De regresso a casa, ouvi a senhora Von der Leyen muito eriçada a invetivar o "inimigo" da União Europeia. Naquele seu já conhecido estilo de embaixadora da otan apelou a que fizéssemos incidir a ira no corruptor. Muito preocupada com a democratização de regimes autoritários, em todas as sílabas pareceu-me muito pouco preocupada com os corruptos que parecem abundar nos regimes democráticos.
Ora, se é importante que as sociedades - democráticas ou não -, se defendam dos corruptores por todos os meios possíveis, convém não esquecer nunca que estes são totalmente inofensivos sem corruptos. E, pelo menos teoricamente, seria mais fácil defendermo-nos dos corruptos do que dos corruptores. Na prática, vamos ver se o destino desta socialista grega vai ser significativamente diferente do destino do seu camarada português que depois de passar alguns dias num estabelecimento prisional em Évora vive agora dias mais tranquilos pela Ericeira na casa de um primo.
Nestas coisas já não podem sobrar dúvidas de que a democracia não oferece grandes vantagens sobre os regimes autoritários: veja-se o recorrente afeto dos eleitores gregos e dos eleitores portugueses pelos partidos em que mais abundam corruptos que beneficiam de uma quase indiferença e impunidade.
Andaria melhor a senhora Von der Leyen se se preocupasse mais com os corruptos que estão por perto do que com os corruptores que vivem longe, nos tais regimes autoritários.

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