Quando os OCS, cuja função era a de informar, se empenham em desinformar em nome daquilo que julgam ser códigos "deontológicos" defensáveis, o resultado é o de se tornarem dispensáveis.
Vejam só o espectáculo que oferecem: um sujeito varre pedestres com um carro. E a primeira coisa em que insistem compulsivamente é em informar que se trata de um "português".
Pouco depois, um sujeito que é parte de um gangue de assaltantes é "varrido" pelo assaltado. E até hoje não parecem estar interessados na sua nacionalidade senão em fazer saber que o assaltado é "empresário do ramo imobiliário".
Como diria McLuhan, de uma estranha maneira, os senhores jornalistas acabam sendo a mensagem.
Porque a informação já não é com eles. Tem de ser vasculhada no imenso adro desta nova igreja das redes sociais.
Parabéns.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026
sexta-feira, 20 de março de 2026
dos factos enquanto irritação
Talvez porque não tenha grande afecto por convívios e ao mesmo tempo não sinta especial vontade em desdizer a ideia de que ninguém é uma ilha, dou-me à indolência de ler por aqui os comentários que se fazem a pretexto de um assunto ou outro. Digamos, portanto, que não sendo completamente uma ilha, serei um frágil istmo.
O suficiente para me deixar numa prostração tão melancólica que só me apetece ser ilha. É assim que me deixa a confirmação de que, para uma larga maioria, os factos deixaram de ser necessários para explicar a realidade.
Isso começou no jornalismo e espalhou-se como doença infecciosa por todo o lado.
O suficiente para me deixar numa prostração tão melancólica que só me apetece ser ilha. É assim que me deixa a confirmação de que, para uma larga maioria, os factos deixaram de ser necessários para explicar a realidade.
Isso começou no jornalismo e espalhou-se como doença infecciosa por todo o lado.
Os jornalistas para quem os factos eram sagrados deixando as opiniões ao cuidado de quem deles fazia uso estão (quase) todos mortos ou aposentados. Agora só há comentadores. E as massas emitam-nos no método para a interpretação dos eventos. Zangam-se quando as importunamos com factos.
E não vale a pena lutar contra a doxa dos tempos.
E não vale a pena lutar contra a doxa dos tempos.
domingo, 14 de dezembro de 2025
dos 4 aos 14 anos (das táticas)
É necessário reconhecer que isto não é notícia dos telejornais - nem de raspão. Até agora (14.37h, 14/12). Quanto mais a ruidosa relação com mais um "socialista"... (Não há mesmo ninguém que se interesse por estas recorrências, mais não seja por curiosidade, pelas potenciais relações da ideologia com o phatos?).
Mas dá para imaginar como seria se fosse alguém do CH! Aliás, essa obscena diferença é o combustível do seu sucesso.
As azias do chefe e outras golpadas do género, ao contrário do que se pensa, não ajudam rigorosamente nada. O erro mais grosseiro em política é a presunção de que os eleitores são completamente idiotas. Isso paga-se caro.Tenho até a séria convicção que são mais prejuízo do que ganho, escusavam de o desencorajar nessa parolice.
Os srs. "jornalistas", em toda a pujança dos seus ódios, são quem vem fazendo o sucesso do CH!
Mas dá para imaginar como seria se fosse alguém do CH! Aliás, essa obscena diferença é o combustível do seu sucesso.
As azias do chefe e outras golpadas do género, ao contrário do que se pensa, não ajudam rigorosamente nada. O erro mais grosseiro em política é a presunção de que os eleitores são completamente idiotas. Isso paga-se caro.Tenho até a séria convicção que são mais prejuízo do que ganho, escusavam de o desencorajar nessa parolice.
Os srs. "jornalistas", em toda a pujança dos seus ódios, são quem vem fazendo o sucesso do CH!
sábado, 13 de dezembro de 2025
da fábrica de racistas
Os maiores promotores do racismo em Portugal são precisamente os muitos jornalistas com este género de agendas: o jornalismo "activista" que se faz à custa da exaltação da "culpa" de uns e do "ressentimento" de outros, é a mais perfeita fábrica de racismo. Quem tenha alguma dúvida que se dê ao cuidado de ler os comentários (de todos, brancos e negros) que se fazem a pretexto desse jornalismo incendiário e comparem-no com a experiência quotidiana de cada um.
Percebi isso quando vi este vídeo pela primeira vez. Ver uma mulher negra a enfrentá-lo foi uma epifania.
Percebi isso quando vi este vídeo pela primeira vez. Ver uma mulher negra a enfrentá-lo foi uma epifania.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025
estarão os comentadores a ser vítimas da intoxicação programada dos meios em que comentam?
Acabei de ver em diferido um desses programas de comentário político em que 3 (três) comentadores “residentes” e um convidado ouvem sem protesto afirmações temerárias relacionadas com um alegado “declínio” da Rússia.
Que estas coisas sejam diariamente afirmadas em telejornais, já não oferece grande mistério. Que elas se reproduzam na boca de pessoas apresentadas como analistas políticos - alguns deles com cátedras – já é coisa mais extraordinária. Com efeito, não obstante a censura a que a Europa vem sendo sujeita em relação aos serviços noticiosos de origem russa, é necessário partir do princípio de que um analista político dispõe de meios capazes de superar essa limitação de modo a informarem-se acerca das realidades políticas e económicas daquilo que comentam. Mas supondo-os pouco activos na iniciativa de deles fazerem uso, seria ao menos de esperar que estivessem a par do que escrevem alguns dos seus pares, sobretudo quando até episodicamente os nomeiam. Como é o caso de Emmanuel Todd que em 2023 escreveu o seguinte a pretexto do mesmo assunto e em capítulo dedicado:
“A resiliência da Rússia foi uma das grandes surpresas da guerra. Não o deveria ser: foi fácil de prever e será fácil de explicar. A verdadeira questão é: porque é que o Ocidente subestimou o seu adversário a tal ponto quando os seus bens não estavam escondidos e os dados a seu respeito eram acessíveis? Como é que, com serviços de informação de cem mil pessoas só nos Estados Unidos, poderiam imaginar que o banimento do Swift e demais sanções fariam capitular este país de 17 milhões de km2, que dispõe de todos os recursos naturais possíveis e que, desde 2014, se preparava abertamente para enfrentar tais sanções?”*
Dando como inquestionável – generosidade da minha parte - a ideia de que a Rússia é um “adversário” da Europa ocidental (a Europa tem agido nessa presunção…): será que os comentadores têm o direito de ignorar os factos e e ao mesmo tempo pretenderem que os levemos a sério? ?
_______
*Emmanuel Todd, La Défaite de l’ Occident, Gallimard, 2023, p. 20
Que estas coisas sejam diariamente afirmadas em telejornais, já não oferece grande mistério. Que elas se reproduzam na boca de pessoas apresentadas como analistas políticos - alguns deles com cátedras – já é coisa mais extraordinária. Com efeito, não obstante a censura a que a Europa vem sendo sujeita em relação aos serviços noticiosos de origem russa, é necessário partir do princípio de que um analista político dispõe de meios capazes de superar essa limitação de modo a informarem-se acerca das realidades políticas e económicas daquilo que comentam. Mas supondo-os pouco activos na iniciativa de deles fazerem uso, seria ao menos de esperar que estivessem a par do que escrevem alguns dos seus pares, sobretudo quando até episodicamente os nomeiam. Como é o caso de Emmanuel Todd que em 2023 escreveu o seguinte a pretexto do mesmo assunto e em capítulo dedicado:
“A resiliência da Rússia foi uma das grandes surpresas da guerra. Não o deveria ser: foi fácil de prever e será fácil de explicar. A verdadeira questão é: porque é que o Ocidente subestimou o seu adversário a tal ponto quando os seus bens não estavam escondidos e os dados a seu respeito eram acessíveis? Como é que, com serviços de informação de cem mil pessoas só nos Estados Unidos, poderiam imaginar que o banimento do Swift e demais sanções fariam capitular este país de 17 milhões de km2, que dispõe de todos os recursos naturais possíveis e que, desde 2014, se preparava abertamente para enfrentar tais sanções?”*
Dando como inquestionável – generosidade da minha parte - a ideia de que a Rússia é um “adversário” da Europa ocidental (a Europa tem agido nessa presunção…): será que os comentadores têm o direito de ignorar os factos e e ao mesmo tempo pretenderem que os levemos a sério? ?
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*Emmanuel Todd, La Défaite de l’ Occident, Gallimard, 2023, p. 20
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2025
em defesa do secretário geral do ps
Em entrevista, com excepcional modéstia, o cavalheiro admite que “[o PS não fez] tudo bem nos últimos anos no que diz respeito à imigração. Assim, para que se recupere a luzência a que o seu partido nos habituou, prometeu fazer propostas para acabar com uma "situação de terra de ninguém”, que “[p]recisamos, de uma vez por todas, de falar sobre a imigração de forma descomplexada, exigente, rigorosa, como infelizmente não se tem feito", que os imigrantes "tem de perceber que há […] uma cultura que deve ser respeitada", que o país “tem de ser exigente” com o respeito pelos “valores”, a começar pelo “respeito pelas mulheres”.
Ora, não obstante o facto de tais afirmações derivarem do mais elementar bom senso, da mais rudimentar consideração por um conjunto de valores identitários cuja corrupção deveria ser intolerável para todos, foram recebidas com um ruido que nos deveria deixar perplexos. É aceitável que membros de uma qualquer comunidade que acolhamos desrespeitem os nossos valores ou costumes? É aceitável que membros de uma qualquer comunidade cultivem entre nós o costume de nos desrespeitarem em resultado do rancor e ressentimento que lhes foi inculcado nos seus países de origem por professores semianalfabetos em escolas públicas? É aceitável que uma qualquer comunidade se consinta barbaridades como a excisão feminina entre nós? É aceitável que jovens adolescentes sejam impedidas pelos seus progenitores de frequentar a escola? São aceitáveis entre nós as várias práticas culturais de subalternização das mulheres por parte de qualquer comunidade?
A ajuizar pelo supramencionado ruído, se a resposta não é um “sim” mais ou menos explicito, é pelo menos um contemporizador silêncio. Por parte de muitos dos seus camaradas do PS assim como de muitos “jornalistas” e comentadores. Já para não falar daquela ruidosa minoria que se compraz a insultar-nos colectivamente com a acusação de haver motivações “racistas”, “xenófobas”, “intolerantes”, enfim, o cardápio que gostam de nos cuspir na cara à mais tímida reacção a estas afrontas culturais.
Pouco nos deveriam importar as reais motivações do secretário geral do ps nesta súbita consciência. Pouco importa que no íntimo possa pensar rigorosamente a mesma coisa que alguns dos seus camaradas e a esquerda antidemocrática. Disse o que precisa ser dito na defesa do corpo de valores que são pleito da nossa identidade colectiva.
Em que não acreditam. Mas isso já é toda uma outra história que não é para aqui chamada.
Ora, não obstante o facto de tais afirmações derivarem do mais elementar bom senso, da mais rudimentar consideração por um conjunto de valores identitários cuja corrupção deveria ser intolerável para todos, foram recebidas com um ruido que nos deveria deixar perplexos. É aceitável que membros de uma qualquer comunidade que acolhamos desrespeitem os nossos valores ou costumes? É aceitável que membros de uma qualquer comunidade cultivem entre nós o costume de nos desrespeitarem em resultado do rancor e ressentimento que lhes foi inculcado nos seus países de origem por professores semianalfabetos em escolas públicas? É aceitável que uma qualquer comunidade se consinta barbaridades como a excisão feminina entre nós? É aceitável que jovens adolescentes sejam impedidas pelos seus progenitores de frequentar a escola? São aceitáveis entre nós as várias práticas culturais de subalternização das mulheres por parte de qualquer comunidade?
A ajuizar pelo supramencionado ruído, se a resposta não é um “sim” mais ou menos explicito, é pelo menos um contemporizador silêncio. Por parte de muitos dos seus camaradas do PS assim como de muitos “jornalistas” e comentadores. Já para não falar daquela ruidosa minoria que se compraz a insultar-nos colectivamente com a acusação de haver motivações “racistas”, “xenófobas”, “intolerantes”, enfim, o cardápio que gostam de nos cuspir na cara à mais tímida reacção a estas afrontas culturais.
Pouco nos deveriam importar as reais motivações do secretário geral do ps nesta súbita consciência. Pouco importa que no íntimo possa pensar rigorosamente a mesma coisa que alguns dos seus camaradas e a esquerda antidemocrática. Disse o que precisa ser dito na defesa do corpo de valores que são pleito da nossa identidade colectiva.
Em que não acreditam. Mas isso já é toda uma outra história que não é para aqui chamada.
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
1ª de dezembro
Foi o dia em que a pretexto das “notícias de Alepo” aqui dei conta da estranheza e indignação pelo facto de as televisões não identificarem a origem das reportagens que reproduziam. Longe de mim dar-me ao ridículo de presumir que tal coisa levou à alteração das rotinas que foram objecto do meu reparo. Mas venho verificando ultimamente que essas fontes vão sendo identificadas vez por outra. Pelo menos no que diz respeito à “Ex-Síria” (sic da SIC…).
Não sei se por acção da ERC, se por súbito pudor das cadeias de televisão. É irrelevante saber de tal coisa.
Verdadeiramente importante é não abdicarmos nunca de uma cidadania activa, por mais impotentes que nos sintamos e por mais ridícula que a possamos achar.
Não sei se por acção da ERC, se por súbito pudor das cadeias de televisão. É irrelevante saber de tal coisa.
Verdadeiramente importante é não abdicarmos nunca de uma cidadania activa, por mais impotentes que nos sintamos e por mais ridícula que a possamos achar.
domingo, 8 de dezembro de 2024
o mundo dos telejornais é estranho
São lugar de encómio dedicado a terroristas psicopatas - agora adocicados na descrição de "rebeldes moderados" (!) -, e onde jornalistas e comentadores irradiam felicidade festejando o fim* das comunidades cristãs da Síria, o fim da pacífica coexistência inter-religiosa, ou a imposição forçada do véu às mulheres em Alepo.
Em nome de quê?
Do pequeno pedaço não resolvido da "primavera árabe"...
Os "aliados" estão convencidos que depois de os empurrarem até aos arrabaldes de Damasco, os psicopatas terroristas que os telejornais agora descrevem como "rebeldes moderados" desaparecem no esquecimento. Como se tudo mais não fosse que uma pausa nas suas perturbadas vidas.
____________
* Talvez prematuramente anunciado. Não obstante as dores de cabeça com que se debate, ainda me custa a crer que Putin abandone a Síria a meia dúzia de bandos de selvagens apoiados pelo ocidente.
Em nome de quê?
Do pequeno pedaço não resolvido da "primavera árabe"...
Os "aliados" estão convencidos que depois de os empurrarem até aos arrabaldes de Damasco, os psicopatas terroristas que os telejornais agora descrevem como "rebeldes moderados" desaparecem no esquecimento. Como se tudo mais não fosse que uma pausa nas suas perturbadas vidas.
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* Talvez prematuramente anunciado. Não obstante as dores de cabeça com que se debate, ainda me custa a crer que Putin abandone a Síria a meia dúzia de bandos de selvagens apoiados pelo ocidente.
domingo, 1 de dezembro de 2024
notícias de aleppo
É pouco provável que muitas pessoas ainda se lembrem do tempo em que o jornalismo era uma actividade respeitável. Eu lembro. Nas televisões, as origens das imagens de qualquer reportagem eram sempre identificadas de algum modo: a um canto do ecrã, em barras horizontais, oralmente, etc. Nunca cheguei a perceber se a regra era determinada por lei. Parti sempre do princípio que era determinada por alguma regra de um código deontológico, uma regra eventualmente não escrita. Mais grave, as imagens que acompanham reportagens de conflitos são rigorosamente as mesmas em todos os canais televisivos. Ninguém sabe quem as produz, quanto custaram ou se são gentilmente oferecidas já com texto a empresas de comunicação tecnicamente falidas e desacreditadas que sobrevivem sabe-se lá como - algo que é manifestamente perigoso em qualquer regime democrático. Agora mesmo ouvi na sic uma moça a referir-se aos "capacetes brancos" em Aleppo, uma organização da al-Nusra - o braço sírio da al-Qaeda - que pretende confundir-se junto da opinião pública com os capacetes brancos da ONU.
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segunda-feira, 4 de novembro de 2024
declaração de voto
A celebrar coisa que não é assunto para mais ninguém, fiquei por algum tempo sem o meu ópio de noticiários. De regresso - a dar no vício com ainda maior intensidade como é próprio das abstinências-, vou de concluir que a nação vive o drama das eleições presidenciais americanas.
Ao que percebi aqui pelos noticiários pátrios, tenho que decidir por um dos dois males em confronto: ou pelo fim da guerra aqui por perto, na Ucrânia, ou pelo fim da guerra no médio oriente que fica um pouco mais longe. Confrontado com este cenário deprimente - e não querendo "ficar em cima do muro"-, acho que me inclino pelo fim da guerra aqui mais por perto.
Os senhores jornalistas não me levem a mal nesta minha preferência pelo fim da guerra mais próxima. Tenham paciência, os senhores façam como quiserem, mas o meu voto vai para o Trump com mãos pequerruchas.
Ao que percebi aqui pelos noticiários pátrios, tenho que decidir por um dos dois males em confronto: ou pelo fim da guerra aqui por perto, na Ucrânia, ou pelo fim da guerra no médio oriente que fica um pouco mais longe. Confrontado com este cenário deprimente - e não querendo "ficar em cima do muro"-, acho que me inclino pelo fim da guerra aqui mais por perto.
Os senhores jornalistas não me levem a mal nesta minha preferência pelo fim da guerra mais próxima. Tenham paciência, os senhores façam como quiserem, mas o meu voto vai para o Trump com mãos pequerruchas.
terça-feira, 22 de outubro de 2024
incendiários
É sabido que à comunicação social é recomendado um código de procedimentos associado a noticias relacionadas com a criminalidade. Pergunto-me se não deveria haver um código que prevenisse o jornalismo incendiário num sentido mais amplo. "Incendiário" no sentido que lhe é dado por Roger Scruton.
sábado, 12 de outubro de 2024
a soprar sementinhas
Os srs. jornalistas andam agora todos a fazer gracinhas com auriculares, que ninguém sopra nada, a régie e tal.
Bom, há um livro que foi proibido pelos tribunais (!), no ano não muito longínquo de 2016, em que se conta um episódio que ilustra muito bem como se sopram perguntas para os jornalistas fazerem. E sim, é ingénuo pensar que isto possa ter sido episódio isolado: a naturalidade com que o dr. sampaio dita a pergunta ao jornalista não a consente. Reproduzo uma parte da recensão que fiz aqui ao livro e se refere a esse episódio:
" p. 136 (notas de leitura)
Uma das coisas mais curiosas do livro é o ver como o poder lança as suas sementinhas para fazer “notícias” das suas conveniências. E ver como os jornalistas são inseminados ou se deixam inseminar. As páginas dedicadas a Jorge Sampaio ilustram exemplos curiosos:
“… [A]tendo a chamada. É Jorge Sampaio. Faz-me uma pergunta estranha: ‘A entrevista é só para falar da Câmara?’ Percebo que ali há gato. Digo-lhe, a tatear o terreno, que o prato forte será a CML, mas que a nossa ideia é também falar doutros temas. E então Sampaio sai-se com esta: ‘O jornalista podia fazer-me uma pergunta sobre as presidenciais…’” Sampaio haveria de dizer na entrevista “[q]ue seria muito estimulante para ele ter Cavaco como adversário nas presidenciais.”
Em 1995, para preparar um colóquio organizado pela Alta Autoridade para a Comunicação Social (!) sobre jornalismo e política promove-se… um almoço!
Manuel Villaverde Cabral e tudo, “… que pertence à comissão política da candidatura de Jorge Sampaio” terá dito qualquer coisa que “arrepia” o autor e o leva a escrever no seu diário:
“30 de Novembro de 1995
[…] Villaverde diz uma coisa extraordinária: é preciso fechar, pura e simplesmente, o Canal da RTP, porque ainda lá há ‘resquícios de cavaquismo’ que será difícil ‘extirpar’. Por outro lado, congratula-se com a demissão de Vasco Graça Moura [o diretor do canal]. Todos como ele deviam ser ‘corridos’. Confesso que fiquei um pouco assustado. Será que na comissão politica de Sampaio se pensa assim? Estamos no limiar de uma caça às bruxas generalizada? Subitamente parece termos regressado ao pós-25 de abril e à fúria vingadora de uma certa esquerda. Só que eu julgava esse período definitivamente encerrado.” *
Enfim, a coisa correu bem. Eleito em 1996, em 1997 já Sampaio estava no aeroporto com o seu séquito, na eminência de visitar a sua congénere holandesa.
..."
* Cit. de José António Saraiva em "Eu e os políticos – o que não pude (ou não quis) escrever até hoje", Gradiva, 2016, p. 136
Bom, há um livro que foi proibido pelos tribunais (!), no ano não muito longínquo de 2016, em que se conta um episódio que ilustra muito bem como se sopram perguntas para os jornalistas fazerem. E sim, é ingénuo pensar que isto possa ter sido episódio isolado: a naturalidade com que o dr. sampaio dita a pergunta ao jornalista não a consente. Reproduzo uma parte da recensão que fiz aqui ao livro e se refere a esse episódio:
" p. 136 (notas de leitura)
Uma das coisas mais curiosas do livro é o ver como o poder lança as suas sementinhas para fazer “notícias” das suas conveniências. E ver como os jornalistas são inseminados ou se deixam inseminar. As páginas dedicadas a Jorge Sampaio ilustram exemplos curiosos:
“… [A]tendo a chamada. É Jorge Sampaio. Faz-me uma pergunta estranha: ‘A entrevista é só para falar da Câmara?’ Percebo que ali há gato. Digo-lhe, a tatear o terreno, que o prato forte será a CML, mas que a nossa ideia é também falar doutros temas. E então Sampaio sai-se com esta: ‘O jornalista podia fazer-me uma pergunta sobre as presidenciais…’” Sampaio haveria de dizer na entrevista “[q]ue seria muito estimulante para ele ter Cavaco como adversário nas presidenciais.”
Em 1995, para preparar um colóquio organizado pela Alta Autoridade para a Comunicação Social (!) sobre jornalismo e política promove-se… um almoço!
Manuel Villaverde Cabral e tudo, “… que pertence à comissão política da candidatura de Jorge Sampaio” terá dito qualquer coisa que “arrepia” o autor e o leva a escrever no seu diário:
“30 de Novembro de 1995
[…] Villaverde diz uma coisa extraordinária: é preciso fechar, pura e simplesmente, o Canal da RTP, porque ainda lá há ‘resquícios de cavaquismo’ que será difícil ‘extirpar’. Por outro lado, congratula-se com a demissão de Vasco Graça Moura [o diretor do canal]. Todos como ele deviam ser ‘corridos’. Confesso que fiquei um pouco assustado. Será que na comissão politica de Sampaio se pensa assim? Estamos no limiar de uma caça às bruxas generalizada? Subitamente parece termos regressado ao pós-25 de abril e à fúria vingadora de uma certa esquerda. Só que eu julgava esse período definitivamente encerrado.” *
Enfim, a coisa correu bem. Eleito em 1996, em 1997 já Sampaio estava no aeroporto com o seu séquito, na eminência de visitar a sua congénere holandesa.
..."
* Cit. de José António Saraiva em "Eu e os políticos – o que não pude (ou não quis) escrever até hoje", Gradiva, 2016, p. 136
terça-feira, 8 de outubro de 2024
"os senhores jornalistas são uma vergonha para a profissão"
Mas pronto, tomem lá umas ajudas, assim como assim o dinheiro nem é meu e não me custou a ganhá-lo...
(vale a pena ouvir aqui)
a manchete do sr. vitor matos
A manchete - de um "exclusivo" assinado pelo senhor Vítor Matos, empregado do Expresso - deveria merecer alguma atenção da parte do "Poligrafo". Com efeito, ainda que venhamos verificando a necessidade de proceder à revisão do conceito de "jornalismo" (que agora subentende uma actividade aparentada com a de "influenciadores", para quem factos pouco importam quando não convenham à ilustração das suas narrativas), a injúria ainda é crime e o título "Almirante quer mais dois submarinos para ficar na Armada e desistir de Belém" é exactamente isso, uma injúria. E para que não haja qualquer dúvida de quem seja o injuriado, a fotografia corre imediatamente abaixo.
Senão repare-se: que o Sr. Almirante deseje ver bem provida de meios a marinha cujos destinos comanda, é perfeitamente normal e defensável. Mas o que o título do senhor Vítor Santos diz - e depois profusamente replicado pela CS - é algo totalmente diverso. É uma injúria de que o próprio não deixou de se defender ao afirmar: "Os militares não chantageiam os políticos". Acrescentando “Eu não exigi, nem exijo nada. Ponto final. Parágrafo”.
E é daqui que se impõe o "Polígrafo" da mesma empresa. Porque o empregado do Expresso diz (por escrito) que o senhor almirante chantageou o poder político e o visado afirma peremptoriamente que não. De onde apenas um pode estar a dizer a verdade, ainda que a fonte do senhor Vítor Matos possa ser imaginado como um respeitável mentiroso. É que embora a injuria seja crime particular - e portanto dependa da apresentação de queixa - ela não deixa de versar coisa pública e envolver um putativo candidato à sucessão do cavalheiro que vez por outra pára por Belém.
Senão repare-se: que o Sr. Almirante deseje ver bem provida de meios a marinha cujos destinos comanda, é perfeitamente normal e defensável. Mas o que o título do senhor Vítor Santos diz - e depois profusamente replicado pela CS - é algo totalmente diverso. É uma injúria de que o próprio não deixou de se defender ao afirmar: "Os militares não chantageiam os políticos". Acrescentando “Eu não exigi, nem exijo nada. Ponto final. Parágrafo”.
E é daqui que se impõe o "Polígrafo" da mesma empresa. Porque o empregado do Expresso diz (por escrito) que o senhor almirante chantageou o poder político e o visado afirma peremptoriamente que não. De onde apenas um pode estar a dizer a verdade, ainda que a fonte do senhor Vítor Matos possa ser imaginado como um respeitável mentiroso. É que embora a injuria seja crime particular - e portanto dependa da apresentação de queixa - ela não deixa de versar coisa pública e envolver um putativo candidato à sucessão do cavalheiro que vez por outra pára por Belém.
sexta-feira, 9 de agosto de 2024
festivais
Por esta altura os “festivais” acontecem-me nos noticiários.
Não sei onde a gente que faz vida daquilo - fazer festivais- vai buscar inspiração para desencantar os “músicos “. Muito menos as crianças de todas as idades que exprimem paixão e conhecimento de tais “músicos “. Mandam-se “jornalistas” sempre ansiosos por ilustrar a cultura musical daquela gente. Depois, para dar um tom mais ligeiro e menos sério, quase sempre acabam as “reportagens” ilustrando a preferência dos festivaleiros pelo atum com esparguete.
Não sei onde a gente que faz vida daquilo - fazer festivais- vai buscar inspiração para desencantar os “músicos “. Muito menos as crianças de todas as idades que exprimem paixão e conhecimento de tais “músicos “. Mandam-se “jornalistas” sempre ansiosos por ilustrar a cultura musical daquela gente. Depois, para dar um tom mais ligeiro e menos sério, quase sempre acabam as “reportagens” ilustrando a preferência dos festivaleiros pelo atum com esparguete.
terça-feira, 6 de agosto de 2024
o país está a chegar, acabaram-se as férias, doutor
Com a cumplicidade mais ou menos silenciosa da esmagadora maioria da comunicação social fomos assistindo ao colapso das mais elementares funções de um estado moderno. Com o fim abrupto de uma maioria absoluta, imposto pelas necessidades de progressão na carreira do doutor costa, o doutor medina aproveita para apresentar “o maior excedente orçamental registado no Portugal democrático “.
É com esse "excedente" que o dr. montenegro vai agora ter que governar. E aí está ele, o quarto poder em força, com os estagiários a aproveitarem agosto para apresentar serviço e um “jornalismo” já fatigado de quase uma década de ócio.
Vai ser feio.
quinta-feira, 25 de julho de 2024
4,36%
O be teve 4,36% dos votos dos portugueses que votaram nas últimas eleições legislativas.
De manhã à noite - posso jurar, sou viciado em serviços informativos... -, tem representantes em programas de debate político e noticiários, nos jornais, na rádio e televisão. Esta ubiquidade é partilhada quase em exclusivo com os dois maiores partidos portugueses.
Há certamente explicações grosseiramente simplistas para este fenómeno. Eu gostaria de ter uma explicação um pouquinho mais sofisticada.
De manhã à noite - posso jurar, sou viciado em serviços informativos... -, tem representantes em programas de debate político e noticiários, nos jornais, na rádio e televisão. Esta ubiquidade é partilhada quase em exclusivo com os dois maiores partidos portugueses.
Há certamente explicações grosseiramente simplistas para este fenómeno. Eu gostaria de ter uma explicação um pouquinho mais sofisticada.
domingo, 14 de julho de 2024
"-foi uma tentativa de homicídio?"
Esta foi a pergunta dirigida a um dos 4 comentadores (!) que ouvi de um "jornalista" da SIC alguns minutos depois do atentado à vida de Trump. Antes, em vídeo, fora possível concluir que um tiro a 150 metros havia feito um buraco na orelha de um candidato à presidência dos EUA. Tudo isto de mistura com a evocação do "incidente" com Bolsonaro em que se lembrou que o cavalheiro "aproveitou" para não participar nos debates da campanha eleitoral. Enfim, no Brasil, muitos dos apoiantes do ladrão foram mais longe e só faltou dizerem que foi o próprio a fazer-se esfaquear repetidamente.
Depois de eleito pela primeira vez, a minha curiosidade levou-me a tentar saber tudo o que me era possível acerca de Donald Trump. De tal modo que nada, absolutamente nada do que se veio a saber posteriormente me surpreendeu. É, em meu entender, uma criatura absolutamente desprezível e sinistra. De tal maneira que me desgostou a cegueira com que a "direita" o acolheu como se fora "um dos seus". A criatura não é de "direita" ou "esquerda". É um gangster.
Não obstante, nunca o mundo nos anos mais recentes viveu maior bonança do que durante o seu mandato presidencial. Por contraste, o cavalheiro de falinhas mansas que o precedeu, prémio Nobel da paz e tudo (!), incendiou o mundo com um sem fim de conflitos que passaram pelo assassínio de vários chefes de estado no médio oriente, devidamente televisionados e patrocinados pelos serviços secretos americanos. por uma pilhagem de recursos sem par na história contemporânea das nações e pelo fim de vários estados anteriormente funcionais e a que só a Rússia fez frente na Síria na tentativa de derrubar Bashar al-Assad. Enfim, uma coisa a que cinicamente se vem chamando de "primavera árabe"...
Ditas estas coisas, alguém em Portugal está em condições de compreender a campanha anti Trump que vai pelos noticiários em Portugal? Alguém por aqui tem direito a voto nas eleições presidenciais americanas?
Aos jornalistas: acham mesmo que esta espécie de "jornalismo" vos acarreta alguma espécie de respeitabilidade? Reveem-se neste carnaval que pretendem fazer passar por jornalismo? Porque é que não são mais espontâneos e desabafam francamente o vosso receio de que Trump venha mais uma vez a deixar um mundo em paz e ponha um fim no conflito a que Biden vem sujeitando a Europa?
E já agora, a propósito do "vosso" candidato: não acham que Biden faz lembrar as gerontocracias soviéticas ao longo do súbito crepúsculo da URSS?
O que é que vos motiva na vossa sórdida servidão?
Depois de eleito pela primeira vez, a minha curiosidade levou-me a tentar saber tudo o que me era possível acerca de Donald Trump. De tal modo que nada, absolutamente nada do que se veio a saber posteriormente me surpreendeu. É, em meu entender, uma criatura absolutamente desprezível e sinistra. De tal maneira que me desgostou a cegueira com que a "direita" o acolheu como se fora "um dos seus". A criatura não é de "direita" ou "esquerda". É um gangster.
Não obstante, nunca o mundo nos anos mais recentes viveu maior bonança do que durante o seu mandato presidencial. Por contraste, o cavalheiro de falinhas mansas que o precedeu, prémio Nobel da paz e tudo (!), incendiou o mundo com um sem fim de conflitos que passaram pelo assassínio de vários chefes de estado no médio oriente, devidamente televisionados e patrocinados pelos serviços secretos americanos. por uma pilhagem de recursos sem par na história contemporânea das nações e pelo fim de vários estados anteriormente funcionais e a que só a Rússia fez frente na Síria na tentativa de derrubar Bashar al-Assad. Enfim, uma coisa a que cinicamente se vem chamando de "primavera árabe"...
Ditas estas coisas, alguém em Portugal está em condições de compreender a campanha anti Trump que vai pelos noticiários em Portugal? Alguém por aqui tem direito a voto nas eleições presidenciais americanas?
Aos jornalistas: acham mesmo que esta espécie de "jornalismo" vos acarreta alguma espécie de respeitabilidade? Reveem-se neste carnaval que pretendem fazer passar por jornalismo? Porque é que não são mais espontâneos e desabafam francamente o vosso receio de que Trump venha mais uma vez a deixar um mundo em paz e ponha um fim no conflito a que Biden vem sujeitando a Europa?
E já agora, a propósito do "vosso" candidato: não acham que Biden faz lembrar as gerontocracias soviéticas ao longo do súbito crepúsculo da URSS?
O que é que vos motiva na vossa sórdida servidão?
quinta-feira, 16 de maio de 2024
do jornalismo a martelo
Não sei se os mais novos ainda conhecem a expressão do "vinho a martelo". Era usada para designar vinho falsificado, habitualmente através da adição de açúcar para acrescentar teor alcóolico a um "vinho" adulterado. Sucede que o açúcar se foi tornando cada vez mais caro, a falsificação cada vez menos rentável e a expressão caiu em desuso.
Recupero-a agora para designar esta espécie de "jornalismo" que agora se faz. O outro, aquele que conheci em tempos, dava conta dos factos. Não é que os jornalistas não tivessem opiniões acerca dos factos de que davam conta. Mas eles eram soberanos e não era sério qualquer falta de rigor em relação a eles. Eram a substancia da actividade jornalística. Compravam-se jornais para ter noticia deles. Ouviam-se as partes, dava-se boa conta dos nomes, dos lugares, das partes e do tempo. Agora nada disso parece importar. As agendas, as opiniões, o comentário são a essência do jornalismo a martelo. Os factos apenas se mencionam para ilustrar a agenda do "jornalista". E a sua maior ou menor relevância é aferida pelo maior ou menor valor que possam acartar para essa agenda. Essa a única razão porque alguns crimes parecem levar a comunicação social e comentadores ao paroxismo e outros - que até podem estar na origem dos primeiros -, são olimpicamente ignorados.
Veja-se o caso do menino nepalês que "ficou gravemente ferido com hematomas no corpo e feridas abertas" em resultado de ter sido "violentamente agredido". Tendo as agressões sido "acompanhadas por frases racistas e xenófobas" proferidas pelos seus coleguinhas numa escola "em Lisboa".
Todas as palavras entre aspas são de Carmo Afonso e do jornal "Público" (dia 15/5).
Acrescenta a senhora Carmo Afonso que "a fonte da notícia da Rádio Renascença" - de que a senhora Carmo Afonso dava notícia,...-"...não quis reproduzir algumas dessas frases por serem rudes."
Embora me sopre o mais elementar bom senso que tudo isto ou grande parte é altamente improvável, ninguém me apanhará a afirmar que tudo é falso. Do que não há qualquer dúvida é que isto é um belo exemplar de jornalismo a martelo e que ninguém em bom juízo estará disposto a pagar um centavo por panfletos embrulhados em tal enxúndia.
Recupero-a agora para designar esta espécie de "jornalismo" que agora se faz. O outro, aquele que conheci em tempos, dava conta dos factos. Não é que os jornalistas não tivessem opiniões acerca dos factos de que davam conta. Mas eles eram soberanos e não era sério qualquer falta de rigor em relação a eles. Eram a substancia da actividade jornalística. Compravam-se jornais para ter noticia deles. Ouviam-se as partes, dava-se boa conta dos nomes, dos lugares, das partes e do tempo. Agora nada disso parece importar. As agendas, as opiniões, o comentário são a essência do jornalismo a martelo. Os factos apenas se mencionam para ilustrar a agenda do "jornalista". E a sua maior ou menor relevância é aferida pelo maior ou menor valor que possam acartar para essa agenda. Essa a única razão porque alguns crimes parecem levar a comunicação social e comentadores ao paroxismo e outros - que até podem estar na origem dos primeiros -, são olimpicamente ignorados.
Veja-se o caso do menino nepalês que "ficou gravemente ferido com hematomas no corpo e feridas abertas" em resultado de ter sido "violentamente agredido". Tendo as agressões sido "acompanhadas por frases racistas e xenófobas" proferidas pelos seus coleguinhas numa escola "em Lisboa".
Todas as palavras entre aspas são de Carmo Afonso e do jornal "Público" (dia 15/5).
Acrescenta a senhora Carmo Afonso que "a fonte da notícia da Rádio Renascença" - de que a senhora Carmo Afonso dava notícia,...-"...não quis reproduzir algumas dessas frases por serem rudes."
Embora me sopre o mais elementar bom senso que tudo isto ou grande parte é altamente improvável, ninguém me apanhará a afirmar que tudo é falso. Do que não há qualquer dúvida é que isto é um belo exemplar de jornalismo a martelo e que ninguém em bom juízo estará disposto a pagar um centavo por panfletos embrulhados em tal enxúndia.
Título da "notícia" da senhora Carmo Afonso: "Os imigrantes correm perigo em Portugal"
Não há mal nenhum com as opiniões. Até porque elas são como aquele orifício que todos temos atrás: toda a gente tem um.
Mas o jornalismo não é isso.
Mas o jornalismo não é isso.
Está antes e à frente disso.
parece que está difícil encontrar registo da tal criança nepalesa...
Está por encontrar o registo de uma criança de nove anos que foi barbaramente agredida pelos seus coleguinhas numa escola da Amadora, de acordo com um depoimento que foi notícia, objecto de programas de comentário e palavras de condenação por parte dos mais importantes representantes políticos da nação, com sua excelência, o presidente da república, à cabeça.
O ministério da educação ainda não foi capaz de parir o registo da tal criança que foi vitima de selvajaria por parte dos seus coleguinhas racistas e xenófobos (sic) de nove anos. Em conformidade com a denuncia de uma senhora que foi amplamente difundida pelas televisões e demais comunicação social.
Ainda me lembro de um tempo em que o jornalismo tinha um código de conduta que impunha a confirmação de tudo o que noticiava e de maneira nenhuma acolhia denuncias sem ter o cuidado de investigar e confirmar os factos.
Iria jurar que os jornalistas parecem ter sido substituídos por incendiários muito ansiosos por ilustrar as suas teorias acerca da sociedade portuguesa e legitimar assim o modo como a descrevem.
O ministério da educação ainda não foi capaz de parir o registo da tal criança que foi vitima de selvajaria por parte dos seus coleguinhas racistas e xenófobos (sic) de nove anos. Em conformidade com a denuncia de uma senhora que foi amplamente difundida pelas televisões e demais comunicação social.
Ainda me lembro de um tempo em que o jornalismo tinha um código de conduta que impunha a confirmação de tudo o que noticiava e de maneira nenhuma acolhia denuncias sem ter o cuidado de investigar e confirmar os factos.
Iria jurar que os jornalistas parecem ter sido substituídos por incendiários muito ansiosos por ilustrar as suas teorias acerca da sociedade portuguesa e legitimar assim o modo como a descrevem.
Quando se enganavam, os jornalistas retratavam-se dos erros. Esta gentalha que agora os substitui foge em frente.
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