Mas é uma crueldade que ilustra um conjunto de coisas que me parecem politicamente negligenciadas.
A esse pretexto lembrei-me agora de um documentário acerca de uma fábrica americana de vidros para a indústria automóvel. A fábrica havia falido e fora comprada por empresários chineses com o compromisso de integrar alguma mão-de-obra local. O que a partir desta trama foi documentado impressionou-me: o encontro de duas civilizações.
Uma em que o empresário fica completamente destroçado ao perceber que o portão principal do edifício não estava virado na direcção certa. Conforme o feng shui, um esoterismo sem relação aparente com funções. Mas suficientemente importante para levar o empresário a gastar uma quantia exorbitante para reposicionar o tal portão.
Outra em que o operário americano, ao tentar vestir um colete amarelo, toma súbita consciência do seu corpo. E fica visivelmente perturbado ao perceber que o não consegue vestir.
Outra em que os operários-soldado de uma sociedade-colmeia se alinham disciplinadamente em parada para gritar palavras de ordem antes de iniciarem a jornada. A oferecer aos olhos uma motricidade fina que faz vento.
Uma obesa, sedentarizada e fisicamente diminuída. A outra seca, ágil e a beber a água que escorre do Olimpo.
Os "ocidentais" já não estão fisicamente capazes da reindustrialização que alegadamente faz parte dos planos da administração trump. Eu não creio que a sua ideia seja essa. A acreditar que tem uma. Mas estou convencido que ela já não é possível.
Se fossem como nós, aos “outros”, a seu tempo, aconteceria a mesma coisa. Não sei se são diferentes.
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