Esclareceram-me mais tarde que o tipo com ar espantado era um juiz corrupto que foi caçado na Moldávia e levado para “casa”.
Autor de muitas sentenças “suspeitas” desde 2013, os detetives do NABU (Gabinete Nacional Anticorrupção) terão documentado em 2016 um suborno de 128000 €, quantia que o juiz terá enterrado no jardim dentro de dois grandes frascos de vidro. Na sequência da ordem de detenção por parte dos tribunais, terá fugido do país, fazendo parte da lista de procurados pela Interpol desde 2016. Em 2017 entrega-se às autoridades Moldavas solicitando asilo político. Que obviamente, lhe foi negado.
É na sequência destes episódios que aparece na capa do meu jornal. Desta vez a pretexto de ter sido raptado por “desconhecidos” em 2021. Um grupo de “homens armados desconhecidos” sequestrou Chaus no centro de Chisinau. Viria a ser “libertado” pelos sequestradores na aldeia de Mazurivka, na Ucrânia, onde as autoridades o vieram a “encontrar”. Em cuecas, sujo e com fome.
Lembrei-me imediatamente daquele juiz - grande amigo do senhor engenheiro -, apanhado a traficar sentenças a troco de prestações do carro e perguntei-me onde estaria a passar férias. Ao mesmo tempo que pensava que os ares da Ericeira seriam muito mais saudáveis que os de Chisinau, pensava também em quais poderiam ser os critérios usados para colocar a Ucrânia no primeiro lugar das listas dos estados com mais corrupção.
Disse-me uma amiga que o senhor juiz e a sua “colaboradora”, também juíza, terão sido “finalmente erradicados da magistratura”. Mas calcula-se que venham a beneficiar das respetivas reformas. Para as quais já terão idade, mas nas quais já não poderão fazer uma perninha a vender sentenças ao serviço da pátria.
Só aborrecimentos, aqui pela Ericeira.
Só aborrecimentos, aqui pela Ericeira.

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