sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

rila


 

a ver o país por uma janela do metro

Hoje, num programa de comentário da SIC-N, a certa altura atiraram-se palpites acerca da prosperidade relativa de Leiria. Uma senhora garantia que era muito pobre. Três cavalheiros garantiam que não era dos distritos mais pobres e tendiam para achar que seria remediado.
 
Dei por mim a perguntar-me até que ponto conheciam o país que comentam semanalmente. Será que viajam sempre de avião entre Lisboa, Porto e Faro (esta última cidade em viagem sazonal)? Afundei-me em perguntas destas. Será que são capazes de localizar a cidade num mapa? Saberão que fica no litoral? E se sabem, não seria isso suficiente para poderem suspeitar que entre Aveiro e Leiria poderia haver valores de poder de compra acima da média nacional?
 
No mesmo programa, um dos tais cavalheiros reafirmou – fá-lo pelo menos uma vez por semana - que Portugal é um país “profundamente racista, muito mais que no estrangeiro”. Esta e muitas outras afirmações igualmente temerárias nunca são suportadas por qualquer fonte ou evidência. De resto, quando, no caso, “googlamos” o assunto somos agradavelmente surpreendidos por evidências que sugerem precisamente o contrário. Isso não impediu o comentador que se senta ao lado, em um outro episódio, confirmar o alegado “racismo dos portugueses” porque “bem viu quando andou de metro”.

Vão os senhores agora achar que faço caricaturas. Não, não faço. E não me admirava nada se fosse um dos programas mais vistos no seu género.



coline rio,barbara pravi

göreme


 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

más companhias e alguma falta de leituras

Aqui pelas redes sociais alguns inimigos de Seguro decidiram propalar insinuações e mentiras acerca dele. Associando-o a Sócrates, alegando supostas alianças e cumplicidades. Não lhe poderiam ter feito maior favor.

Na realidade, terá sido a única dissensão ao unanimismo em torno do sr. engenheiro lá pela distrital em que ambos fizeram ninho. Quando, com 24 anos de idade - e já presidente de um “Conselho Nacional da Juventude” -, se lhe opôs com uma moção. Atentem no nome das moções em causa: a do sr. engenheiro chamava-se “Renovar o PS e preparar o futuro” (dele, evidentemente). A de António José Seguro chamava-se “Um novo comportamento para um partido de todos”.

Escreveu João Miguel Tavares a pretexto deste episódio:
“António José Seguro chegou a levantar a hipótese de avançar com uma lista própria aos órgãos federativos. Mas não tinha os votos. Por isso, aceitou o compromisso e comprou a «unidade». As duas moções estratégicas foram aprovadas por larga maioria, depois de Seguro ter retirado da sua moção a parte em que afirmava que a Federação de Castelo Branco era «um clube de amigos».”*

Em meu juízo, nada poderia ser mais erodente do que esta verdade aparentemente inócua: foi nela que se firmou o inicio de uma “bela inimizade”**



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*
- João Miguel Tavares, “José Sócrates – Ascensão – 1957-2005”, Dom Quixote, 2025, pág. 196
**- Op. cit., p. 196

astor piazzolla

göreme


 

sábado, 24 de janeiro de 2026