segunda-feira, 18 de maio de 2020

quora

O que acha do Adolfo Mesquita Nunes como candidato à presidência?
Adolfo Mesquita Nunes, mais ou menos formalmente, despediu-se da política ativa para se dedicar a tempo inteiro à advocacia em pelo menos uma entrevista. Parece-me altamente improvável que se venha a disponibilizar para amortecer uma eventual pancada no regime a pretexto de uma eleição presidencial.
Vou tentar explicar.
Não haverá praticamente ninguém em Portugal que, em qualquer cenário e com quaisquer adversários, conceba a derrota do atual presidente numa segunda candidatura; é um demagogo que domina a arte das técnicas de aliciamento das massas e com quem Gustave Le Bon teria muito que aprender. Além disso, para a sua “campanha eleitoral” dispõe de um orçamento de 15 – 17 milhões de euros anuais, o orçamento da presidência. E ele não fez mais do que usa-los rigorosamente para esse efeito ao longo do seu mandato.
O senhor Costa, atual primeiro-ministro, na tentativa de poupar o seu partido a um novo vexame eleitoral nas presidenciais, aproveitou a visita a uma fábrica de automóveis para lhe declarar o seu apoio nos termos mais afetuosos. Na sua família política, a camarada Ana Gomes está cheia de vontade de avançar, talvez anunciando a sua candidatura numa fábrica de tratores, ladeada de alguns camaradas mais ou menos zangados com a direção do partido.
Ainda mais à esquerda não é de excluir a possibilidade das candidaturas da senhora Marisa Matias do BE, uma candidata “engraçadinha” nas palavras azedas do secretário-geral do PCP que quase seguramente apresentará o seu candidato mais ou menos obscuro.
Por consequência, Marcelo – tautologicamente de “direita”, para os que gostam deste tipo de explicações políticas -, apresentar-se-á a eleições com uma “esquerda” completamente pulverizada em candidaturas sem qualquer hipótese de aspirarem a mais que resultados ridículos.
Até ao momento, o único oponente à “direita” que declarou a sua intenção de se candidatar, foi André Ventura. Que num dos episódios mais cómicos da política à portuguesa, foi encorajado a não concorrer às eleições presidenciais por… Marcelo, o atual presidente.
Sucede que este cavalheiro, um populista quase tão cínico quanto Marcelo, verdadeiramente odiado pelo regime – designadamente pela “comunicação social” que vai buscar ao estado o cheque com que paga os seus sistemáticos prejuízos -, anda a trepar nas sondagens de um modo que deve ser enervante para quem herda ministérios em razão do direito sucessório dos familiares em primeiro grau. Sim, isto não é hipérbole, os casos sucedem-se sem pudor, no seio desta nova “aristocracia” republicana…
Em tal cenário, além de Marcelo, até as “esquerdas” precisam de um candidato à “direita”. Marcelo porque vai querer afogar a hipótese de a “direita” que o despreza votar em bloco em André Ventura, ofuscando e deslustrando o esplendor da vitória que todos lhe dão por certa. Ao ganhar por uns pontos a um candidato odiado por todas as forças políticas do regime.
E as “esquerdas” pelo dobro das razões. Com o cenário da candidatura de Adolfo Mesquita Nunes dividem os potenciais resultados de André Ventura e tornam mais palatável a ignomínia das derrotas eleitorais a que os seus candidatos ficariam sujeitos no confronto direto com um sujeito por quem nutrem uma visceral aversão.
Resta saber se Adolfo Mesquita Nunes, sendo um homem inteligente se presta a tal frete pelo regime.
Tudo depende do desdém e asco que também ele possa sentir por André Ventura. Será suficiente para o convencer a tamanho sacrifício? Não acredito. Como disse, parece-me um tipo inteligente.

Sem comentários:

Enviar um comentário