domingo, 25 de setembro de 2016

p. 85 (notas de leitura)

A pretexto de que tem uma “bomba” para lhe confiar, em 2010, Freitas do Amaral telefona a Saraiva e encontram-se no Grémio Literário, “um clube de elite”. *
“Nesse encontro meio furtivo, sentados num banco forrado de veludo situado num lugar esconso, rodeados de reposteiros e madeiras escuras, Freitas denuncia o então procurador-geral da República, Pinto Monteiro, acusando-o de almoçar semanalmente num restaurante discreto com Proença de Carvalho, o advogado de Sócrates. Ou seja: segundo Freitas, numa altura em que Sócrates é acusado na imprensa de vários crimes, o acusador público e o advogado do suspeito juntam-se todas as semanas”.
Seria uma bela notícia, esta que lhe era dada por um ex-ministro de José Socrates.
“Mas Freitas pede-me para não dizer nada enquanto não me der luz verde. E eu respeito a combinação. Só que a luz verde nunca chegará.”
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* Quando era rapaz, a caminho da escola passava todos os dias em frente ao Grémio Literário que tinha apenas as letras “GL” gravadas em arabesco nos vidros das portas. Sempre que via alguém a entrar – permanentemente homens, bem cheirosos, melhor vestidos e que não se pareciam nada com escritores, tal como os imaginava – costumava dizer em voz muito alta, fosse acompanhado ou não:
“- Qu’é qu’é esta merda? O Grémio da Lavoura? Aqui?” A verdade é que não sabia exatamente o que aquilo era. As pessoas referiam-se-lhe apenas como “o Grémio”.
Isto não tinha graça nenhuma e acabei por me fartar. É só para que vejam o quão impossível seria para o Saraiva poder simpatizar comigo. A dizer palavrões por dá cá aquela palha.

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