sexta-feira, 20 de março de 2026

dos factos enquanto irritação

Talvez porque não tenha grande afecto por convívios e ao mesmo tempo não sinta especial vontade em desdizer a ideia de que ninguém é uma ilha, dou-me à indolência de ler por aqui os comentários que se fazem a pretexto de um assunto ou outro. Digamos, portanto, que não sendo completamente uma ilha, serei um frágil istmo.

O suficiente para me deixar numa prostração tão melancólica que só me apetece ser ilha. É assim que me deixa a confirmação de que, para uma larga maioria, os factos deixaram de ser necessários para explicar a realidade.

Isso começou no jornalismo e espalhou-se como doença infecciosa por todo o lado.

Os jornalistas para quem os factos eram sagrados deixando as opiniões ao cuidado de quem deles fazia uso estão (quase) todos mortos ou aposentados. Agora só há comentadores. E as massas emitam-nos no método para a interpretação dos eventos. Zangam-se quando as importunamos com factos.

E não vale a pena lutar contra a doxa dos tempos.




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