de 1996 – sucedendo a Fernando Nogueira que não aqueceu o lugar - De braço direito de Marcelo a braço direito de Barroso. Ora, um dos aspetos mais importantes desta época foi a constituição de uma ‘nova AD’ (Alternativa Democrática) – uma aliança entre PSD e CDS, liderados por Marcelo e Portas – que Leonor Beleza intermediou, com vista a disputar as eleições de 1999.
Esta intermediação de Beleza pareceu-me pouco dignificante. Grande parte da campanha contra ela quando era ministra
[da Saúde] fora feita, como disse, pel’O Independente [semanário de que Portas era diretor] – um jornal que se empenhara abertamente no derrube do cavaquismo (do qual Leonor Beleza fora uma das figuras mais destacadas. Como podia agora Beleza ser agora a promotora de um entendimento entre o líder do seu partido e o ex-diretor do jornal que a combatera com ferocidade? Como tinha estômago para isso? Mas a gota de água foi quando, depois da queda de Marcelo, anunciou o apoio a Durão Barroso – que tinha conspirado contra Marcelo! Eram cambalhotas a mais!”

Porventura em razão do seu desempenho à frente do Ministério da Saúde, em 2004 e por testamento, António Champalimaud designou Leonor Beleza como presidente da sua fundação, onde ainda hoje permanece não voltando à vida política.

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* A propósito do “cavaquismo”, valerá a pena reparar que jornalistas e comentadores políticos – porventura sempre em dificuldades para descortinar alguma caraterística distintiva de um qualquer líder político - arranjam sempre um “ismo” por cada criatura que passa pelo poder. Como se assim subsumissem e diferenciassem uma doutrina política. Desta maneira, com extraordinária ligeireza, falaram de um “cavaquismo”, de um “marcelismo”, de um “barrosismo”, de um “soarismo”, de um “guterrismo”, de um “socratismo” (juro que não estou a inventar; o corretor ortográfico só me dá erro em “barrosismo”!...), …
Com Valente de Oliveira (p. 184) haveremos de ver um excelente exemplo da verdadeira substância e natureza dos “ismos” fulanizados do regime democrático. De outra maneira, ao lerem as “fontes”, os historiadores futuros haverão de ficar confusos com o turbilhão ideológico em que parecemos afogar-nos.

(Oh, Rosas... Não baralhes os teus netos, meu sacana pançudo!)

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