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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

cmtv

Um deputado do Chega! capou um gato na sala onde habitualmente são recebidos os jornalistas. 

Já seguiu queixa para a Ordem dos Veterinários.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

entregues aos bichos da mentira



Venho-me perguntando insistentemente se isto será verdade.

Consegui ler duas explicações alternativas, ambas (creio que) de cidadãos israelistas: em uma delas seria uma fila num centro comercial. Em outra seria "apenas" uma fila para revalidar passaportes. 

Quem poderia esclarecer definitivamente o assunto (junto da embaixada, por exemplo) seriam os jornalistas dos OCS. Mas já não existem. Agora são "influencers" com carteiras de jornalista. A concorrer com os que por aqui andam. 

Estamos entregues aos bichos da mentira.







sábado, 12 de outubro de 2024

a soprar sementinhas

Os srs. jornalistas andam agora todos a fazer gracinhas com auriculares, que ninguém sopra nada, a régie e tal.
Bom, há um livro que foi proibido pelos tribunais (!), no ano não muito longínquo de 2016, em que se conta um episódio que ilustra muito bem como se sopram perguntas para os jornalistas fazerem. E sim, é ingénuo pensar que isto possa ter sido episódio isolado: a naturalidade com que o dr. sampaio dita a pergunta ao jornalista não a consente. Reproduzo uma parte da recensão que fiz aqui ao livro e se refere a esse episódio:

" p. 136 (notas de leitura)
Uma das coisas mais curiosas do livro é o ver como o poder lança as suas sementinhas para fazer “notícias” das suas conveniências. E ver como os jornalistas são inseminados ou se deixam inseminar. As páginas dedicadas a Jorge Sampaio ilustram exemplos curiosos:

“… [A]tendo a chamada. É Jorge Sampaio. Faz-me uma pergunta estranha: ‘A entrevista é só para falar da Câmara?’ Percebo que ali há gato. Digo-lhe, a tatear o terreno, que o prato forte será a CML, mas que a nossa ideia é também falar doutros temas. E então Sampaio sai-se com esta: ‘O jornalista podia fazer-me uma pergunta sobre as presidenciais…’” Sampaio haveria de dizer na entrevista “[q]ue seria muito estimulante para ele ter Cavaco como adversário nas presidenciais.”

Em 1995, para preparar um colóquio organizado pela Alta Autoridade para a Comunicação Social (!) sobre jornalismo e política promove-se… um almoço!
Manuel Villaverde Cabral e tudo, “… que pertence à comissão política da candidatura de Jorge Sampaio” terá dito qualquer coisa que “arrepia” o autor e o leva a escrever no seu diário:

“30 de Novembro de 1995
[…] Villaverde diz uma coisa extraordinária: é preciso fechar, pura e simplesmente, o Canal da RTP, porque ainda lá há ‘resquícios de cavaquismo’ que será difícil ‘extirpar’. Por outro lado, congratula-se com a demissão de Vasco Graça Moura [o diretor do canal]. Todos como ele deviam ser ‘corridos’. Confesso que fiquei um pouco assustado. Será que na comissão politica de Sampaio se pensa assim? Estamos no limiar de uma caça às bruxas generalizada? Subitamente parece termos regressado ao pós-25 de abril e à fúria vingadora de uma certa esquerda. Só que eu julgava esse período definitivamente encerrado.” *

Enfim, a coisa correu bem. Eleito em 1996, em 1997 já Sampaio estava no aeroporto com o seu séquito, na eminência de visitar a sua congénere holandesa.
..."
* Cit. de José António Saraiva em "Eu e os políticos – o que não pude (ou não quis) escrever até hoje", Gradiva, 2016, p. 136

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

o drama do beijo – parte I

(Sou-me dado ao dever de dizer o que acerca do assunto nem cheguei a achar por causa de coisas há pouco surgidas com o simples e aparente delito do título "correspondente" à parte II.) ______________________________________________________________________________ 


  “No tempo do fascismo” – que foi num tempo em que eu era ainda muito pequerrucho -, recordo-me perfeitamente de que quando uma senhora era beijada, assim “à espanhola”, podia acontecer uma de duas categorias de coisas: 1) a senhora exprimia felicidade, alegria e coisas dessas com um sorriso – e foi isso que por acaso eu julguei ver -, ou 2) a senhora investia um violento bofetão nas ventas do valente. Entre estas duas hipóteses, só podia haver alíneas a dar maior ou menor expressão ao sentido. Podia, por exemplo na segunda hipótese, haver uma alínea para um violento pontapé nos tomates do artista, vá lá um homem saber ao certo o que se passa no coração de uma mulher… 
E, com rainhas por perto ou longe, as coisas ficavam por ali porque as rainhas eram rainhas e só muito excecionalmente se poderia achar que um beijo envolvia mais alguém além de duas pessoas. 
 Havia coisas feias quando eu era mais pequeno? Havia. Mas só de cima de um andaime. Porque geralmente as senhoras caminhavam em cima de uma imperial indiferença. Que decorria da certeza, de uns e outros, que o do andaime, se mais de perto, corria o risco de enfardar a violenta bofetada mencionada em 2) ou alguma das suas inúmeras alíneas. 
Mas voltando ao presente: veio a futebolista no primeiro instante do sururu esclarecer que não havia nele nada de impróprio. Para depois -na sequência de gente emocionalmente estraçalhada, por sua inteira culpa sem beijos, que não fode nem sai de cima, encharcar os noticiários e os debates com a peçonha da sua miséria afetiva -, porque além de futebolista não é senhora também, lá vir dizer que sim, na gelatina tão comum da sua espécie. Gente que me deixa naquele estado físico da náusea adequadamente descrita por Satre no literal contexto e atmosfera de uma ocupação nazi. 
Sendo absolutamente sincero, toda esta gentalha nojenta e hipócrita, toda a indignação de todos os comentadores enfurecidos, me oferece o presente de me deixar mais ou menos reconciliado com a finitude da vida. 
 Mas depois ouço o Armstrong naquela coisa do “I see blue” ou “l'important c'est la rose” e penso: Mas que grandes filhos da puta. Morram vocês, seus cabrões.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

os nossos corruptos são muito melhores que os vossos

Quando, por força das circunstâncias se dá notícia de milhões embolsados por "socialistas", acontece logo sacarem um isaltino a comer ostras -"que até são o prato mais barato"...- por conta do orçamento. Tenho a certeza que se tivessem feito bem o trabalho tinham arranjado algo um bocadinho melhor. O isaltino? Aquele que já passou pela prisão porque se zangou com o partido? Só conseguem isso? Façam o vosso trabalho, caramba. Se escarafuncharem um bocadinho - nem precisa ser muito - tenho a certeza que "a direita" vos dá algo melhorzinho.

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

helicóptero da sic

Está inchado, mas ainda com genica para uma perninha na defesa dos chefes.

"Jornalismo" em todo o seu esplendor...



quinta-feira, 7 de julho de 2022

helicóptero da sic

"A torre Eiffel está com ferrugem!"

(sic notícias, 6/7/22)

___________________
(esta foi a última "notícia" do jornal das 19H da SIC notícias. Evidentemente, não creio que alguém por aqui esteja minimamente informado do que se passa em França, onde virar carros, queimar contentores do lixo e um sem fim de coisas que associamos à mais absoluta barbárie são passatempos de fim-de-semana. Porquê? Porque a torre Eiffel está com ferrugem.)

domingo, 22 de maio de 2022

helicóptero da sic

Já há alguns dias vem sendo afirmado sem qualquer contraditório que a Federação Russa é responsável por uma crise humanitária global ao impedir movimentos marítimos a partir dos portos ucranianos, desta maneira impedindo a exportação de cereais e fertilizantes.
Como o jornalismo ocidental não faz o que deontologicamente estaria obrigado a fazer, reproduzo aqui o que as autoridades russas dizem acerca do assunto:

“…75 navios estrangeiros de 17 países permanecem bloqueados em 7 portos ucranianos (Kherson, Nikolaev, Chernomorsk, Ochakov, Odessa, Yuzhniy e Mariupol). A ameaça por parte das autoridades de Kiev de bombardeamentos e minas nas suas águas territoriais impede que os navios deixem os portos com segurança e cheguem a mar aberto.
…, a Federação Russa abre diariamente das 08:00 às 19:00 (hora de Moscovo) um corredor humanitário, que é uma via segura a sudoeste das águas territoriais da Ucrânia, com 80 milhas náuticas de comprimento e 3 milhas náuticas de largura.
Informações detalhadas em inglês e russo sobre o modus operandi do corredor humanitário marítimo são transmitidas diariamente a cada 15 minutos em rádio VHF em 14 e 16 canais internacionais em inglês e russo.
Ao mesmo tempo, as autoridades de Kiev continuam a evitar o contato com representantes de Estados e empresas armadoras para resolver a questão de garantir a passagem segura de embarcações estrangeiras para águas internacionais.
As minas ucranianas à deriva ao longo das costas dos estados do Mar Negro permanecem um perigo para a navegação
A Federação Russa está adotando uma ampla gama de medidas abrangentes para garantir a segurança da navegação civil nas águas do Mar Negro e do Mar de Azov.”

Há largas porções deste comunicado que poderiam ser facilmente confirmadas ou infirmadas se ainda houvesse jornalismo sério.


A página de onde traduzi o texto citado encontra-se inacessível após várias tentativas para voltar a aceder a ela:
https://eng.mil.ru/en/special_operation/news/more.htm?id=12422474@egNews
Mas o mais provável é que não consiga abrir apenas por causa da qualidade da minha ligação.

domingo, 30 de janeiro de 2022

helicóptero da sic

A maioria do ps foi construída à custa da diabolização do “chega” por parte da extrema-esquerda e dos “influencers” que fazem de jornalistas nos dias que correm: a extrema-esquerda afundou-se com os seus eleitores a votarem “útil” para fugir do “fascismo”. Este é o elefante na sala que estão todos a fingir que não veem. E bem podem limpar as mãos à parede.
O gajo das gincanas lá anda. Costa por costa, o povo laranja tinha poucos motivos para ir botar voto. Se conseguir arranjar alguns empregos não o atiram já borda fora. Mas eu não contaria muito com a generosidade do “poucochinho”.
O ps está de parabéns e merece ficar. O trabalho está por concluir. A Bulgária ainda nos está a ganhar. 
Boa noite.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

"Rei dos Frangos esclarece: 'Não somos o rei dos frangos'"

Este curioso título do Jornal de Notícias vai explicado nos seguintes termos:


"A empresa afirma […] que um dos gerentes chama-se João Carlos Paiva Santos, mas não está relacionada com as pessoas sob investigação pelo Ministério Público. ‘Entre João e José vai todo um nome diferente, que deveria servir para inúmeras peças jornalísticas o conseguirem discernir, mas inúmeras vezes deixaram de o fazer’, lê-se na nota.

O indivíduo José António dos Santos (...) nunca é tratado pelo nome nem pelas empresas que gere, mas por uma metáfora bem mais curta e elegante, o "rei dos frangos". E é aqui que, infelizmente, somos chamados ‘à baila’". Hoje, temos clientes, fornecedores e amigos a perguntar, a ligar e a comentar consecutivamente, sem já conseguirem distinguir uma metáfora demasiadamente disseminada, estupefactos sobre o que (não) está a acontecer", continua a nota.

A empresa sublinha ainda que "é de assar frango que nós percebemos, de ações e SADs... nem tanto" e termina o comunicado com uma nota final: "Os nossos gerentes até são simpatizantes do Sporting!".

Uma pessoa lê coisas destas e é inevitável que se pergunte se os senhores jornalistas não têm mesmo vergonha nenhuma de fazer estas figuras de urso. Como afirma o verdadeiro "Rei dos Frangos"® - certamente o único que está registado -"[e]ntre João e José vai todo um nome diferente, que deveria servir para inúmeras peças jornalísticas o conseguirem discernir, mas inúmeras vezes deixaram de o fazer". Estes “inúmeras” é de uma imensa generosidade para com os senhores jornalistas, já que eu não vi uma única notícia que não fosse ilustrada com o garboso símbolo do Rei dos Frangos®.

Eu não sei, será lá com eles, mas se eu fosse jornalista iria sentir-me um bocadinho apoucado, digamos assim. Uns tipos a declarar que “percebem é de assar frangos” a ensinarem-me as subtilezas do meu ofício.

Imagino que o Rei®, o verdadeiro, tivesse pensado que aquilo até podia ser bom para a marca, conquanto não desfizessem da churrascaria. Afinal de contas, uma publicidade imensa por conta do outro gajo de Torres, o tal José. Quem sabe se não terá sonhado até com um novo Nando’s®, uma cadeia internacional do frango assado. Os senhores jornalistas até podiam ter feito uma pergunta estúpida, por exemplo, telefonando para a churrascaria a perguntar se o Rei® era mesmo do Benfica, como já estava toda a gente a fazer. Teriam ficado a saber que o Rei® até é do Sporting e juntando as peças, muito devagarinho, começassem a desconfiar que ali havia gato. 

Mas não. Qualquer que seja o assunto, hoje em dia, os senhores jornalistas informam do que já sabem sem se darem à fadiga de se informarem.

títulos de um gajo ficar a modos que

 

"Rei dos Frangos esclarece: 'Não somos o rei dos frangos'"
JN

_________________
(a notícia, que na verdade é acerca de jornalismo, vale a pena ser lida para lá do título e está aqui)

sábado, 28 de novembro de 2020

 "Sabem a sensação de injustiça quando, numa rua repleta de carros acotovelados em cima do passeio, só o nosso tem o papel da multa no pára-brisas? Deve ser o que sentiu o sr. Filipe Santos Costa ao ver-lhe retirada a carteira de jornalista, pela Comissão responsável, devido a ligações profissionais ao Partido Socialista.

Por mais difícil que esteja a vida, é triste ver um jornalista descer a semelhantes figuras. O que me parece inadmissível é ser apenas o sr. Filipe a pagar por elas. Numa análise rápida, conclui-se que cerca de 92,45% da nossa classe jornalística se baixa perante o PS e os aliados do PS com zelo idêntico ao do sr. Filipe. E numa análise demorada conclui-se o mesmo."

Alberto Gonçalves, "Um jornalista ao serviço do PS – e novidades?", Observador, 28 nov., 2020

sábado, 1 de agosto de 2020

um comboio da cp teve um acidente com uma máquina da ip


Morreram pessoas.
Lembrei-me do que escrevi acerca da cp a pretexto de uma entrevista de um camarada doutor e a greve dos camionistas:
_______________
De há muito julgo saber que uma economia assente em monopólios de rodovia está inteiramente refém de quem neles trabalha. Uma economia como a nossa, que há 45 anos atrás, a estrear-se nessa coisa das eleições, podia  viajar de comboio. Em comboios limpos, cuidados, pontuais, a circular em rede que se estendia por todo o país. Para pessoas e mercadorias. Sei isso até porque o aprendíamos na escola. Era a CP.
Depois, veio a democracia e as eleições. E como nem todos os que iam a votos podiam ser eleitos, os eleitos pensaram em maneiras de desenrascar os camaradas. Até porque noutro ano qualquer podia calhar-lhes a eles ficarem mais abaixo na lista de elegíveis. E pensaram: 
“-Temos aqui a CP e tu podes ser o doutor-engenheiro-presidente-ou-assim. Arranja-se carro com motorista fardado, como deve ser, cartão de crédito para a tua patroa ir às compras, tudo como se fosses ministro. O que é que achas?”

Foi-se achando bem.
Mas depois veio a filha, o sobrinho e o diabo a quatro que nem a família real saudita.
Como fazer, como fazer?
Conselho de ministros extraordinário: “-Ora bem, as nacionalizações já não chegam para todos, tenho o Manel lá fora aos berros, como é que vamos fazer isto?” 
Foi mais ou menos assim que um camarada qualquer se lembrou que a CP era um “elefante ingovernável”, que de acordo com as mais modernas teorias de gestão “small is beautifull” [foi mesmo assim que ele disse, em estrangeiro, para impressionar] e a CP devia ser desmembrada em várias empresas: uma empresa para os comboios propriamente ditos – que podia continuar a ser a CP-, uma empresa para os carris e catenárias –REFER, ou qualquer coisa assim -, uma empresa para as chaves de parafusos quando alguma coisa se desaperta – EMEF ou qualquer coisa do género-, uma empresa para as bilheteiras, etc. Agastado com a silenciosa entrevação com que o ouviam, disse a certa altura: “-Reparem camaradas ministros, eu posso continuar aqui pela noite dentro a criar empresas… O que é que os senhores acham?” 
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Há por aqui algumas gralhas, como já devem ter reparado: a "empresa" que trata da manutenção das vias chama-se ou passou a chamar-se ip...
Mas o texto tinha três partes e agora que esta gente se prepara para torrar gigantescas quantias de dinheiro em hidrogénios afins aqui deixo a continuação do texto:
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Tínhamos ficado naquela parte em que os comboios da CP iam fazendo
pouca terra num oceano de empresas públicas geridas pelo Manel e camaradas. E como comecei com subtítulos, vou continuar com eles.

um passageiro melancólico aqui, uma saca de cimento ali

Ao mesmo tipo de assalto a que a CP foi sujeita, foram sujeitas mais ou menos todas as outras grandes empresas de transporte de mercadorias e passageiros. Quando eram insuficientes para albergarem todos os camaradas do Manel que se reproduziam como coelhos, nacionalizavam-se as que fossem necessárias a tal efeito. Na expectativa de vida mais tranquila e gorda, no acoito do patrão incorpóreo que é o estado, os camaradas operários eram facilmente encorajados a exigir as nacionalizações em nome do socialismo. Não é só de agora que há senhores a acharem coisas que fazem o clima de opinião adequado à abarrotada vida do Manel.
Com o tempo, as massas foram-se livrando dos constrangimentos associados ao uso de comboios que se esvaíam de movimento em braços de prata.* Como iam podendo, fora das grandes urbes, as massas atomizaram-se no transporte privado e ao volante dos seus toyotas. Nas zonas urbanas, como se vem vendo, a gestão das falências das empresas públicas vem correndo ao sabor dos calendários eleitorais. E outro tanto sucede ao ilusório poder da rua, que se tornou quase monopólio dos camaradas trabalhadores do sector público. Desumanamente desvalorizados pela lei da oferta e da procura, os “trabalhadores em luta” faziam manifestações que eram um equivalente bastante exato das procissões religiosas; com o calendário eleitoral a substituir o religioso, com os seus clérigos à cabeça na pessoa de dirigentes sindicais, com as alfaias na forma de apitos, bandeiras, boinas à Guevara e muita solenidade nos punhos cerrados. Com o fim do trabalho como o bem escasso que havia sido até ao fim dos anos sessenta e primeira metade dos anos setenta, com o fim da emigração em massa para França, Alemanha e Luxemburgo, com a progressiva mecanização de empresas e serviços, os “trabalhadores em luta” e as organizações sindicais que agiam em seu nome tornaram-se fenómenos quase folclóricos, olhados com reserva, senão mesmo com aberta hostilidade por parte dos eventuais atormentados pela “luta”.

Extraordinariamente, é neste cenário pós-sindical que o camarada doutor Manuel Carvalho da Silva diz agora, a propósito da mais recente greve dos camionistas, que as greves “ocorrem ciclicamente […]mas agora a novidade é a mediatização do protesto e o contexto político”.  O camarada doutor acha portanto que as outras greves que “ocorrem ciclicamente” não são mediatizadas e acontecem fora de um contexto político. Nada como ir a doutor-sociólogo para nos tornarmos sofisticados nos argumentos. Ainda assim concede que “[é] natural que trabalhadores tentem resolver os seus problemas desta forma, através da greve.” Mas -e aqui vem ele, o “mas”- “…quando o problema se desloca para a política partidária, esquece-se o problema inicial entre os trabalhadores e os patrões.” Com isto, o ex-secretário-geral da CGTP estava “…referindo o aproveitamento dos partidos de direita deste conflito laboral”, esclarecem-nos os incisivos jornalistas da empresa pública Lusa, autores do artigo do Público que não é público e era do senhor Belmiro que se despediu de nós todos sem que alguma vez fosse vítima da ignomínia de ser tratado de “merceeiro”, como abundantemente acontece com o seu colega Soares dos Santos, da Fundação.
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*- Não sou assim tão dado à poesia quanto esta frase possa fazer supor: a certa altura dos anos oitenta vivia na Parede e trabalhava em Azambuja. Deslocava-me em duas linhas da CP e num autocarro da Carris. Num desses dias que não esqueço, depois de esperar na estação de Azambuja ao longo de seis horas o regresso a casa, o comboio em que seguia –em consequência de mais um turno de greve dos “maquinistas” da CP-, às quatro da manhã, depois de um dia de trabalho,  imobilizou-se em Braço de Prata. Sem qualquer aviso ou informação. Depois de coisa de meia hora ou mais, os passageiros começaram a desconfiar que por ali podiam pernoitar… De modos que se lançaram à linha a caminhar até Santa Apolónia. Percebem agora vossas senhorias que não há por aqui qualquer liberdade poética na frase?
____________
obs: Os textos aqui reproduzidos, no original, através de vários links, remetem para várias páginas que os complementam. 




sexta-feira, 24 de julho de 2020

helicóptero da sic

"Como o ex-líder do BES inventou um concurso público para a gestão de um fundo de pensões, empolou valor de ações em 300% e forjou contratos, assinaturas e a contabilidade de várias sociedades do GES.
...
O próprio convite falso da PDVSA tinha um ardil: a petrolífera venezuelana punha como condição para adjudicar a gestão do seu fundo de pensões aos Espírito Santo a "descativação dos saldos bancários" de cerca de 235 milhões de euros dados como garantia de empréstimos concedidos pelo BES. Porquê? Porque Salgado queria desviar esses fundos para a ESI.
O 2.º Ato é mais uma falsificação. Desta vez, uma ata da PDVSA que declarava o BES vencedor do concurso inventado. Na ficção de Ricardo Salgado, o BES tinha vencido alguns dos bancos mais importantes bancos suíços (a UBS de Zurique e o BSI de Genebra) e o Mitsubishi Tokio. Nenhuma destas entidades apresentaram qualquer proposta à PDVSA para a gestão do suposto fundo de pensões.
....
Com esses 235 milhões de euros 'na mão' a ESI anulou um saldo negativo da conta bancária da Espirito Santo Financiére e reembolsou 47,7 milhões de euros de papel comercial da ESI vencidos. Uma jogada de desespero que não impediu o inevitável: o colapso do GES."

daqui )

Em toda esta extraordinária história - com aquele a quem já chamam o "Alves dos Reis do séc. XXI" como protagonista -, o que eu ainda gostaria de saber (ser informado pelos senhores jornalistas assalariados do novo SNI era ouro sobre azul) são duas coisas:
1-A quem é que Salgado se referia quando numa das escutas “televisionadas” o ouvimos a suspirar o seguinte: “Enfim, estamos rodeados por este tipo de gente…”. Eu acho que sei, acho que todos sabemos: é quase todo o regime. E quando ele ameaça defender-se “até às últimas consequências” não será em vão que o faz…;
2 – Agora que estão com a contabilidade em mãos, gostaria de saber quantos milhões é que o BES e satélites devidamente domesticados (PT, EDP, …) gastou em anúncios de página dupla e em intervalos de telenovela, ao mesmo tempo que o “jornalismo económico”, vez por outra, foi suspirando com imensa timidez a estranheza pelo não recurso à capitalização  e coisinhas do género…




segunda-feira, 18 de maio de 2020

apesar da lei, mas pela grei: uma pergunta só



Há uma coisa que eu gostaria muito que alguém perguntasse ao senhor presidente da república. Antigamente eram os jornalistas que faziam estas coisas, fazer perguntas, naqueles tempos longínquos em que eram pagos por quem queria comprar informação. Agora, além do cogumelo do tempo, das pomadas anti-inflamatórias, dos colchões e almofadas ortopédicas que não podem com uma gata pelo rabo, não sei muito bem quem lhes paga para que não façam perguntas ou para que lhes façam perguntas fofas.

De modo que ando para aqui sem saber não dos factos que já muitos sabem (não pelos jornalistas, mas pelas diabólicas “redes sociais”), mas como os envolvidos pelos factos se sentem em relação a eles. No caso, gostava muito que um jornalista viesse um dia a perguntar como é que o senhor presidente da república portuguesa se sente e convive com o caso de a monarquia espanhola custar menos de metade que a sua muito querida republicana figura. Isto, se virmos as coisas em termos absolutos, que é o modo como nunca as pagamos, mas como os polígrafos dos tais jornalistas fofos as descrevem. Senão vejamos: os portugueses - quem paga a conta -, mais coisa menos coisa, são 10 milhões e pagam 15 milhões (nem vale a pena mencionar os 5 milhões anuais de “despesas de representação”, tanto quanto gasta a família real britânica). Já os espanhóis, a bem ou mal, fazem uma vaquinha de 8,4 milhões a dividir por 47 milhões de indígenas. E assim sendo, os nossos queridos republicanos custam ao contribuinte 8 vezes mais que suas altezas aos nossos vizinhos. Sim, sim, fiz as continhas todas.  
À conta da rainha, os ingleses ainda vendem umas canecas aos turistas. E ao contrário desta, que por lá está vá-se lá saber desde quando, o contribuinte pátrio vai alombado com a despesa de vitalícios ex-presidentes e respetivos séquitos que teimam em livrar-se da lei dos vivos. Cada um vai custando cerca de 1 milhão de euros ao ano.
Não vou agora comparar o valor simbólico e funcional de uma criatura que muda de calções sob uma toalha ou se baba nas mãos de um dignitário estrangeiro com o de um qualquer príncipe.
Com muita liberdade, nenhuma igualdade e ainda menos fraternidade, era mesmo só isto.
Que eu gostava que perguntassem ao tiririca.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

helicóptero da sic


















foto: jornal de negócios


O doutor António Costa: “Podem estar seguros que não adotarei a austeridade de 2011”

O nº 2 do 44 avança sem medo.
Nenhum dos senhores jornalistas - mano, prima ou quem quer que seja o senhor jornalista -, o vai confrontar com um "-Chama-lhe um apito e sopra-me". 

Viva o 25 e a brigada do reumático!

segunda-feira, 8 de abril de 2019

do esgoto a céu aberto

Há uma portentosa diferença nas dívidas contraídas pelo fontismo na monarquia constitucional e as dívidas contraídas pela terceira república: as primeiras são consequência do que era necessário fazer. As últimas são consequência do que vamos ouvindo em sucessivas escutas forenses. E as que temos, no acaso de as ouvir-mos, são depreciativamente descritas como fluindo à maneira de um “esgoto a céu aberto”.
Para essa canalha que faz o clima de opinião não me sobram quaisquer dúvidas que se sentiria  mais confortável se a imundice fluísse em manilha fechada.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

títulos de um gajo ficar a modos que

Certamente na tentativa de emprestar alguma gravitas à patética leveza do assunto  - a transferência de um jogador de futebol para um clube propriedade da Fiat -, um jornal italiano  fez uso de um parangonico "Fiat Lux".
Na "revista de imprensa" que um "repórter" da RTP fez a propósito do mesmo não-assunto, certamente a mando de algum "chefe", o titulo foi entusiasticamente traduzido por "fiat de luxo".

domingo, 8 de julho de 2018