Um deputado do Chega! capou um gato na sala onde habitualmente são recebidos os jornalistas.
Já seguiu queixa para a Ordem dos Veterinários.
Um deputado do Chega! capou um gato na sala onde habitualmente são recebidos os jornalistas.
Já seguiu queixa para a Ordem dos Veterinários.
Para poder continuar a mentir, de tempos a tempos é necessário consentir numa verdade.
"A torre Eiffel está com ferrugem!"
(sic notícias, 6/7/22)
Este curioso título do Jornal de Notícias vai explicado nos seguintes termos:
"A empresa afirma […] que um dos gerentes chama-se João Carlos Paiva
Santos, mas não está relacionada com as pessoas sob investigação pelo
Ministério Público. ‘Entre João e José vai todo um nome diferente, que deveria
servir para inúmeras peças jornalísticas o conseguirem discernir, mas inúmeras
vezes deixaram de o fazer’, lê-se na nota.
O indivíduo José António dos Santos (...) nunca é tratado pelo nome nem pelas
empresas que gere, mas por uma metáfora bem mais curta e elegante, o "rei
dos frangos". E é aqui que, infelizmente, somos chamados ‘à baila’".
Hoje, temos clientes, fornecedores e amigos a perguntar, a ligar e a comentar
consecutivamente, sem já conseguirem distinguir uma metáfora demasiadamente
disseminada, estupefactos sobre o que (não) está a acontecer", continua a
nota.
A empresa sublinha ainda que "é de assar frango que nós percebemos, de
ações e SADs... nem tanto" e termina o comunicado com uma nota final:
"Os nossos gerentes até são simpatizantes do Sporting!".
Uma pessoa lê coisas destas e é inevitável que se pergunte se os senhores jornalistas não têm mesmo vergonha nenhuma de fazer estas figuras de urso. Como afirma o verdadeiro "Rei dos Frangos"® - certamente o único que está registado -"[e]ntre João e José vai todo um nome diferente, que deveria servir para inúmeras peças jornalísticas o conseguirem discernir, mas inúmeras vezes deixaram de o fazer". Estes “inúmeras” é de uma imensa generosidade para com os senhores jornalistas, já que eu não vi uma única notícia que não fosse ilustrada com o garboso símbolo do Rei dos Frangos®.
Eu não sei, será lá com eles, mas se eu fosse jornalista iria sentir-me um bocadinho apoucado, digamos assim. Uns tipos a declarar que “percebem é de assar frangos” a ensinarem-me as subtilezas do meu ofício.
Imagino que o Rei®, o verdadeiro, tivesse pensado que aquilo até podia ser bom para a marca, conquanto não desfizessem da churrascaria. Afinal de contas, uma publicidade imensa por conta do outro gajo de Torres, o tal José. Quem sabe se não terá sonhado até com um novo Nando’s®, uma cadeia internacional do frango assado. Os senhores jornalistas até podiam ter feito uma pergunta estúpida, por exemplo, telefonando para a churrascaria a perguntar se o Rei® era mesmo do Benfica, como já estava toda a gente a fazer. Teriam ficado a saber que o Rei® até é do Sporting e juntando as peças, muito devagarinho, começassem a desconfiar que ali havia gato.
Mas não. Qualquer que seja o assunto, hoje em dia, os senhores jornalistas informam do que já sabem sem se darem à fadiga de se informarem.
"Rei dos Frangos esclarece: 'Não somos o rei dos frangos'"
"Sabem a sensação de injustiça quando, numa rua repleta de carros acotovelados em cima do passeio, só o nosso tem o papel da multa no pára-brisas? Deve ser o que sentiu o sr. Filipe Santos Costa ao ver-lhe retirada a carteira de jornalista, pela Comissão responsável, devido a ligações profissionais ao Partido Socialista.
…
Por mais difícil que esteja a vida, é triste ver um jornalista descer a semelhantes figuras. O que me parece inadmissível é ser apenas o sr. Filipe a pagar por elas. Numa análise rápida, conclui-se que cerca de 92,45% da nossa classe jornalística se baixa perante o PS e os aliados do PS com zelo idêntico ao do sr. Filipe. E numa análise demorada conclui-se o mesmo."
Alberto Gonçalves, "Um jornalista ao serviço do PS – e novidades?", Observador, 28 nov., 2020