Há uma coisa que eu gostaria muito que alguém perguntasse ao
senhor presidente da república. Antigamente eram os jornalistas que faziam
estas coisas, fazer perguntas, naqueles tempos longínquos em que eram pagos por
quem queria comprar informação. Agora, além do cogumelo do tempo, das pomadas anti-inflamatórias,
dos colchões e almofadas ortopédicas que não podem com uma gata pelo rabo, não
sei muito bem quem lhes paga para que não façam perguntas ou para que lhes
façam perguntas fofas.
De modo que ando para aqui sem saber não dos factos que já
muitos sabem (não pelos jornalistas, mas pelas diabólicas “redes sociais”), mas
como os envolvidos pelos factos se sentem em relação a eles. No caso, gostava
muito que um jornalista viesse um dia a perguntar como é que o senhor
presidente da república portuguesa se sente e convive com o caso de a monarquia
espanhola custar menos de metade que a sua muito querida republicana figura. Isto,
se virmos as coisas em termos absolutos, que é o modo como nunca as pagamos,
mas como os polígrafos dos tais jornalistas fofos as descrevem. Senão vejamos: os
portugueses - quem paga a conta -, mais coisa menos coisa, são 10 milhões e
pagam 15 milhões (nem vale a pena mencionar os 5 milhões anuais de “despesas de
representação”, tanto quanto gasta a família real britânica). Já os espanhóis,
a bem ou mal, fazem uma vaquinha de 8,4 milhões a dividir por 47 milhões de
indígenas. E assim sendo, os nossos queridos republicanos custam ao
contribuinte 8 vezes mais que suas altezas aos nossos vizinhos. Sim, sim, fiz
as continhas todas.
À conta da rainha, os ingleses ainda vendem umas canecas aos
turistas. E ao contrário desta, que por lá está vá-se lá saber desde quando, o
contribuinte pátrio vai alombado com a despesa de vitalícios ex-presidentes e respetivos
séquitos que teimam em livrar-se da lei dos vivos. Cada um vai custando cerca
de 1 milhão de euros ao ano.
Não vou agora comparar o valor simbólico e funcional de uma
criatura que muda de calções sob uma toalha ou se baba nas mãos de um
dignitário estrangeiro com o de um qualquer príncipe.
Com muita liberdade,
nenhuma igualdade e ainda menos fraternidade, era mesmo só isto.
Que eu gostava que perguntassem ao tiririca.

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