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quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

a explicação do mistério

Para perceber o que pode ter acontecido no bizarro percurso de Alexandra Reis, que a levou da TAP - de onde saiu com meio milhão - até ao governo, passando pela NAV, é só tentar tornar público o que a senhora sabe dos aviões a custar 20% acima do valor de mercado.

Podem esperar sentados no que diz respeito a essa diligência.

O dinheiro é público, mas os negócios são da família.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

ó dótôra, guarde, guarde lá isso

Ó dótôra, tenho a certeza que a coisa está "dentro do estrito cumprimento da lei".

Ou não fosse a família a fazer a lei...

Guarde, guarde a massa dótôra, guarde. Mais milhão, menos meio milhão, a malta aguenta.
E gosta.
Se não fosse o medo de me picar nesse bigode tão bem aparado, até lhe mandava daqui um beijinho


.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

vai para aí um bruaá com as taxas de juro e prestações da casa…

Meus meninos, ai ai ai, queixam-se, mas têm ações de uma companhia de aviação, da “efacec”, de bancos e de um de ror de coisas assim.

Às tantas até já são donos de alguma fábrica de sapatos e não sabem.
E não é segredo para ninguém que muitos de vocês também mamam whisky do bom, já para não falar daqueles que fumam.

Parem de miar e paguem as prestações da casa, seus capitalistas nojentos.

sábado, 1 de agosto de 2020

um comboio da cp teve um acidente com uma máquina da ip


Morreram pessoas.
Lembrei-me do que escrevi acerca da cp a pretexto de uma entrevista de um camarada doutor e a greve dos camionistas:
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De há muito julgo saber que uma economia assente em monopólios de rodovia está inteiramente refém de quem neles trabalha. Uma economia como a nossa, que há 45 anos atrás, a estrear-se nessa coisa das eleições, podia  viajar de comboio. Em comboios limpos, cuidados, pontuais, a circular em rede que se estendia por todo o país. Para pessoas e mercadorias. Sei isso até porque o aprendíamos na escola. Era a CP.
Depois, veio a democracia e as eleições. E como nem todos os que iam a votos podiam ser eleitos, os eleitos pensaram em maneiras de desenrascar os camaradas. Até porque noutro ano qualquer podia calhar-lhes a eles ficarem mais abaixo na lista de elegíveis. E pensaram: 
“-Temos aqui a CP e tu podes ser o doutor-engenheiro-presidente-ou-assim. Arranja-se carro com motorista fardado, como deve ser, cartão de crédito para a tua patroa ir às compras, tudo como se fosses ministro. O que é que achas?”

Foi-se achando bem.
Mas depois veio a filha, o sobrinho e o diabo a quatro que nem a família real saudita.
Como fazer, como fazer?
Conselho de ministros extraordinário: “-Ora bem, as nacionalizações já não chegam para todos, tenho o Manel lá fora aos berros, como é que vamos fazer isto?” 
Foi mais ou menos assim que um camarada qualquer se lembrou que a CP era um “elefante ingovernável”, que de acordo com as mais modernas teorias de gestão “small is beautifull” [foi mesmo assim que ele disse, em estrangeiro, para impressionar] e a CP devia ser desmembrada em várias empresas: uma empresa para os comboios propriamente ditos – que podia continuar a ser a CP-, uma empresa para os carris e catenárias –REFER, ou qualquer coisa assim -, uma empresa para as chaves de parafusos quando alguma coisa se desaperta – EMEF ou qualquer coisa do género-, uma empresa para as bilheteiras, etc. Agastado com a silenciosa entrevação com que o ouviam, disse a certa altura: “-Reparem camaradas ministros, eu posso continuar aqui pela noite dentro a criar empresas… O que é que os senhores acham?” 
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Há por aqui algumas gralhas, como já devem ter reparado: a "empresa" que trata da manutenção das vias chama-se ou passou a chamar-se ip...
Mas o texto tinha três partes e agora que esta gente se prepara para torrar gigantescas quantias de dinheiro em hidrogénios afins aqui deixo a continuação do texto:
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Tínhamos ficado naquela parte em que os comboios da CP iam fazendo
pouca terra num oceano de empresas públicas geridas pelo Manel e camaradas. E como comecei com subtítulos, vou continuar com eles.

um passageiro melancólico aqui, uma saca de cimento ali

Ao mesmo tipo de assalto a que a CP foi sujeita, foram sujeitas mais ou menos todas as outras grandes empresas de transporte de mercadorias e passageiros. Quando eram insuficientes para albergarem todos os camaradas do Manel que se reproduziam como coelhos, nacionalizavam-se as que fossem necessárias a tal efeito. Na expectativa de vida mais tranquila e gorda, no acoito do patrão incorpóreo que é o estado, os camaradas operários eram facilmente encorajados a exigir as nacionalizações em nome do socialismo. Não é só de agora que há senhores a acharem coisas que fazem o clima de opinião adequado à abarrotada vida do Manel.
Com o tempo, as massas foram-se livrando dos constrangimentos associados ao uso de comboios que se esvaíam de movimento em braços de prata.* Como iam podendo, fora das grandes urbes, as massas atomizaram-se no transporte privado e ao volante dos seus toyotas. Nas zonas urbanas, como se vem vendo, a gestão das falências das empresas públicas vem correndo ao sabor dos calendários eleitorais. E outro tanto sucede ao ilusório poder da rua, que se tornou quase monopólio dos camaradas trabalhadores do sector público. Desumanamente desvalorizados pela lei da oferta e da procura, os “trabalhadores em luta” faziam manifestações que eram um equivalente bastante exato das procissões religiosas; com o calendário eleitoral a substituir o religioso, com os seus clérigos à cabeça na pessoa de dirigentes sindicais, com as alfaias na forma de apitos, bandeiras, boinas à Guevara e muita solenidade nos punhos cerrados. Com o fim do trabalho como o bem escasso que havia sido até ao fim dos anos sessenta e primeira metade dos anos setenta, com o fim da emigração em massa para França, Alemanha e Luxemburgo, com a progressiva mecanização de empresas e serviços, os “trabalhadores em luta” e as organizações sindicais que agiam em seu nome tornaram-se fenómenos quase folclóricos, olhados com reserva, senão mesmo com aberta hostilidade por parte dos eventuais atormentados pela “luta”.

Extraordinariamente, é neste cenário pós-sindical que o camarada doutor Manuel Carvalho da Silva diz agora, a propósito da mais recente greve dos camionistas, que as greves “ocorrem ciclicamente […]mas agora a novidade é a mediatização do protesto e o contexto político”.  O camarada doutor acha portanto que as outras greves que “ocorrem ciclicamente” não são mediatizadas e acontecem fora de um contexto político. Nada como ir a doutor-sociólogo para nos tornarmos sofisticados nos argumentos. Ainda assim concede que “[é] natural que trabalhadores tentem resolver os seus problemas desta forma, através da greve.” Mas -e aqui vem ele, o “mas”- “…quando o problema se desloca para a política partidária, esquece-se o problema inicial entre os trabalhadores e os patrões.” Com isto, o ex-secretário-geral da CGTP estava “…referindo o aproveitamento dos partidos de direita deste conflito laboral”, esclarecem-nos os incisivos jornalistas da empresa pública Lusa, autores do artigo do Público que não é público e era do senhor Belmiro que se despediu de nós todos sem que alguma vez fosse vítima da ignomínia de ser tratado de “merceeiro”, como abundantemente acontece com o seu colega Soares dos Santos, da Fundação.
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*- Não sou assim tão dado à poesia quanto esta frase possa fazer supor: a certa altura dos anos oitenta vivia na Parede e trabalhava em Azambuja. Deslocava-me em duas linhas da CP e num autocarro da Carris. Num desses dias que não esqueço, depois de esperar na estação de Azambuja ao longo de seis horas o regresso a casa, o comboio em que seguia –em consequência de mais um turno de greve dos “maquinistas” da CP-, às quatro da manhã, depois de um dia de trabalho,  imobilizou-se em Braço de Prata. Sem qualquer aviso ou informação. Depois de coisa de meia hora ou mais, os passageiros começaram a desconfiar que por ali podiam pernoitar… De modos que se lançaram à linha a caminhar até Santa Apolónia. Percebem agora vossas senhorias que não há por aqui qualquer liberdade poética na frase?
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obs: Os textos aqui reproduzidos, no original, através de vários links, remetem para várias páginas que os complementam. 




quinta-feira, 2 de julho de 2020

o gajo do porsche acaba de comprar uma porrada de aviões

O gajo do porsche está aqui na televisão a ir ao cu ao indígena a tentá-lo convencer que lhe vai usar o dinheiro de várias gerações para continuar a ter uma empresa de aviões para a sua família biológica e política. Se - porque o dinheiro dos outros, de uma maneira ou doutra, chega sempre ao fim -, depois não chega para hospitais e tudo o resto que pudesse estar vagamente aparentado com as razoáveis funções de um estado a sério, vossas senhorias terão que ter paciência; a coisa dos aviões é importante. Estratégica.
Por causa das colónias.
Ups… Não, que raio, por causa da estratégia.
“Nós compramos”, está o cabrão a dizer.
Juro.

terça-feira, 19 de maio de 2020

helicóptero da sic


Com milhares e milhares de pessoas a perderem o seu trabalho ou com os seus rendimentos consideravelmente diminuídos, acabo de ouvir uma senhora jornalista a falar da necessidade de, com o dinheiro dos contribuintes, injetar “umas largas centenas de milhões de euros” na TAP.*
Eu continuo à espera que essa coisa da “empresa estratégica” seja um dia adequadamente explicada pelos sobas da opinião indígena. É que continuo sem perceber como é que a Espanha, a Bélgica, a Holanda, a Itália, Suíça, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, França, Bulgária, Áustria e rigorosamente quase todos os outros países europeus que, para benefício dos seus contribuintes, abdicaram da propriedade de companhias de bandeira conseguem sobreviver sem essa coisa da “estratégica”….
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* A dívida financeira da TAP é de mil milhões de euros.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

do poder dos sindicatos e do camarada doutor (parte I)





















A propósito da greve e dos achamentos do camarada doutor citado  no artigo ilustrado, estava para começar com este título pimpão, tão ao meu gosto. Mas tenho de começar pelo princípio e vai ter que ser com um subtítulo.

de como uma economia pode ficar presa com os tomates a esfregar no alcatrão

De há muito julgo saber que uma economia assente em monopólios de rodovia está inteiramente refém de quem neles trabalha. Uma economia como a nossa, que há 45 anos atrás, a estrear-se nessa coisa das eleições, podia  viajar de comboio. Em comboios limpos, cuidados, pontuais, a circular em rede que se estendia por todo o país. Para pessoas e mercadorias. Sei isso até porque o aprendíamos na escola. Era a CP.
Depois, veio a democracia e as eleições. E como nem todos os que iam a votos podiam ser eleitos, os eleitos pensaram em maneiras de desenrascar os camaradas. Até porque noutro ano qualquer podia calhar-lhes a eles ficarem mais abaixo na lista de elegíveis. E pensaram: 
“-Temos aqui a CP e tu podes ser o doutor-engenheiro-presidente-ou-assim. Arranja-se carro com motorista fardado, como deve ser, cartão de crédito para a tua patroa ir às compras, tudo como se fosses ministro. O que é que achas?”

Foi-se achando bem.
Mas depois veio a filha, o sobrinho e o diabo a quatro que nem a família real saudita.
Como fazer, como fazer?
Conselho de ministros extraordinário: “-Ora bem, as nacionalizações já não chegam para todos, tenho o Manel lá fora aos berros, como é que vamos fazer isto?” 
Foi mais ou menos assim que um camarada qualquer se lembrou que a CP era um “elefante ingovernável”, que de acordo com as mais modernas teorias de gestão “small is beautifull” [foi mesmo assim que ele disse, em estrangeiro, para impressionar] e a CP devia ser desmembrada em várias empresas: uma empresa para os comboios propriamente ditos – que podia continuar a ser a CP-, uma empresa para os carris e catenárias –REFER, ou qualquer coisa assim -, uma empresa para as chaves de parafusos quando alguma coisa se desaperta – EMEF ou qualquer coisa do género-, uma empresa para as bilheteiras, etc. Agastado com a silenciosa entrevação com que o ouviam, disse a certa altura: “-Reparem camaradas ministros, eu posso continuar aqui pela noite dentro a criar empresas… O que é que os senhores acham?” 

Os senhores acharam bem.
O camarada pôs mãos à obra, que nestas coisas começa por ser falar com uns amigos jornalistas do sector, falar-lhes de como o governo se sentia enamorado pelas novas teorias de gestão moderna, pelo Schumacher e assim. Dessa maneira fizeram-se uns artigos nos jornais especializados que sossegaram os não especializados ou especializados em bola e que por sua vez reconciliaram o Manel com a nação.
Faltou depois apaziguar os operários com as gestões partidárias através dos sindicatos dos camaradas que podiam não gostar do partido dos camaradas da governança. E seguiram-se greves dia sim, dia sim na década de 80. Um comboio podia perfeitamente sair da Azambuja para Santa Apolónia com seis horas de atraso e imobilizar-se em Braço de Prata sem qualquer explicação. Com os passageiros a desenrascar-se como podiam. De noite, a pé sobre os carris e até Santa Apolónia. Depois de um dia de trabalho e três ou quatro horas de espera. Eventualmente porque o camarada maquinista entrava em greve ou por avaria; como disse, não se davam explicações. Era a vida. Os passageiros aborreciam-se com essas coisas. Eu sei porque me aconteceu. Muitas vezes.
Tinha um amigo que trabalhava nas vias. Nunca soube exatamente o que fazia, tenho a vaga ideia que tinha a misteriosa tarefa de empurrar  uma rodinha de metal ao longo dos carris. Não sei exatamente para que servia isso porque as suas conversas acerca do trabalho versavam quase sempre a estrutura da sua empresa – que deixara de ser a CP e era agora outra coisa qualquer…. Ficava muitas vezes com a impressão que ele era o único trabalhador da “empresa”. Havia depois “as gajas do escritório” que lhe processavam o vencimento e abonos, o engenheiro “que nem a tabuada sabe”,  “os cabrões da administração” e o camarada presidente. A trabalhar nos carris como ele, não sabia de mais ninguém. Evidentemente, haverá por aqui algum exagero, o meu amigo era dado a alguns exageros, designadamente naquilo que presumia serem os seus direitos. Mas a caricatura permite-nos adivinhar a pirâmide de pantanas do organograma da “sua empresa”.

Entretanto, com o tempo e como já lembrei, o Manel perdeu completamente a cabeça e vendeu a peso os carris a um sucateiro amigo. E o meu amigo, da minha idade, já está reformado há muitos anos. O que remanesce da CP é o que está à vista: um passageiro melancólico aqui, uma saca de cimento ali. E é a vida.

(continua)

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

o sr. daniel oliveira “acha”

Na sua página do FB e a propósito do Novo Banco, o Sr. Daniel Oliveira sujeitou à apreciação do seu povo a muito defensável ideia de que “[os contribuintes] não podem ser obrigados a assumir qualquer risco por decisões que não tomaram.”

«Porque ao contrário dos privados, os contribuintes nunca ganhariam nada com um investimento que não fizeram. Não podem ser obrigados a assumir qualquer risco por decisões que não tomaram. Não é uma questão de culpa, porque os investidores não tiveram culpa nenhuma. É uma questão de responsabilidade.»

E a certa altura dos améns, um tal Sr. César Serradas lembra-se de perguntar:

“E agora que tal o Daniel Oliveira extrapolar isso para tudo o resto - como por ex. a TAP?”

Ao que o Sr. Daniel Oliveira entendeu responder do seguinte modo:

“Não tenho qualquer problema que o Estado ponha dinheiro em empresas suas. Não compreende que não nos separa a oposição à promiscuidade entre público e privado. A diferença é que eu acho que o Estado deve ter empresas públicas. E mandar nelas. E, quando necessário, pagá-las.”

Ao que o Sr. César Serradas ensarta a seguinte objeção:

“De qualquer das formas essa sua posição agora já é contrária à posição mais pura e ímpia do artigo. Quando o Estado paga por empresas públicas ele obriga todos os cidadãos a contribuírem (à força) para um serviço que não contrataram e onde não alocaram risco.”

Como seria de esperar, o Sr. Daniel não quis saber do afogo. O Sr. Daniel “acha" que o Sr. César Serradas (na figura de contribuinte) deve ser coproprietário de uma companhia de transportes aéreos (a “independência nacional”, o “interesse estratégico” e assim - não interessa, o Sr. Daniel “acha”). Logo, o Sr. César Serradas (na figura de contribuinte) só tem que avançar com o cacau. Seja como for, bem podia o Sr. César esbracejar. O Sr. Daniel (em representação dos senhores que “acham”) já lá não estava. Era o que mais faltava, aturar as impertinências da criadagem. O dinheiro do Sr. César é da cooperativa e não se fala mais nisso.