Quando se fala em “bomba atómica” a pretexto da dissolução de um governo constitucional fala-se realmente do uso moralmente indefensável de uma força desproporcional. Foi assim com jorge sampaio que nos ofereceu o senhor engenheiro. E voltaria a ser assim com a extravagante criatura que agora faz as suas vezes.
Os portugueses ofereceram ao doutor costa uma maioria
absoluta que é um abrigo atómico. Com ou sem uma oposição capaz de o
substituir. Ora, a criatura na sua impaciência de fazer de conta que existe
politicamente e a pretexto dos mais variados desvarios do poucochinho que
democraticamente elegemos para nos governar, não vem fazendo outra coisa senão
dizer-nos que não abdica da possibilidade de “fazer coisas”. Nesse enlevo,
vem-se afundando no voluntarismo de se arrogar competências que não tem. E era
cada vez mais obvia a necessidade de haver alguém capaz de lhe explicar as suas
verdadeiras funções: fazer de rainha com poderes simbólicos. Como rainha até
nem vai mal. O problema está mais no modo como exerce os poderes simbólicos:
não é muito elegante a substituir os calções de banho pelas cuecas sob a
toalha, não oferece uma verdadeira família para que os súbditos possam imitar
princesas na elegância de se vestirem e mais um ror de coisas que agora me
aborrece passar a miúdos. E me embaraçam muito.
O senhor presidente da república transformou o palácio
de Belém num rés-de-chão de porteira. Pela alcoviteirice e pela parola
jactância de se declarar presidente da junta a pretexto de tudo e um par de
botas já merecia que alguém o acionasse ao abrigo do artigo 328.º. Pelos
reiterados crimes contra a realização do Estado de direito nas figuras da sua
pessoa nas mais inenarráveis circunstâncias.
Guardo a esperança que se aquiete durante pelo menos
alguns dias graças ao doutor costa.
O mesmo doutor costa que neste entretanto foi até
Braga a pretexto de governar e onde esta desgraçada criatura que faz de
presidente fez correr a fantasia de aí ter vida. Se o não faz em refinado
desforço, não há maneira de deixar que o pareça.
Pode ser poucochinho, não prestar para mais nada e
certamente que não presta. Mas a vinda ao mundo do doutor costa já vale, se por
mais nada valesse. Ele e o rufiazito que tal vento soprou a ministro.
Obrigado aos dois.

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