Mas uma coisa destas é que não. Nunca me passou pela cabeça descender de células isoladas e sem núcleo. Talvez até a isso me conseguisse habituar, se as coisas ficassem por aí, mas ainda há a humilhação suplementar de na realidade nem sequer ter descendido, na verdadeira acepção do termo descender. Limitei-me a trazê-las comigo, ou quem sabe se não terão sido elas a trazer-me.”
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
Mas uma coisa destas é que não. Nunca me passou pela cabeça descender de células isoladas e sem núcleo. Talvez até a isso me conseguisse habituar, se as coisas ficassem por aí, mas ainda há a humilhação suplementar de na realidade nem sequer ter descendido, na verdadeira acepção do termo descender. Limitei-me a trazê-las comigo, ou quem sabe se não terão sido elas a trazer-me.”
sábado, 20 de fevereiro de 2021
domingo, 7 de fevereiro de 2021
Lewis Thomas, As vidas das células – Apontamentos de um observador dos factos biológicos, Relógio d’água, 1993, pág. 105
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021
“O homem que apanha um meningococo corre muito menos perigo de vida, mesmo sem quimioterapia, do que os meningococos que têm o azar de apanhar um homem.”
Lewis Thomas, As vidas das células – Apontamentos de um observador dos factos biológicos, Relógio d’água, 1993, pág. 91
sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
“Para começar, e se a tecnologia o permitir, talvez o mais seguro seja enviar música [para comunicar com inteligência extraterrestre]. Esta linguagem poderá ser a melhor que temos ao nosso dispor para explicar como somos aos outros habitantes do espaço, e com menor margem de ambiguidade. Por mim, votaria em Bach, toda a obra de Bach, transmitida para o espaço vezes e vezes sem conta. É claro que seria bazófia da nossa parte, mas desculpar-nos-ão com certeza por querermos mostrar a nossa melhor faceta no início de semelhante relação. As verdades mais duras de roer podem ficar para depois. E- justiça nos seja feita – a música daria uma imagem mais fiel daquilo que realmente somos do que uma boa parte das outras coisas que poderíamos enviar, como por exemplo a revista Time, ou uma história da ONU, ou os discursos do presidente. Poderíamos, é claro, enviar a nossa ciência, mas imaginem só os estremecimentos horrorizados do lado de cá quando daqui a duzentos anos chegassem os comentários corteses da resposta. Os temas mais actuais que temos para oferecer, hoje de interesse candente, estarão então ultrapassados, serão irrelevantes, talvez mesmo ridículos. A meu ver, deveríamos ficar-nos pela música.”
Lewis Thomas, As vidas das células – Apontamentos de um observador dos factos biológicos, Relógio d’água, 1993, pp. 56-57
quinta-feira, 28 de janeiro de 2021
“Dada qualquer nova tecnologia para a transmissão de informação, parecemos votados a utilizá-la numa quantidade imensa de conversa fiada. Só a música nos salva de sermos submersos pelo absurdo”
Lewis Thomas, As vidas das células – Apontamentos de um observador dos factos biológicos, Relógio d’água, 1993, pág. 28
sexta-feira, 25 de dezembro de 2020
“Quem, como eu, viva na permanente surpresa de verificar que somos uma espécie gregária, tenderá a manter-se atento a todos os indícios susceptíveis de provar que se trata, no conjunto, de uma característica que nos é favorável. Olhamos em redor à procura das iniciativas em que participamos colectiva e inconscientemente, das coisas que construímos como as vespas constroem o ninho, sem nos apercebermos individualmente daquilo que estamos a fazer. Nos nossos dias, tal exercício é quase deprimente. A actividade colectiva de construção que consome a maior parte da nossas energia e nos liga uns aos outros é, evidentemente a linguagem, mas a linguagem é uma estrutura tão esmagadora e de crescimento tão lento que nenhum de nós consegue ter a sensação de participar pessoalmente no trabalho.”