Mostrar mensagens com a etiqueta Roménia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Roménia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

o 5 de outubro

Faz algumas horas tropecei aqui num texto com dois dias em que a autora invocava as manifestações nas ruas de Bucareste que mobilizaram dezenas de milhares de cidadãos contra a corrupção dos seus políticos.

Faz uns dias, uma coisa chamada "polígrafo", a pretexto dos gigantescos prejuízos (dezenas de milhares de milhões) financeiros que decorriam da corrupção no nosso país no ano de 2018, confrontado com a credibilidade da fonte, declarou que o "índice de percepção da corrupção" era "preferível" - "Preferimos" foi a palavra usada.

Nunca vou esquecer a inveja que senti em relação ao povo romeno que por todo o país e nas maiores cidades se manifestou nas ruas exigindo a punição dos políticos corruptos .
Evidentemente, a corrupção não terá sido completamente erradicada. Em lugar nenhum isso acontece. Mas é de supor que os políticos romenos tenham sido ajudados a recordar o fim do casal Ceausescu. Que também começou com manifestações rigorosamente iguais.
Por cá, o doutor costa declara que “fala com muita gente” e sente que esse não é assunto que lhes interesse; limita-se a recomendar a cada novo caso que “deixemos a justiça funcionar". E não, não são “casinhos”, são mesmo casos, coisas sórdidas, intoleráveis para qualquer pessoa normal em qualquer sociedade minimamente funcional.
Entretanto a Roménia, há pouco tempo chegada da miséria a que Ceausescu a tinha sujeitado, já nos passou em vários indicadores económicos. E bem podem alguns influencers/jornalistas guinchar que não, não é bem assim. É.
Na rádio, ouvi comentar que este ano a comissão de festas decidiu deixar o povo um pouco mais afastado dos celebrantes do regime. Coisa escusada, não têm nada que recear pela sua segurança. Podem continuar. O nosso povo é assim, tem sido assim. De afonso costa - o primeiro dos ladrões que hoje fizeram a sua festa - até antónio costa.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

repartir



“Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte”.

Era uma coisa que ouvia em pequeno - e felizmente está mais ou menos esquecida - mas que me deixava sempre em enorme espanto. Aparentemente, para a “sabedoria popular”, de quem detinha o bolo e a responsabilidade de o repartir, esperava-se que procedesse em roubo. Durante muitos anos ponderei a hipótese de que tal “sabedoria” resultasse de uma resiliente resignação, uma espécie de salvo-conduto ético para um salve-se quem puder em fim do mundo. Mas porque me achava sempre a ser tolo e sem arte, aquilo ofendia-me.
A quase indiferença e resignação com que a aparente maioria dos meus compatriotas ainda hoje encara a corrupção do poder político envergonha-me e ofende-me. A aparente indiferença em relação ao aparato jurídico literalmente desenhado à vírgula -com a complacência e cumplicidade de todas as forças políticas com representação parlamentar – com o visível propósito de tornar inimputável todo o poder político por crimes de corrupção, é ofensa e vergonha para qualquer pessoa de bem.
Vem isto a propósito dos cidadãos romenos que em praças de gelo saíram à rua para dizer aos seus representantes democraticamente eleitos que vão longe demais quando explicitamente legalizam a corrupção. Sem o pudor do cuidado de o fazerem à sorrelfa como por aqui fazem.
Roménia, Ucrânia, Nigéria, Angola, Portugal, Brasil,… É só relacionar as posições relativas desses ou quaisquer outros países em tabelas de índices de corrupção com as posições relativas de índices de pobreza no concerto das nações.